
O Brasil tem hoje 11,8 mil provedores de internet em atividade, segundo levantamento do NIC.br divulgado em dezembro de 2025; um mercado considerado competitivo, diversificado e em expansão. Mas a pesquisa também revela que boa parte dessas empresas ainda não tem estrutura interna para sustentar o crescimento que elas mesmas estão gerando.
A fibra óptica já responde por 79% dos 53,9 milhões de acessos de banda larga fixa no País, segundo a Anatel. No entanto, apenas 42% (TIC Provedores 2024, NIC.br) dos provedores contam com um setor dedicado à proteção de Dados e Segurança. Este é um indicativo de fragilidade que tende a se tornar um problema à medida que as exigências regulatórias ficam mais rígidas.
“Ou seja: a tecnologia avança, mas gestão nem sempre”, afirma José Miguel, gerente de pré-vendas da Unentel, distribuidora de soluções tecnológicas para o mercado B2B. “Muitos provedores crescem tecnicamente, oferecem serviços diferenciados, mas ainda enfrentam problemas que não são tecnológicos. Licenças desatualizadas, falta de monitoramento contínuo e processos internos frágeis limitam a expansão e expõem a empresa a riscos desnecessários”, continua.
O perfil do setor ajuda a entender o desafio: a maioria das empresas é de pequeno ou médio porte, e 41% (TIC Provedores 2024, NIC.br) atuam em um único município, com escala limitada e estrutura enxuta.
Na prática, licenças e documentação fora do prazo podem gerar restrições operacionais e penalidades regulatórias. A ausência de monitoramento contínuo reduz a previsibilidade das operações, algo que clientes corporativos exigem cada vez mais dos provedores.
A boa notícia é que a maioria desses gargalos não exige grandes investimentos para ser resolvida. Para José Miguel, o caminho passa por disciplina de gestão: auditorias internas periódicas para mapear conformidade, revisão regular de licenças, implantação de sistemas de monitoramento em tempo real e capacitação das equipes para lidar com exigências regulatórias.
Governança Digital estruturada também abre portas comerciais. Provedores com processos claros de Compliance e continuidade conseguem atender empresas que exigem garantias robustas de Segurança.
“São ações que dão segurança operacional e permitem crescimento consistente. É um círculo virtuoso: quem se organiza internamente acessa clientes melhores, o que financia uma organização ainda maior”, conclui José Miguel.

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