Entrevistas

Mercado se abre para Cloud Broker Providers

Segundo Marco Resende, vice-presidente da BrCloud Service, fornecedores especializados na tecnologia são essenciais para oferta em ambiente Multicloud

O mercado de cloud computing está crescendo cada vez mais no Brasil e impulsionando não só a transformação digital para o setor corporativo, mas promovendo a criação de um ecossistema especializado para a oferta da tecnologia. Ao expandir a sua atuação do setor Enterprise, o aumento da procura pelas ofertas em nuvem pelas organizações de menor porte, bem como contratação por parte de instituições públicas, fez com que o cenário ganhasse o Cloud Broker Provider (CBP). Esses fornecedores vendem não apenas produtos de nuvem privada como também aplicações de outros fornecedores de cloud pública, como da AWS, Microsoft e Google, além de fazer a gestão de contratos e SLAs.

Os brokers vão se tornar grandes intermediadores, ajudando as empresas na tomada de decisões e no gerenciamento desses ambientes multicloud

Segundo Marco Resende, vice-presidente da BrCloud Service, um CBP de Brasília, os cloud brokers são fornecedores de serviços em nuvem e têm, cada vez mais, importância na migração das empresas para a nuvem. “Até 2018, 85% dos ambientes serão multicloud, conjugando diversos serviços em nuvem para atender suas necessidades de negócios, não só por uma questão de custos, mas também pelas capacidades de cada provedor”, prevê.  De acordo com ele, os brokers vão se tornar grandes intermediadores, ajudando as empresas na tomada de decisões e no gerenciamento desses ambientes. Leia a entrevista completa abaixo:

Como uma empresa de broker pode contribuir para a transformação digital no Brasil?

Os cloud brokers são fornecedores de serviços em nuvem e têm, cada vez mais, importância na migração das empresas para a nuvem. Até 2018, 85% dos ambientes serão multicloud, conjugando diversos serviços em nuvem para atender suas necessidades de negócios, não só por uma questão de custos, mas também pelas capacidades de cada provedor. O Brasil está atrasado em nível mundial na comparação com países desenvolvidos. Nesse sentido, a Contribuição do broker é fundamental para retomada do desenvolvimento, pois através deste novo ator no cenário de TI é que as empresas públicas e privadas poderão ter acesso a diversos serviços e produtos tecnológicos disponíveis e atualizados. No segmento de governo, o País tem um processo aquisitivo lento e, muitas vezes, compra o que não quer, em função da legislação completamente arcaica e com valores de aferição distorcidos. Desta forma, quando se contrata um broker, é possível buscar alternativas tecnológicas eficazes, modernas e com melhor relação custo benefício.

O que é, na prática, um Cloud Broker?

O conceito de broker é semelhante ao do mercado financeiro. Desta forma, uma pessoa física contrata um Broker (corretor de valores do mercado financeiro, como bancos ou operadoras) e sua intenção é maximizar os ganhos. O seu corretor de valores conhece todos os ativos disponíveis (Provedores e Micro serviços), bem como sua expectativa. Buscando ativos mais efetivos, ele vai operar trazendo ganhos tangíveis, efetivos e mais rápidos. Com essa prática, o mercado de TI está sendo transformado pelo Broker. Essa transformação, que tem o objetivo de equiparar o Brasil em compasso com no Mercado Mundial de Tecnologia, é inevitável.

Como ela se encaixa no atual modelo de distribuição brasileiro?

Os brokers vão se tornar grandes intermediadores, ajudando as empresas na tomada de decisões e no gerenciamento desses ambientes. Com uma atuação mais estratégica, de maior valor agregado, o CIO precisa equilibrar os investimentos em crescimento e inovação, com os custos de manutenção dos serviços de TI para manter a operação rodando. É preciso reduzir custos, melhorar a eficiência e, ao mesmo tempo, pensar adiante nos investimentos que farão a organização crescer e nas inovações necessárias para a sustentabilidade do negócio no futuro.

Na sua opinião, qual é a maturidade do mercado brasileiro para a oferta de broker no mercado de cloud?

No Brasil, a oferta de Broker é praticamente nova. Apesar da Brcloud Services ter sido fundada em 2015, nós já realizávamos pesquisas em tendências de utilização de tecnologia em Cloud desde 2009.  Com o cloud, a maturidade do Brasil avança rápido, pois temos grandes talentos na gestão pública e privada. Agora é a hora de Broker Cloud Services. Todos necessitam de redução de custos, alta eficiência e de um parque tecnológico atualizado e dinâmico. Não dá para fazer isto sem a orientação de um CSP (Cloud Broker Provider) capacitado.

