A rápida digitalização no ambiente corporativo e o aumento da demanda por capacidade computacional e armazenamento de Dados estão impulsionando o mercado brasileiro de Computação em Nuvem, que registrou um faturamento de R$ 2,1 bilhões em 2024, segundo Dados da AbraCloud, o que também reflete nas atividades de fusões e aquisições (M&A) no segmento.
De acordo com um levantamento da Redirection International, especializada em assessoria de M&A, nos últimos anos pelo menos sete transações de fusões e aquisições envolvendo provedores de Cloud brasileiros foram anunciadas ao mercado. Uma das mais recentes foi a aquisição de 60% da Escala 24×7 – principal parceira da AWS na América Latina – pela Stefanini, anunciada em abril de 2025.
O levantamento aponta que embora o mercado brasileiro de Computação em Nuvem ainda seja amplamente dominado por players globais, que concentram a maior parte da capacidade de IaaS e PaaS, os provedores nacionais estão conquistando mercado de forma consistente, principalmente devido aos crescentes investimentos em Data Centers e projetos de Inteligência Artificial (IA) e Analytics.
“O mercado brasileiro de infraestrutura de Cloud atravessa uma fase de amadurecimento acelerado, principalmente nos últimos dois anos. Apesar de os hyperscalers internacionais – como AWS, Microsfot Azure e Google Cloud – ainda concentrarem um grande volume de Dados processados no País, observamos um avanço constante dos provedores nacionais, especialmente em ofertas de Nuvem híbrida, serviços gerenciados e processamento distribuído”, explica João Victor Pereira, analista da Redirection International.
Dentre os fatores que aceleram os gastos com Cloud e Data Centers no Brasil está a adoção da IA e de ferramentas de Machine Learning, que aumentam a demanda por instâncias de alta performance, GPUs e armazenamento rápido. Setores regulados como bancos, fintechs, varejo e saúde são os mais ativos nas aplicações e pipeline de Dados para Nuvem ou para sistemas híbridos, que combinam nuvens públicas internacionais com provedores nacionais. Outro fator que impulsiona o segmento no País é o arcabouço legislativo de Segurança da Informação, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e iniciativas do governo digital que orientam investimentos em Cloud com requisitos locais de Dados.
O economista e sócio da Redirection International, Gabriel Loest Cardoso, destaca que para garantir a qualidade dos serviços, expandindo a capacidade para atender à demanda regional, provedores internacionais compram ou financiam operadores brasileiras para garantir maior conectividade e menor latência, reduzindo também as barreiras regulatórias. “No campo de M&A, o setor permanece seletivo, mas estratégico: as transações recentes revelam uma movimentação clara de consolidação e de entrada de investidores interessados em suportar a demanda crescente por Data Centers de alta capacidade”, ressalta Cardoso.
A expectativa, segundo o levantamento é que para os próximos anos, a combinação entre a expansão do 5G e da IA Generativa com os requisitos mais rígidos de soberania e Governança de Dados atraia novos investimentos, mas também oportunidades adicionais de aquisição e integração. Neste cenário, a tendência é que o Brasil se posicione como um hub regional de infraestrutura digital, com espaço relevante para crescimento orgânico e inorgânico (a partir de fusões e aquisições).

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