
Os gargalos logísticos que travam a competitividade das empresas brasileiras não estão apenas nas estradas ruins ou nos portos congestionados. Uma parcela significativa do problema mora dentro dos próprios armazéns e centros de distribuição, seja no corredor mal dimensionado, na empilhadeira parada aguardando manutenção, no estoque posicionado no lugar errado ou no processo de separação de pedidos que desperdiça tempo e força de trabalho a cada ciclo de operação.
Os custos logísticos no Brasil atingiram R$ 1,96 trilhão em 2025, valor equivalente a 15,5% do Produto Interno Bruto nacional, segundo o estudo anual elaborado pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). Para efeito de comparação, esse percentual é significativamente superior ao observado nos Estados Unidos, que se situa em torno de 8% do PIB americano. A diferença, que não é só estrutural, também reflete décadas de subinvestimento na eficiência interna das operações.
A intralogística brasileira movimentou aproximadamente R$ 63 bilhões apenas em 2024, com crescimento de 15% em relação ao ano anterior, ao mesmo tempo em que o mercado de galpões logísticos registrou expansão de 39% no mesmo período. Mesmo com esse crescimento acelerado, muitas empresas ainda operam com layouts de armazém defasados, frotas de movimentação interna subdimensionadas e processos manuais que geram retrabalho sistemático.
De acordo com Humberto Mello, diretor da Tria Empilhadeiras, marca de equipamentos para manuseio e transporte de cargas e baterias de lítio, os pontos de ineficiência mais recorrentes dentro dos armazéns incluem o fluxo inadequado de mercadorias — quando os produtos percorrem distâncias desnecessárias entre o recebimento, a estocagem e o embarque —, a subutilização da verticalidade do espaço, a falta de padronização nos processos de picking e packing, e o uso inadequado ou insuficiente de equipamentos de movimentação.
Todos esses fatores se traduzem em horas improdutivas, junto a erros de separação, avarias e atrasos que comprometem o nível de serviço ao cliente.
“O armazém é onde a operação logística vira realidade. Quando o layout não favorece o fluxo, quando os equipamentos de movimentação não estão adequados ao tipo de carga ou ao volume operado, tudo o que foi planejado no papel se perde no chão de fábrica. A empilhadeira certa, bem dimensionada e com operador treinado, pode ser a diferença entre um CD eficiente e um gargalo que contamina toda a cadeia”, afirma Humberto.
As despesas com estoques passaram de 3% para 5% do PIB desde 2014, reforçando o peso do capital imobilizado nas operações, agravado pela taxa de juros elevada que aumenta o custo desse capital. Esse cenário torna ainda mais urgente a revisão dos processos internos de armazenagem, onde manter mercadoria parada no lugar errado, sem giro adequado, tem um custo financeiro concreto que vai além do operacional.
“As soluções passam por um diagnóstico honesto da operação atual, com mapeamento de fluxo, análise de ociosidade de equipamentos, revisão de layout, treinamento de equipes e adoção gradual de tecnologias, bem como empilhadeiras elétricas que potencializam as operações”, destaca Mello.
Pesquisa realizada pela Infor com empresas brasileiras aponta que 81% dos distribuidores esperam crescimento de até 20% na produtividade nos próximos cinco anos com o uso de tecnologia, e 78% pretendem ampliar os aportes nessa área no mesmo período.
“Empresas que enxergam o armazém como centro de custo inevitável perdem a chance de transformá-lo em vantagem competitiva. Com as ferramentas certas, o mesmo espaço pode produzir muito mais, com menos esforço, menos erros e mais Segurança para as equipes. Essa é a virada que o mercado brasileiro precisa fazer agora”, conclui o porta-voz da Tria Empilhadeiras.

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