Como está hoje o mercado brasileiro frente o mercado norte-americano?

Atrasado. Ainda se discute por aqui sobre hospedar os dados fora do país ou não, como manter o sigilo e a segurança da Informação. Participamos ativamente dessa discussão e, em alguns momentos, percebíamos que o gestor de TI tinha receio de perder o poder. No fim prevaleceu o bom senso e o desejo de retomar o desenvolvimento foi maior. Os acertos espetaculares que ocorrem com empresas norte-americanas que optaram por migrar para ambiente de Cloud usando um Broker também convenceu os gestores brasileiros. O rumo dessa jornada no Brasil ainda tímido, mas certamente a tendência é uma rápida mudança. Penso que, em breve, estaremos a poucos passos atrás do mercado norte-americano.

Para onde caminha essa oferta?

De acordo com Sundar Pichai, CEO do Google, “no futuro, praticamente tudo será feito na nuvem, porque, além de mais simples, será mais eficiente”. A migração dos dados para a nuvem dinamiza os processos, usando as ferramentas e sistemas mais inovadores para alcançar maior eficiência. Mas essas inovações só valem se trouxerem resultados reais para as empresas. Na nuvem é possível obter ganhos significativos em desempenho nos processos operacionais e administrativos-financeiros, mas isto só ocorre com um Cloud Broker Provider. Processos críticos de uma empresa como contabilização de compras, faturamento, financeiro, efetivação de lançamentos, títulos a receber, lançamentos contábeis e fiscais, entre outros, são realizados, em média, 400% mais rápidos. Em alguns casos, são 13 vezes mais rápidos. Ou seja, um ganho de altíssimo desempenho, já que o que podia levar horas passou a ser processado em segundos e, com a redução do impacto causado por falhas, a empresa consegue manter um nível de performance mais amplo continuamente.

O que deve mudar na iniciativa pública para fomentar esse mercado?

O governo já estuda formas mais efetivas para contratação Broker. Acredito que a prática irá levar ao refino. Nossas leis aquisitivas são boas e claras, o problema é que a exigência de tantos passos desnecessários até chegar ao certame licitatório faz com que a dinâmica evolutiva a ser adquirida se torne obsoleta em função da capacidade do mercado em produzir alta oferta digital.

Quais os principais desafios locais?

Montar um processo aquisitivo rápido (ETP, TR e Edital) que realmente seja um retrato da necessidade e possa estar ajustado a uma efetiva transformação digital. Permitindo que apenas empresas que tenham expertise no trato de informações como Broker possam participar dos certames dos editais.

Como vc vê o Brasil nesse cenário daqui a alguns anos?

Daqui a poucos anos, vejo o Brasil sendo um dos maiores consumidores de tecnologia em Nuvem, desocupando espaços antes ocupados por mainfraime. Também acredito que o poder público estará avançado para a oferta de serviços inovadores aos cidadãos, com a integração de dados. Acredito que o país entrará em uma fase de eficiência com o final dos grandes gastos de aquisição de licenças de softwares para computadores. No ambiente de nuvem tudo é muito atualizado e muito mais barato. Empresas de software que antes faziam contratos milionários em vendas de produtos de licenças de uso vão precisar se reinventar já que a previsão é de existir uma grande oferta no ambiente marketplace da nuvem a um custo extremamente mais barato.

Possuem parceria para fomentar tecnologias disruptivas, como IoT (smart cities) com a Huawei? E como funciona?

Estamos trabalhando em projetos em Brasília visando a melhoria da qualidade de vida do cidadão. É um privilégio trabalhar com Huawei. Impressionante como a cultura asiática é focada em resultados, em fazer o que é diferente em buscar uma melhoria na qualidade de vida. Algo muito moderno, sendo como premissa garantir investimentos. Quando iniciamos projetos de transformação digital, pensamos fortemente no bem estar do cidadão. O nosso lema é “Preparem-se para criar algo incrível” e todos se motivam de maneira revigorante e jovial. É contagiante essa energia.  A Huawei tem muitas ofertas já em uso na Ásia e que se adaptam perfeitamente por aqui.

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