
No caderno, ficavam os pedidos. Na cabeça, a conta mental do fiado. Foi assim por muito tempo para milhares de microempreendedores no Brasil. Mas, cada vez mais, a tecnologia tem entrado na rotina desses negócios, como uma necessidade urgente de organização e crescimento. Hoje, o celular se transformou no novo “caderno de controle”, só que muito mais tecnológico, com gráficos, alertas e até catálogo virtual.
A pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae em parceria com o IBGE revelou que 76% dos MEIs já vêm utilizando ferramentas digitais para tocar seus negócios, o maior índice desde o início da série histórica. Isso inclui o uso de apps, redes sociais e serviços de mensagens para vendas e gestão.
Uma dessas ferramentas é o aplicativo de gestão Jarbas criado para MEIs e pequenos negócios. “Eu estava perdendo vendas porque, às vezes, não estava com o caderno. Com o Jarbas, anoto na hora, de onde estiver”, conta a empreendedora Clícia Esteves, proprietária de uma marca de pimentas e conservas, que passou a utilizar o aplicativo criado para MEIs e pequenos negócios. Clícia destaca que a ferramenta é muito simples de usar e tem feito a diferença em seu negócio. “Tenho o app logado no celular do meu marido também. Se estou sem bateria ou sem o meu aparelho, consigo lançar os pedidos por lá. É tudo muito organizado. Super recomendo!”
A Wevy, empresa de tecnologia em Nuvem do qual o Jarbas faz parte, realizou recentemente uma pesquisa com os usuários do app, visando a sua melhoria contínua. O levantamento traça um retrato atualizado do microempreendedor digital: 59% dos 128 participantes são empreendedores em tempo integral e os outros 41% dividem o seu tempo com o emprego formal (27%) ou ainda com outros trabalhos (14%).
Entre as atividades principais listadas pelos empreendedores estão as áreas de alimentos, vestuário e cosméticos. Segundo eles, os diferenciais do App que mais os agradam são o controle de fiado, recibos personalizados e os pedidos via WhatsApp. A pesquisa mostra ainda que as funcionalidades mais utilizadas são o controle de pedidos, seguido do controle de estoque, cadastro de clientes e gestão financeira.
O catálogo virtual também se destaca: muitos usuários decidiram assinar a versão paga para divulgar seus produtos online e evitar a perda de vendas. Esse movimento acompanha um avanço mais amplo. O Mapa de Maturidade Digital 2024, desenvolvido pelo Sebrae e pela ABDI, mostrou que os MEIs brasileiros alcançaram um índice de maturidade digital de 31 pontos (em uma escala de 0 a 80). Ainda que em fase inicial, o número evidencia uma transição consistente do analógico para o digital.
Valdeci Costa, da Vitória Cosméticos, é um dos entusiastas do app: “A gente vem gostando muito do programa. É excelente para quem trabalha com produtos. Super acessível, ajuda a organizar vendas, entradas e pagamentos. Tem cadastro de produtos, de clientes e funciona bem mesmo à distância, sem precisar imprimir nada.”
Ele também destaca o impacto da tecnologia na segurança do negócio: “Somos pequenos, somos autônomos. Ter uma ferramenta assim nos dá tranquilidade. É uma melhoria na nossa forma de trabalhar. Com união e boas ferramentas, a gente chega lá”, defende o empreendedor.
Expectativas para 2025
O levantamento também mostrou que os usuários estão otimistas quanto ao futuro. As principais metas para este ano incluem: Abrir uma loja física; Aumentar o faturamento; Vender mais online; Organizar melhor o negócio; e alcançar novos clientes. Além disso, muitos apontam o app como essencial para esse crescimento.
Essas expectativas dialogam com o cenário nacional. Segundo pesquisa do Sebrae em parceria com a FGV (Fundação Getúlio Vargas), cerca de 60% dos MEIs pretendem investir em seus negócios em 2025, principalmente na compra de máquinas, equipamentos e na melhoria das instalações físicas. No setor de serviços, 50% querem melhorar o marketing e a divulgação; no comércio, quase 40% planejam lançar novos produtos.
Ainda segundo o Mapa de Maturidade Digital 2024, 49% dos negócios pesquisados, incluindo MEIs, lançaram novos produtos ou serviços por canais digitais como WhatsApp, Instagram e Facebook, mostrando que a digitalização também está diretamente ligada à inovação.
Atualmente, o Brasil conta com mais de 15 milhões de MEIs ativos, de acordo com Dados atualizados do Portal do Empreendedor (Governo Federal, 2025). O número cresce ano após ano, impulsionado pela busca por autonomia financeira e pela dificuldade de inserção no mercado formal de trabalho.
Para Tiago Garbim, CEO da Wevy, pesquisas com usuários são fundamentais para manter o foco no que realmente importa: o dia a dia dos usuários. “Entender as dores e os sonhos dos nossos clientes é o que guia nossas decisões de produto. A tecnologia precisa ser útil, simples e acessível para fazer sentido para o microempreendedor brasileiro. Esse é o nosso compromisso.”
Aplicativos como o Jarbas estão substituindo cadernos, planilhas improvisadas e anotações soltas, profissionalizando negócios informais e permitindo que os MEIs cresçam com controle, visão e ferramentas simples, mas poderosas. Seja vendendo roupas pelo WhatsApp, bolos no bairro ou cosméticos via catálogo online, os microempreendedores brasileiros estão aprendendo que a organização é o primeiro passo para o sucesso, com a tecnologia deixando de ser coadjuvante para se tornar protagonista no caminho do crescimento.

Leia nesta edição:

CAPA - TECNOLOGIA
Arquitetura neuromórfica, a plataforma inspirada no cérebro humano

MERCADO
O bom negócio da locação de equipamentos de TI

SEGURANÇA DIGITAL
Dilemas e oportunidades de blockchain para identidade
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