
No fim do ano passado, as previsões para o mercado global de tecnologia em 2025 eram animadoras. Se dizia que o mercado iria nadar de braçada por alguns motivos: o fim do suporte ao SAP ECC (on-premisses) em 2027 e a necessidade de migração do ERP para a Nuvem; o fim do suporte ao Windows 10 em outubro, que exigiria uma renovação do parque de PCs; e a ascensão dos agentes de IA. Mas o ano começou com uma forte oscilação do dólar e as empresas não sabiam se era o momento de investir. Em abril veio o tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, e a ameaça de uma recessão. Até hoje, as empresas estão receosas em investir. Mas mesmo diante deste cenário, o Grupo Teltec conseguiu crescer no primeiro semestre. Nesta entrevista, o CEO Diego Brites conta como a empresa catarinense vem se posicionando no mercado.
O que justifica o crescimento da empresa diante de um cenário tão desafiador?
A Teltec tem 34 anos de existência. Os últimos cinco anos foram de crescimento da empresa, em que a pandemia de Covid-19 ajudou a acelerar, principalmente em Cloud. Nos preparamos bastante nesse período. Gosto de dizer aos colaboradores de que é melhor estar preparado e não ter oportunidade, do que ter a oportunidade e não estar preparado. Estávamos preparados quando as oportunidades apareceram. Recentemente, fizemos uma reorganização na empresa, somos agora Grupo Teltec com duas unidades de negócios: a Teltec Data, que cuida exclusivamente de Nuvem, e a Teltec Solutions, que atua em infraestrutura e cibersegurança. Atuamos em segmentos de muito crescimento, que é cibersegurança e Cloud. Estamos muito bem posicionados e sempre procuramos diversificar a nossa carteira de clientes. Hoje, atendemos mais de 1 mil clientes de diversos setores. Essa diversificação tem sido importante, pois sempre há segmentos que estão melhores ou piores. Temos visto que o varejo não passa um bom momento, assim como agronegócio, que está muito endividado, e também telecomunicações. Hoje, a gente já tem uma musculatura grande, não somos mais uma revenda e integrador pequeno, que não consegue acompanhar o ritmo crescimento e as demandas dos clientes.

Quais foram os resultados dessas duas unidades de negócios no primeiro semestre?
A Teltec Data, unidade focada exclusivamente em Nuvem, movimentou R$ 98 milhões no primeiro semestre deste ano, com crescimento de 40% em relação ao mesmo período de 2024. Já a Teltec Solutions, responsável pela operação core de infraestrutura e segurança, cresceu 19% no primeiro semestre, impulsionada por resultados sólidos com fabricantes e pela rápida evolução da divisão de Serviços Gerenciados, incluindo o SOC (Security Operations Center). Atualmente, 30% do nosso faturamento é de receita recorrente. Se fizermos um trabalho bem-feito, o que temos feito, a tendência é só crescer, porque o cliente busca um parceiro que o ajude em sua jornada de Transformação Digital para que ele foque somente nos negócios. Quando a gente faz essa gestão, por exemplo, da Nuvem e da segurança, é um investimento que não para, ele não retrocede. Cada vez mais os nossos clientes aumentam o consumo de Nuvem e o tíquete dos projetos de cibersegurança. Focamos naquilo que os clientes necessitam e os ajudamos a criar novas receitas com as inovações de que a Nuvem traz.
Quais foram as novidades em cibersegurança neste período?
Segurança cibernética é um segmento que cresce constantemente, mesmo com o mercado em crise, ainda mais com os últimos acontecimentos de ataques envolvendo instituições financeiras ligadas ao Banco Central. O destaque nesta área foi a nossa parceria com a CrowdStrike, que ajudou a puxar o nosso crescimento – crescemos 57% no período com eles. Queremos cada vez mais crescer com os serviços, pois é aí que o cliente enxergar mais valor. O grande destaque é a área de Serviços Gerenciados SOC/MSS (Managed Security Services), que mais que dobrou a receita em relação ao mesmo período de 2024. O SOC representa um pilar estratégico dentro da oferta mais ampla de MSS, permitindo que os clientes se concentrem em seus negócios principais, enquanto a Teltec Solutions monitora e protege seus ativos digitais 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Como a Teltec tem aproveitado a onda da IA?
Quando se fala em Inteligência Artificial, o que importa é o resultado. O cliente quer resultado, se vai aumentar a sua receita, se vai diminuir a despesa, se vai aumentar a produtividade. Então, é isso que a gente tem feito. A Teltec se posiciona como um parceiro que vai levar solução ao cliente, não problemas. Temos um cliente da indústria que já economizou R$ 50 milhões na melhoria de processos utilizando Inteligência Artificial. A IA ajuda a melhorar processos e a tomar as melhores decisões no menor tempo. Neste caso, eles economizaram 300% na quantidade de materiais que eram perdidos. Fizemos as contas com o cliente e deu uma economia de R$ 50 milhões. Outro exemplo nosso foi na área de logística, com a Inteligência Artificial embarcada no processo do cliente. Conseguimos otimizar o uso dos caminhões de acordo com a localização, tipo de carga, tem até uma pegada de ESG legal nesse projeto, que está gerando uma economia de mais 30% em óleo diesel. Então, é isso que eu gosto de falar, de resultados. Senão, tem muito hype, muita fumaça no ar. Antes de falar em IA, você precisa primeiro ter um caminho percorrido. Migrar os ambientes para Nuvem é um deles, otimizar o ambiente da Nuvem também é extremamente importante, modernizar as aplicações do cliente. Então, a gente ajuda o cliente em toda essa jornada e, claro, quando eu falo que eu tenho on-premise e Nuvem, eu tenho a cola de tudo isso, que é a cibersegurança. Então, quando a gente fala de cibersegurança, a gente fala de um conceito mais holístico. A gente fala de segurança no on-premise, na Nuvem e cada vez mais com camadas de serviços próprios da Teltec. Isso também tem crescido em uma velocidade bastante grande.
Como o Grupo Teltec tem lidado com a escassez de mão de obra especializada?
A falta de mão de obra especializada no setor de tecnologia é um problema global. Santa Catarina, que é um estado menor do que São Paulo, tem uma demanda de 98 mil profissionais nos próximos três anos. Aqui no Estado, temos a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), da qual sou o presidente. Temos feito diversas parcerias com universidades, prefeituras, Senai e também com grandes players de tecnologia. Já capacitamos mais de 50 mil jovens, mas ainda não é o suficiente, a demanda tem crescido muito rapidamente. Na Teltec, assim como em outras empresas, preferimos formar os nossos funcionários, contratamos ainda na universidade e investimos em capacitação. Há o risco de perdê-los para o mercado depois de treinados, mas muito acabam ficando na empresa. Prefiro assim, do que tentar tirar profissionais de outras empresas. Estive recentemente na China e lá eles formam mais de 4 milhões de engenheiros por ano, enquanto no Brasil estamos formando 100 mil. Obviamente, a conta não fecha.

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