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Grande desafio para a educação brasileira em 2023: superar a fase da alfabetização digital

O ano de 2023 será crítico para que alunos de escolas públicas e privadas brasileiras deixem no passado as perdas causadas pela pandemia. De acordo com a pesquisa C6 Bank/Datafolha divulgada no início de 2021, quatro milhões de estudantes brasileiros com idades entre 6 e 34 anos abandonaram os estudos em 2020. O mesmo estudo aponta que o PIB do Brasil perde R$ 372 mil ao ano com cada jovem que deixa a sala de aula. A queda de um ponto percentual nos índices de evasão escolar pode, por outro lado, evitar até 550 homicídios por ano.

Na visão dos próprios estudantes, futuros foram destruídos e, agora, precisam ser refeitos. Estudo da Datafolha realizado em julho de 2022 com 1000 jovens entre 15 e 29 anos mostra que 61% dos entrevistados acreditam ter sofrido perdas irreparáveis em sua jornada de aprendizagem. Para os pesquisadores do Observatório da Educação, órgão do Instituto Unibanco, um caminho possível de reconstrução da educação nacional passa pelo uso do ensino híbrido. Para isso, recomendam os experts do Observatório da Educação, é necessário somar as inovações digitais a ações customizadas de engajamento de estudantes e de aceleração de aprendizagem. Quem fizer isso conseguirá reduzir as perdas de aprendizagem causadas pela pandemia entre 35 e 45%.

Essa batalha em várias frentes passa pela disseminação do acesso à Internet e à tecnologia da informação a todos os estudantes brasileiros. Em 2021, o Congresso aprovou a Lei da Conectividade, que assegura acesso à Internet, com fins educacionais, a alunos e professores da educação pública, por meio do repasse de R$ 3,5 bilhões aos estados. Outra fonte de verbas para a digitalização da educação brasileira é o Fundo de Universalização de Serviços de Telecomunicações (FUST), que deverá destinar em 2023 R$ 10 milhões à ampliação do acesso à Internet de banda larga nas escolas. Conforme deliberações do Conselho Gestor do FUST, há a possibilidade dessa verba chegar a R$ 107 milhões.

Esses investimentos podem contribuir para reduzir o abismo que separa a educação pública da privada no Brasil. Segundo estudo do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic) divulgado em novembro de 2021, quase 95 mil escolas públicas apresentaram dificuldade em realizar as atividades de ensino híbrido ou presencial baseados em computadores. Faltavam acesso à Internet, computadores, celulares e professores com domínio sobre novas tecnologias. O mesmo documento revela que 85% dos alunos das escolas particulares têm pleno acesso à Internet e a Apps educativos tanto na instituição como em suas casas.

Aula com Wi-Fi, aula sem Wi-Fi
A tecnologia se inseriu de tal forma nos processos pedagógicos que fatores como um sinal Wi-Fi forte, por exemplo, podem influir na eficácia da aula. Se uma escola tiver um Wi-Fi não confiável, isso pode obrigar os professores a trabalharem em dobro. Torna-se necessário desenvolver duas aulas – uma para se a tecnologia estiver funcionando e outra para se a tecnologia não estiver funcionando. O impacto dessa realidade na produtividade do professor e na dinâmica em sala de aula pode ser expressivo.

Quando, porém, a mais avançada tecnologia é integrada às aulas de maneira alinhada às melhores práticas pedagógicas, o engajamento do aluno aumenta e a jornada de aprendizagem fica mais suave. A conquista dessa meta passa pela entrega de serviços digitais de qualidade a professores, alunos e gestores. Neste contexto, o monitoramento da infraestrutura de TI e Telecomunicações da escola é estratégico: sua missão é prover um método centralizado de identificação de qualquer problema técnico, evitando que falhas aconteçam. E, com isso, entregar à instituição educacional uma visão preditiva sobre todos os elementos digitais que podem suavizar ou dificultar a jornada de alunos e professores.

Algumas instituições estão se destacando por sua maturidade digital e pelo impacto que isso tem nos processos educativos.

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) – Os 14 mil alunos e os 4 mil professores desta universidade localizada em Porto Alegre contam com quase 100% de disponibilidade da rede. Trata-se de uma complexa e distribuída infraestrutura digital que conta com 900 pontos de acesso, 350 servidores, 350 switches, dois Data Centers e 20 diferentes plataformas de bancos de dados. A qualidade dos serviços gerados por essa multiplicidade dos elementos digitais é garantida por uma plataforma de monitoramento que informa 24×7 as métricas de disponibilidade do ambiente. Essa inteligência facilita o planejamento do crescimento do parque da PUCRS, dando tempo aos gestores para alocar investimentos e alterar serviços, sem riscos de downtime. O principal objetivo da universidade tem sido alcançado: manter tudo rodando o maior tempo possível, evitando que alunos e professores tenham que ligar para o suporte para pedir mais recursos.

Distrito escolar do condado de Pickens, Carolina do Sul, EUA – Esta instituição é composta por um total de 32 locais, incluindo escolas e Data Centers. A rede é gerenciada por apenas 18 profissionais, que precisavam de uma plataforma de monitoramento que os ajudasse a ter uma visão preditiva de falhas, de modo a atuar antes da indisponibilidade acontecer. VPNs (Virtual Private Networks) são a base de acessos simultâneos dos 18 gestores de TI à plataforma de monitoramento que processa dados gerados por mais de 2600 sensores espalhados por todo o ambiente. Independentemente de onde estiver localizado, o profissional de TI compartilha a mesma interface do software de monitoramento com seus colegas, com a possibilidade de chegar a detalhes da rede de uma unidade escolar específica, se necessário. Essa visão consolidada e sempre atualizada da TI alerta com antecedência os gestores acerca de problemas, para que eles tenham tempo de resolvê-los antes que a jornada de alunos e professores seja interrompida.

Universidade de Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos – Com quatro campi, mais de 50 programas de graduação e pós-graduação e mais de 7.500 alunos, esta instituição buscava mais visibilidade e controle sobre sua rede distribuída. A meta era adotar uma abordagem preditiva sobre seus vários ambientes digitais, de modo a minimizar o tempo de inatividade de alunos, professores e pessoal administrativo. Por meio de uma plataforma de monitoramento que controla o comportamento de elementos como roteadores, switches, firewalls, servidores e largura de banda, tornou-se possível combater incidentes antes que qualquer interrupção ocorra. Como resultado, a instituição tem proporcionado uma boa experiência de usuário a seus alunos, contribuindo para que o estudo aconteça em sólidas bases pedagógicas e digitais.

A pandemia pode ser entendida como o processo de alfabetização digital forçada de todo o sistema escolar brasileiro. Em 2023, é hora de superar essa fase e conquistar a maturidade digital do setor. E, com isso, construir jornadas de aprendizagem que resgatem vidas e promovam o crescimento do País.

Por Luis Arís, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Paessler América Latina.

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