Enquanto há certeza e consenso sobre o impacto definitivo da Inteligência Artificial no trabalho, na competitividade das empresas e na sociedade, ajustar as expectativas e inquietações se mostra um grande desafio neste momento.
Segundo o Panorama IA nas empresas brasileiras, divulgado na semana passada no Universo Totvs 2025, em mais da metade das companhias o uso de ferramentas de IA já faz parte do cotidiano. Todavia, 33% usam para tarefas acessórias (revisão de texto, apresentações etc.) e apenas 7% reportam Retorno de Investimento – ROI, efetivo, o que cai a 6,5% entre as pequenas e médias empresas.
Mesmo na fase mais incipiente, as mudanças trazidas e esperadas com a IA também causam inquietações na força de trabalho, quanto ao valor de suas habilidades e, em alguns casos, de sua própria empregabilidade.
Essas preocupações são globais e foram alguns dos temas destacados pelos palestrantes internacionais, trazidos ao Universo Totvs.
Evolução direcionada à simbiose entre IAs e humanos

Mais do que uma ferramenta, Redding classifica a IA como uma “nova espécie” contemporânea aos humanos. “A IA pode ser um parasita, como nas disputas por atenção o jogo das redes sociais, ou estabelecer uma relação de simbiose, em que ambas as espécies se beneficiam”, define.
A analogia biológica do palestrante não significa, obviamente, uma visão animista da tecnologia. O pesquisador defende que, em um processo consciente e escalonado, as empresas aprofundem e assumam o controle da inserção de IA em seu trabalho e em suas vidas.
Didaticamente, Redding enumera cinco estágios de maturidade. A fase inicial é a do “prompt”, em que a IA tem um papel passivo e eventual. Na etapa que chama de “participativa”, os recursos de IA são inseridos em modelos de prospecção de dados, análises e passam a ser integrados aos processos. “É interessante dar à IA capacidade de interagir com o mundo real”, menciona, se referindo, por exemplo, a extração de dados transacionais ou conexões de IoT.
Diferente da interação por prompt, em que o usuário aciona a IA quando ele mesmo percebe uma lacuna, na abordagem de “participação” são entregues outros itens relevantes para análise e outras funções proativas para impulsionar o resultado das interações.
Na terceira e na quarta fase, de “delegar” e “iniciar”, a IA ganha autonomia para desdobrar suas inferências em ações. “Há alguns anos, temos algoritmos que automatizam a entrega de conteúdo (em redes sociais ou sites de streaming), assim como os ERPs usam Aprendizado de Máquina”, constata.
No estágio da “simbiose”, teríamos as IAs executando funções em que se sai melhor (em precisão, produtividade ou ambos) e se integrando naturalmente aos contextos e à intervenção humana. “Teremos os sistemas de ERPs povoados por agentes de IA executando funções e interagindo com outros agentes e humanos”, disse ao público do evento da Totvs.
“O nosso trabalho é criar um modelo mental de participação e simbiose neste novo ecossistema de recursos”, resume.
Substitua-se, recomenda palestrante

Ela apresentou um exemplo concreto dessa transformação: anúncios de vagas para agentes de IA com salários entre US$ 10 mil e US$ 15 mil por ano, enquanto o mesmo cargo, ocupado por humanos, oferece salários de US$ 50 mil a US$ 70 mil. “Agentes de IA já começam a gerar impacto real nas oportunidades de início de carreira”, constata.
Entre os líderes que defendem o uso intensivo da tecnologia, Sharon citou Tobi Lütke, CEO da Shopify, que exige que os colaboradores incorporem a IA às rotinas de trabalho. Segundo ele, novos funcionários só devem ser contratados quando a equipe comprovar que as tarefas não podem ser realizadas por IAs. Micha Kaufman, CEO da plataforma Fiverr, também foi mencionado: em comunicado interno, ele afirmou que a IA terá impacto sobre todas as áreas da empresa, de programadores a advogados, e poderá substituir diversos postos de trabalho.
Sharon destacou ainda a velocidade das melhorias trazidas pela IA generativa. “Na China, transmissões ao vivo de vendas feitas por avatares e agentes de IA no TikTok já representam uma fatia expressiva do comércio”, exemplifica. Relatórios recentes reforçam o alerta: um estudo da McKinsey prevê que, até 2030, a IA pode automatizar 30% dos postos de trabalho nos Estados Unidos. Já a Goldman Sachs estima que 300 milhões de vagas poderão ser eliminadas no mundo todo.
“Se o seu trabalho é clicar, você pode perdê-lo”, diz a palestrante, enfatizando a necessidade urgente de adaptação. “Se você não estiver usando IA em 2025, é como participar de uma corrida de Ferraris dirigindo uma carroça”, compara.
Como estratégia de sobrevivência no mercado, Sharon Gai recomenda que os profissionais busquem, de forma proativa, oportunidades para automatizar suas próprias atividades. “Se você sempre tentar se substituir por IA, estará sempre um passo à frente”, aconselha.
Neste ano, cerca de 20 mil pessoas participaram do Universo Totvs. O evento contou com142 marcas parceiras, entre patrocinadores, clientes, parceiros de educação e de mídia.
créditos das fotos: divulgação

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