book_icon

Como o Brasil pode se destacar no cenário internacional de cibersegurança

Com atual avanço técnico limitado e foco reativo, especialista da BugHunt explica que é essencial ampliar o número de profissionais qualificados, reduzir a burocracia e fomentar o ecossistema de startups

Como o Brasil pode se destacar no cenário internacional de cibersegurança

A aceleração da Transformação Digital impulsiona o desenvolvimento de empresas e governos globalmente, mas intensifica os riscos no ambiente virtual. Nesse contexto, a segurança cibernética emerge como elemento central para a sustentabilidade de operações e para a proteção de dados. Enquanto nações como Índia, Cingapura e Israel se estabeleceram como referências mundiais no setor, o Brasil ainda busca consolidar uma abordagem estratégica e robusta para enfrentar os desafios digitais e aproveitar as oportunidades de crescimento neste mercado.

Para Caio Telles, CEO da BugHunt, empresa brasileira especializada em Bug Bounty na América Latina, o Brasil precisa de uma estratégia nacional mais efetiva, com alocação de recursos estruturados em educação técnica, pesquisa e inovação em segurança digital. “É essencial ampliar o número de profissionais qualificados, reduzir a burocracia para contratação de soluções e fomentar o ecossistema de startups e produtos voltados à cibersegurança para que o país possa avançar”, afirma o especialista.

Para que o Brasil avance e busque um papel de destaque no cenário internacional de cibersegurança, é fundamental aprender com as experiências internacionais

Para o executivo, enquanto o Brasil ainda consolida sua atuação, outros países se firmam como polos de cibersegurança, resultado de caminhos distintos, mas com elementos comuns: visão estratégica, investimento contínuo e adaptação às demandas específicas. A Índia, por exemplo, tornou-se um centro global para exportação de serviços, focando na formação em larga escala de profissionais.

O mercado indiano de cibersegurança, estimado em US$ 4,7 bilhões em 2024, tem previsão de atingir US$ 10,9 bilhões até 2029, conforme dados do setor. A Singapura, por sua vez, investiu na construção de uma infraestrutura digital moderna e segura, ancorada em parcerias público-privadas e uma governança digital avançada. Já Israel, conhecido por sua inovação em segurança cibernética, Israel abriga inúmeras startups e possui uma forte colaboração entre setor público e privado.

Cenário nacional

Para Telles, no Brasil, o panorama apresenta desafios. “O investimento em cibersegurança por parte das empresas ainda é frequentemente reativo, ocorrendo após incidentes, e não integrado à estratégia de negócios”, avalia. Soma-se a isso a escassez de profissionais especializados e uma cultura organizacional que nem sempre prioriza a segurança desde a concepção de projetos.

Apesar disso, um estudo recente da NordVPN indica que os brasileiros subiram para a 6ª posição no ranking global de conhecimento sobre cibersegurança e privacidade, sinalizando uma maior conscientização por parte dos usuários.

Segundo o executivo, para que o Brasil avance e busque um papel de destaque no cenário internacional de cibersegurança, é fundamental aprender com as experiências internacionais. “A principal lição é a antecipação. Em vez de agir apenas após os ataques, esses países mostram a importância da preparação: equipes treinadas, planos de resposta, simulações de crise e investimentos em detecção precoce. Além disso, a colaboração entre governo, academia e setor privado é um fator-chave que o Brasil pode adotar mais amplamente”, explica o CEO da BugHunt.

Perspectivas para o País

De acordo com o especialista, as empresas brasileiras que almejam excelência na área podem extrair lições práticas, como fomentar a formação contínua de talentos internos, adotar padrões globais de segurança, integrar-se a ecossistemas de inovação e participar de programas como Bug Bounty, estratégia de recompensa por identificação de falhas, além da internalização de uma cultura de segurança robusta como fator determinante.

“O Brasil tem potencial para se destacar. Mas, para isso, é preciso investir em conhecimento técnico desde a base, apoiar startups de cibersegurança, estimular a pesquisa aplicada e fortalecer a cooperação internacional”, conclui Telles.

 

As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicados refletem exclusivamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da Infor Channel ou qualquer outros envolvidos na publicação. Todos os direitos reservados. É proibida qualquer forma de reutilização, distribuição, reprodução ou publicação parcial ou total deste conteúdo sem prévia autorização da Infor Channel.
Revista Digital