Mercado

Produção de bens de informática e eletrônicos cai 14,8% em 2016

Em dezembro, porém, setor foi um dos setores que apresentou resultado positivo, com crescimento de 15,2%

A produção industrial brasileira fechou o ano passado com queda de 6,6%, a terceira taxa anual negativa consecutiva. Em 2015, a produção da indústria havia recuado 8,3% frente a 2014 que, por sua vez, já havia fechado o ano com produção negativa de 3%.

Alguns segmentos industriais tiveram quedas bem mais acentuadas, entre eles a fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, que caiu 14,8%. No entanto, de novembro para dezembro o setor teve contribuição positiva, com crescimento de 15,2%.

Apesar dos sucessivos resultados negativos nas taxas anuais, em dezembro de 2016 a produção industrial nacional cresceu 2,3% em relação ao mês anterior. O resultado de dezembro é a segunda taxa positiva consecutiva, acumulando nos dois últimos meses de 2016 expansão de 2,6%.

Perspectivas

Segundo mapeou a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), para 2017, as empresas do setor eletroeletrônico projetam crescimento nominal de 1% no faturamento em relação a 2016. A projeção é compatível com a nova estimativa do PIB prevista para o próximo ano, de cerca de 1%. Os investimentos da indústria eletroeletrônica devem voltar a apresentar ligeiro crescimento (2%), atingindo aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

Em sondagem, a associação identificou que 51% das empresas do setor esperam a retomada dos negócios a partir do 2º trimestre deste ano. Ainda segundo o levantamento, 9% das empresas acreditam que a retomada aconteça já no 1º trimestre, 19% a partir do 2º semestre, 19% apenas em 2018 e 2% das empresas não esperam retomada da atividade nos próximos dois anos.

Para 2017, 67% das empresas projetam crescimento, 26% estabilidade e 7% queda nos negócios. A Abinee estima crescimento nominal de 1% no faturamento do setor eletroeletrônico na comparação com 2016.

Cenário desfavorável

O aumento identificado em dezembro pela sondagem do IBGE, no entanto, não foi suficiente para reverter o resultado final de 2016 nem para melhorar as expectativas para 2017, por causa da manutenção do cenário econômico ainda desfavorável. “Quando se observam os fatores que levaram à queda da produção em 2016, percebe-se que os mesmos ainda permanecem presentes na economia”, disse o gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, (IBGE), André Macedo, ao comentar os dados. Entre esses fatores, segundo ele, estão a queda da renda real, a retração do mercado doméstico e do mercado de trabalho.

“Então, mesmo com a recuperação de dezembro, ainda está longe de se poder afirmar que esteja havendo uma reversão de tendência. Claro que houve uma melhora de ritmo na produção industrial nestes dois últimos meses do ano, mas, ainda assim, longe de recuperar as perdas do passado ou o começo de uma trajetória ascendente da produção”, acrescentou Macedo.

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