
Outubro marca o Mês da Conscientização em Cibersegurança, e o alerta é claro: os ataques cibernéticos estão se tornando mais frequentes, sofisticados e acessíveis. No Brasil, setores digitais em expansão — como iGaming, finanças e e-commerce — já sentem o impacto de uma nova geração de ameaças potencializadas por inteligência artificial (IA).
Relatórios recentes de segurança apontam aumento expressivo nas tentativas de invasão. A Cloudflare, plataforma de segurança para sites, registrou picos inéditos de tráfego malicioso em 2025, enquanto o Eset Threat Report, estudo sobre ameaças cibernéticas da empresa Eset, identificou que o número de infostealers mais do que dobrou em relação ao segundo semestre de 2024, alcançando quase 20% de todas as detecções.
Pesquisas globais também revelam que ataques cibernéticos com uso de IA cresceram 47% neste ano, ampliando perdas bilionárias em todo o mundo. No Brasil, o reflexo é direto: aumento de invasões de contas, phishing em português e abusos automatizados em sistemas de pagamento como o Pix — que agora conta com o novo “botão de contestação” do Banco Central para congelar e investigar transações suspeitas.
Segurança Digital como vantagem competitiva
A Softswiss, fornecedora global de software para iGaming e referência em Segurança Digital no setor, destaca que a cibersegurança se tornou a pilar estratégico para empresas que buscam crescimento sustentável e confiança dos usuários.
“No iGaming, segurança não é apenas proteção — é motor de confiança e continuidade”, afirma Evgeny Zaretskov, diretor de Segurança da Informação (CISO) do grupo. “As empresas que antecipam riscos, respondem com agilidade e mantêm transparência diante dos incidentes são as que ganham vantagem competitiva no longo prazo.”
O relatório iGaming Trends Report 2025, elaborado pela Softswiss, identificou a Cibersegurança como uma das 15 principais tendências globais que moldam o futuro dos jogos online — e uma das poucas consideradas vitais para a sobrevivência dos operadores.
No Brasil, o novo regime de autorização conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda elevou o padrão de governança e de responsabilidade digital. Operadores licenciados precisam demonstrar práticas sólidas de segurança e resposta a incidentes — sem transformar o tema em mera exigência regulatória, mas em diferencial competitivo.
Modelo 24/7 de resiliência
A Softswiss estruturou um Centro de Operações de Segurança (SOC) em funcionamento contínuo, responsável por monitorar ameaças e responder a incidentes em tempo real. A operação cobre múltiplos produtos — incluindo o Game Aggregator, Sportsbook e Casino Platform — já certificados no Brasil, garantindo que controles e monitoramento de segurança se estendam de forma integrada aos operadores locais.
Com base em ferramentas abertas e processos automatizados, o SOC foi desenhado para ser escalável, eficiente e autossuficiente. Para a América Latina, os protocolos priorizam proteção contra DDoS, gerenciamento de bots, monitoramento de vazamentos de credenciais e análise de abusos em pagamentos e bônus.
“A automação permite filtrar falsos positivos e priorizar incidentes críticos, garantindo respostas rápidas e coordenadas”, explica Zaretskov. “Nosso modelo inclui equipes multifuncionais de resposta, integrando segurança, fraudes, pagamentos e comunicação — tudo para proteger a operação e o jogador.”
O que o Brasil pode aprender com o iGaming
Entre janeiro e maio de 2025, a Receita Federal arrecadou cerca de R$ 3 bilhões em tributos ligados ao iGaming, evidenciando a força do setor na economia digital. Ao mesmo tempo, o avanço das regulamentações de apostas, fintechs e plataformas digitais aumenta tanto as oportunidades quanto os riscos de ciberataques.
Para o mercado brasileiro, as principais lições do iGaming incluem:
Tratar Cibersegurança como investimento estratégico, com auditorias independentes, relatórios contínuos e planos testados de resposta a incidentes.
Adotar defesas automatizadas e operações 24/7, fundamentais para setores de alto volume de transações.
Integrar segurança, pagamentos e prevenção à fraude para conter riscos rapidamente.
Proteger a confiança do usuário, com comunicações transparentes, autenticação forte e respostas ágeis a incidentes.
“A confiança é o ativo mais valioso da economia digital — e pode desaparecer em minutos após uma violação”, ressalta Zaretskov. “Empresas resilientes são aquelas que conseguem proteger não apenas seus sistemas, mas a credibilidade da marca.”
A nova fronteira: ameaças movidas por IA
Com o avanço da IA, criminosos têm ampliado o alcance de suas ações — de campanhas de phishing automatizadas a ferramentas de invasão baseadas em modelos de linguagem. Para acompanhar essa velocidade, especialistas recomendam defesas também orientadas por IA, com análise comportamental em tempo real, autenticação adaptativa e automação de resposta.
“Defender-se de ataques impulsionados por IA exige combinar tecnologia aberta, automação e expertise humana em múltiplas camadas”, reforça o executivo da Softswiss.
A mensagem do Mês da Conscientização em Cibersegurança é clara: no novo ecossistema digital brasileiro, segurança é sinônimo de confiança — e confiança é o que sustenta o crescimento.

Leia nesta edição:

CAPA - TECNOLOGIA
Arquitetura neuromórfica, a plataforma inspirada no cérebro humano

MERCADO
O bom negócio da locação de equipamentos de TI

SEGURANÇA DIGITAL
Dilemas e oportunidades de blockchain para identidade
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