
O Brasil forma cerca de 53 mil profissionais de TI por ano. O mercado, no entanto, precisa de 159 mil novos técnicos anualmente para sustentar seu próprio ritmo de crescimento. A conta não fecha: segundo a Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), esse descompasso já gerou um déficit acumulado de 532 mil vagas não preenchidas entre 2021 e 2025. Para empresas cada vez mais dependentes de tecnologia para operar, a escassez deixou de ser um problema pontual de recrutamento e passou a ser uma questão de estratégia: como garantir acesso a especialistas quando eles, na prática, não existem em número suficiente no mercado?
Para uma parcela crescente das organizações brasileiras, a resposta passa pela terceirização de mão de obra especializada, o chamado outsourcing de TI, modelo pelo qual profissionais altamente qualificados atuam dentro da rotina da empresa contratante, mas são recrutados, geridos e mantidos atualizados por um parceiro especializado.
“Não estamos falando de terceirizar tarefas simples. Estamos falando de colocar, dentro da operação do cliente, especialistas que dificilmente ele conseguiria contratar sozinho, porque o mercado está disputando essas mesmas pessoas há anos”, explica Fernanda Brunorio, head de Outsourcing da Globalsys, empresa especialista em contratação especializada para a área de tecnologia e inovação.
O movimento acompanha uma tendência global. Segundo o Gartner, o mercado de outsourcing de TI cresce mais de 6,7% ao ano, e 70% das empresas ao redor do mundo já planejam ampliar os investimentos em terceirização de serviços tecnológicos. Entre as companhias listadas no ranking Forbes G2000, 92% recorrem a esse modelo como parte da própria estratégia de operação, segundo dados do setor.
No Brasil, a Tecnologia da Informação já responde por cerca de 6,5% do PIB, de acordo com a Brasscom, e o mercado nacional de TI atingiu US$ 67,8 bilhões em 2025, crescimento de 18,5% sobre o ano anterior, acima da média mundial, conforme estudo da Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software) em parceria com a IDC. Para 2026, a expectativa é de uma expansão mais moderada, mas com um dado que chama atenção: entre as prioridades declaradas pelas lideranças de TI para o próximo ano estão justamente terceirização, serviços gerenciados e computação em Nuvem.
Na Globalsys, a lógica do outsourcing é aplicada com um filtro adicional: o de captar, no mercado, profissionais com histórico técnico comprovado em áreas específicas, e não mão de obra genérica.
“A Globalsys não terceiriza vagas genéricas. Nós captamos, no mercado, os profissionais que já têm histórico comprovado em tecnologias específicas: bancos de dados, integração de sistemas, segurança da informação, IA aplicada e os alocamos dentro da operação do cliente com a mesma exigência técnica que aplicamos aos nossos próprios projetos”, afirma Brunorio.
A executiva ainda explica que um dos principais diferenciais é o acesso a especialistas sem disputa direta pelo mercado. A empresa contratante deixa de competir sozinha por profissionais escassos e passa a contar com uma rede já mapeada e testada pelo parceiro de outsourcing.
Com o País formando profissionais em ritmo muito inferior ao da demanda do próprio mercado, a tendência apontada por especialistas é que o outsourcing de TI deixe de ser uma alternativa pontual e passe a compor, de forma definitiva, a estratégia de tecnologia das empresas brasileiras, dos bancos ao varejo, da indústria ao setor de serviços.
Serviço
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