A rotina de trabalho do CISO inclui ser questionado pelo Board se está preparado para enfrentar uma ameaça que não existia três meses atrás. Isso é um resultado direto da era dos ataques baseados em IA. Neste momento, a nova frente de batalha é o uso de Frontier AI Models por cibercriminosos para, com extrema rapidez, desenvolver ataques com alto grau de eficácia. É mais uma situação em que algo bom e lícito – o tremendo avanço trazido pela geração mais recente de Frontier AI Models – torna-se um instrumento para o mal.
O Frontier AI Model destaca-se pela escala e computação massivas. São desenvolvidos por laboratórios de IA de ponta, utilizando quantidades sem precedentes de poder computacional. Por serem tão massivos, desenvolvem espontaneamente habilidades complexas para as quais não foram programados. E, ao contrário da IA tradicional, voltada para uma única tarefa, os modelos de ponta agem mais como colegas de trabalho digitais, interagindo com softwares externos, APIs e bancos de Dados para concluir fluxos de trabalho complexos por conta própria (IA Agêntica).
GPT-4, GPT-5, Gemini e Claude
Frontier AI Models como o GPT-4/GPT-5, o Gemini e o Claude estão sendo utilizados pelos ofensores para automatizar, ampliar e acelerar ataques. Isso permite que os invasores executem sequências de ataque de forma mais rápida e econômica. De acordo com um estudo do Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido de maio deste ano, os Frontier AI Models mais avançados podem concluir de forma autônoma quase seis vezes mais etapas de ataque do que podiam há 18 meses. Uma pesquisa da organização sem fins lucrativos Rand mostra que, com os Frontier AI Models, um novato em tecnologia conclui desafios de Segurança cibernética 2,2 vezes mais rápido.
Por trás dos Frontier AI Models há uma infraestrutura digital e uma força de trabalho de peso, que manipulam modelos maiores de IA com mais dados para o treinamento de aplicações em múltiplos formatos. Os Frontier AI Models mais sofisticados processam imagens, áudio, vídeo e código. Isso aumenta sua complexidade e custo. De acordo com um estudo da Local AI Master de 2025, usuários pagantes de Frontier AI Models podem gastar até centenas de milhões de dólares em modelos massivos.
Um outro tipo de usuário – os criminosos digitais – não pagam para consumir Frontier AI Models. Agentes mal-intencionados contornam as barreiras de segurança dos Frontier AI Models para automatizar a geração de malware, elaborar campanhas de phishing personalizadas, gerar mídia deepfake para fraudes e criar materiais ilícitos. O uso ilegal de Frontier AI Models proporciona aos ofensores uma ferramenta incrivelmente poderosa para descobrir rapidamente vulnerabilidades e explorá-las com agilidade.
Organizações levam em média 20 dias para implementar uma correção
É este novo quadro de ameaças que os CISOs brasileiros precisam enfrentar. Torna-se mais estratégico do que nunca implementar, em ritmo ultra acelerado, as correções e patches que farão frente às ameaças baseadas em Frontier AI Models.
Na era da IA e mais ainda, na era dos Frontier AI Models, identificar e corrigir vulnerabilidades mais rapidamente não serve para nada se as correções não puderem ser aplicadas com a máxima agilidade. Uma organização típica leva 20 dias para implantar um patch. Atualmente, os invasores transformam vulnerabilidades em armas em questão de horas, muitas vezes antes mesmo de elas serem divulgadas publicamente. A correção, portanto, tem de ser implementada em minutos, de forma totalmente automatizada.
Há estratégias que podem ajudar o CISO a vencer esse desafio:
Compreender que a velocidade com que se implementa uma correção agora faz parte da postura de Segurança da organização, não é mais algo separado dela. Para que a resposta rápida seja possível, é essencial contar com fluxos de trabalho que ofereçam ao time do CISO visibilidade de todo o ambiente. Na prática, isso significa uma visão a partir de uma única interface sobre quais dispositivos estão atualizados, quais estão expostos e quais exigem ação. Inclusive em ambientes multinuvem.
Estudar o papel dos Serviços Profissionais na aceleração de ações de correção de vulnerabilidades. São times certificados e em constante processo de renovação de conhecimento em ameaças baseadas em IA e Frontier AI Models. Esses profissionais projetam um fluxo de trabalho automatizado e de baixo risco (sem impactar o negócio) para a realização das atualizações na empresa usuária.
Aprofundar o uso da visão Red Team na gestão de vulnerabilidades. Isso permite que o CISO identifique possíveis exploits em suas aplicações antes que um adversário o faça. A partir da simulação de ataques, é possível validar se os controles realmente funcionam contra violações baseados em Frontier AI Models.
Foi-se o tempo em que a implementação de correções era algo de menor importância.
Vencerá a guerra contra a IA do mal quem tratar a atualização constante de seus ambientes digitais como uma disciplina central de Segurança. Isso exige Automação e visibilidade. Num mundo onde o cenário de ameaças continua evoluindo, ganhando musculatura e precisão com o uso criminoso de Frontier AI Models, é fundamental que a cybersecurity também evolua. E empregue os mais avançados modelos de IA a favor da economia digital do nosso País.
Por Eduardo Diuana Neto, executivo de Contas Corporativas da F5.






















