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Promoção ou demissão? A IA decide

Ainda que a promessa da IA seja eficiência e agilidade, o estudo alerta para um paradoxo: o que é eficiente do ponto de vista operacional nem sempre é justo do ponto de vista humano

Promoção ou demissão? A IA decide

Cada vez mais, decisões críticas sobre a vida profissional de funcionários estão sendo deixadas nas mãos da Inteligência Artificial. De acordo com um levantamento da ResumeBuilder, mais da metade dos gestores nos Estados Unidos já utiliza IA para avaliar promoções, aumentos salariais e até demissões. Dos 1.342 líderes entrevistados, 65% disseram usar ferramentas de IA no trabalho — e, entre eles, 94% as utilizam para tomar decisões sobre seus subordinados diretos.

O Dado mais alarmante talvez seja o grau de autonomia concedido: 21% permitem que a IA tome decisões finais sem qualquer supervisão humana — 5% fazem isso sempre, e 16%, com frequência 

A pesquisa revela que a tecnologia deixou de ser apenas um apoio operacional e passou a participar ativamente das dinâmicas de gestão. Entre os que adotam essas ferramentas, 78% as utilizam para decidir aumentos, 77% para promoções e 66% para demissões. O Dado mais alarmante talvez seja o grau de autonomia concedido: 21% permitem que a IA tome decisões finais sem qualquer supervisão humana — 5% fazem isso sempre, e 16%, com frequência.

Para Andre Purri, CEO da Alymente, a digitalização dos processos seletivos está no centro da resposta ao desafio da escassez de talentos. “Empresas que investem em tecnologia para recrutar estão à frente não apenas em eficiência, mas também em diversidade e retenção. A disputa por profissionais qualificados exige inteligência e agilidade desde o primeiro contato com o candidato”, afirma.

Apesar dos riscos já conhecidos — como vieses nos Dados, decisões descontextualizadas e falta de empatia —, muitos gestores admitem que só intervêm “se discordarem” da máquina. Ainda assim, quase metade aceita os julgamentos da IA com pouca ou nenhuma contestação. O ChatGPT é a ferramenta mais usada (53%), seguido por Microsoft Copilot (29%) e Google Gemini (16%).

A adoção crescente da IA na gestão de pessoas também esbarra em outro ponto sensível: a falta de preparo. Apenas 32% dos líderes receberam algum tipo de treinamento formal sobre o uso ético da tecnologia. Outros 24% afirmaram não ter tido nenhuma orientação. Para Bruno Nunes, especialista em tech e CEO da Base39, a IA Generativa representa uma oportunidade única de transformação no ambiente de trabalho. “Com a implementação adequada e uma abordagem ética, as empresas podem não apenas aumentar sua produtividade, mas também promover um espaço onde a criatividade e a inovação prosperem. O futuro do trabalho está sendo moldado pela tecnologia, e é nosso papel garantir que esse futuro seja inclusivo e sustentável”, diz.

Ainda que a promessa da IA seja eficiência e agilidade, o estudo alerta para um paradoxo: o que é eficiente do ponto de vista operacional nem sempre é justo do ponto de vista humano. Isso fica evidente quando 46% dos gestores dizem já ter sido orientados a avaliar se suas equipes poderiam ser substituídas por IA — e 43% admitem que, sim, demitiram alguém por esse motivo. A automação avança, mas os riscos de uma gestão desumanizada seguem à espreita.

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