A demanda crescente por aplicações de Inteligência Artificial (IA) está trazendo novos desafios para as organizações. A promessa da IA não se limita a automações ou melhoria de processos, mas avança, especialmente a partir de agentes autônomos de IA generativa, capazes de tomar decisões e executar tarefas complexas sem intervenção do ser humano.
Para que as empresas aproveitem esse potencial, é necessário promover a integração de dados, de forma que os agentes autônomos de IA tenham uma visão unificada, acessando e processando informações de maneira fluida e eficiente. Isso permite decisões mais embasadas, suportadas por informação, o que leva a maior precisão na execução de tarefas e reações mais rápidas às demandas do mercado.
O relatório “Benchmark de Conectividade 2025”, plataforma MuleSoft, produzido pela Deloitte Digital em parceria com a plataforma MuleSoft, uma aliança global, contou com a participação de 1.050 líderes de TI no mundo todo. Deles, 95% afirmaram ter dificuldades em integrar informações e sistemas com eficácia, o que leva a desperdício de recursos e custos elevados com os processos existentes. Esse cenário se repete no Brasil, principalmente devido à complexidade de sistemas legados, mais antigos, que dificultam a incorporação de inovações, o que poderia ser equalizado pela adoção de integrações e automatizações.
Ainda segundo o estudo, 93% dos líderes de TI planejam introduzir agentes autônomos de IA generativa nos próximos dois anos nas empresas em que atuam, e quase metade já iniciou esse processo. No entanto, a falta de integração fluida entre os sistemas e a dificuldade em conectar aplicativos diversos podem comprometer resultados.
Ao todo, 66% dos entrevistados reportaram que as empresas nas quais atuam ainda não oferecem uma experiência integrada ao usuário por meio de seus diversos canais. Este dado reflete o problema de fragmentação das informações e dos sistemas, evidenciando que os silos de dados dificultam a criação de uma visão unificada da operação e do cliente.
Outro dado revelador é o número médio de aplicativos utilizados pelas empresas do universo da pesquisa: 897, com 45% dos entrevistados utilizando mais de 1000 aplicativos. A quantidade elevada de soluções desconectadas ressalta a complexidade. O relatório aponta ainda que a gestão eficiente das APIs e a construção de uma arquitetura de TI flexível são fundamentais para a transformação digital.
Com a chegada dos agentes autônomos de IA generativa, a capacidade de integrar esses sistemas será um diferencial competitivo. Empresas que conseguirem implementar uma infraestrutura de conectividade robusta e escalável estarão mais preparadas para inovar, reduzir custos operacionais e proporcionar uma experiência superior aos seus clientes. A IA, em sua evolução com os agentes autônomos, pode trazer maior independência organizacional, mas só será eficaz de fato se for suportada por uma infraestrutura interconectada.
É fundamental superar os silos de dados, com o desenvolvimento de um ecossistema integrado, em que todos os dados, aplicativos e sistemas fluem de maneira eficiente, potencializando a IA. Para isso, as organizações devem investir na capacitação de profissionais, na obtenção de certificações e treinamentos e no fortalecimento de parcerias com empresas especializadas na integração de dados e sistemas. Aquelas que conseguirem vencer o desafio da integração não apenas estarão mais preparadas para os próximos passos da digitalização, mas terão o potencial de liderar o mercado.
Por Emerson de Assis Vieira (foto), sócio na Deloitte Digital e Juliano Augusto Garcia Sena, gerente da Deloitte Digital.






















