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Do operacional ao estratégico: tecnologia redefine o papel dos departamentos financeiros

Uma pesquisa da PWC sobre o futuro do setor financeiro fez um overview dos últimos 10 anos que me chamou a atenção por mostrar claramente para onde vamos: enquanto o tempo que os profissionais de finanças perdem em tarefas que podem ser automatizáveis caiu de 35% para 19%, o tempo gasto oferecendo insights valiosos e analíticos subiu de 27% para 33% na última década.

Isso me fez refletir o quanto que tudo o que pode facilitar e automatizar tarefas repetitivas nos permite liberar o verdadeiro potencial analítico da área financeira, deixando as equipes livres para agir e tomar decisões de valor dentro das empresas.

Ferramentas de Business Intelligence (BI), por exemplo, utilizadas com frequência na controladoria, transformaram a análise de dados em uma atividade dinâmica, visual e acessível. Podemos ser mais ágeis com o apoio de um sistema que nos auxilia e nos libera para as atividades mais importantes.

O impacto, portanto, não é só financeiro, é estratégico, comercial e operacional. Essa característica gera motivação para as equipes financeiras. Quando a tecnologia assume as tarefas repetitivas, liberamos as pessoas para pensar.

Neste cenário, o departamento financeiro deixa de ser um grupo de pessoas operacionais e passa a ser um núcleo de inteligência, desenvolvendo competências analíticas, melhora o entendimento do negócio e estimula a geração de novas ideias. É uma transformação não apenas de processos, mas de pessoas. A motivação cresce, o engajamento aumenta e o retorno é coletivo.

O tempo de resposta e a qualidade da informação entregue pelos departamentos financeiros também foram sendo modificados ao longo dos anos e ganhando mais inteligência com o apoio da tecnologia. A integração entre sistemas é uma visivel revolução. O que antes era um fluxo fragmentado de dados, tornou-se um ecossistema conectado. A emissão de uma nota fiscal, por exemplo, não gera apenas o contas a receber e os impostos a pagar, ela pode também atualizar automaticamente o fluxo de caixa, gerar cálculos gerenciais, administrar o controle de vencidos, simular provisões para perdas e ajudar em projeções futuras.

A tecnologia também nos oferece a capacidade de visualizar margens por produto, por projeto e por cliente facilmente. Vejo nessa granularidade da informação uma oportunidade para negociações mais eficazes, detecção de custos ocultos, identificação de oportunidades de redução de despesas e ganho competitivo frente ao mercado. A tomada de decisão deixa de ser reativa e passa a ser proativa.

E, embora pareça algo já lugar comum e implementado em todas as empresas, ainda há um longo caminho a se percorrer. Uma pesquisa da Microsoft mostrou que 88% dos líderes financeiros têm o desafio de não ter ainda as ferramentas de automação necessárias para lidar com tarefas repetitivas do dia a dia.

O uso da tecnologia de automação, portanto, ainda é incipiente em muitas empresas, mas ele precisa acontecer. Com a adoção, processos rotineiros como, por exemplo, fechamentos mensais, que antes levavam semanas, hoje podem ser concluídos em dias, ou também é possível identificar, quase em tempo real, qualquer necessidade de ajuste nos cálculos.

Para mim, estes aspectos têm impacto direto nos resultados. Quanto mais rapidamente temos acesso a dados, mais ágil se torna faturar, corrigir distorções, evitar multas e perdas, e sobretudo, responder ao cliente com agilidade e clareza.

Portanto, quando me perguntam se vale a pena investir em tecnologia na área financeira, a resposta é simples: não é só sobre economia de tempo ou dinheiro. É sobre liberar o verdadeiro potencial da área para gerar valor, gerando inteligência de dados, competitividade e estratégias assertivas.

Este é o momento em que os líderes financeiros devem abraçar a transformação digital se ainda não o fizeram, consolidando-se como agentes estratégicos da digitalização do setor. Acredito que a tecnologia é, e continuará sendo, nosso melhor aliado para entregar resultados precisos, rápidos e, acima de tudo, com impacto direto no cliente, além de tornar nossas equipes muito mais motivadas e orientadas a dados.

Por Viviane Vieira, CFO Latam da Getronics

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