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Necessidade de internet mais rápida deve impulsionar as tecnologias XGPON e XGSPON no Brasil

O Brasil se prepara para a entrada das tecnologias XGPON e XGSPON. A migração da tecnologia GPON, já disponível nas casas e empresas brasileiras, deve ganhar um salto de qualidade na prestação de serviço para o cliente através da demanda por banda larga por fibra (FTTX). A mudança deve acontecer impulsionada pelas necessidades do próprio cliente, que utiliza equipamentos mais modernos, aparelhos de televisão com resolução 4K e 8K, games online de alta resolução e serviços de streaming que hoje já ensaiam experiências de metaverso por jogos imersivos e de Realidade Aumentada.

A principal responsável pelo incremento da demanda domiciliar por conexões mais rápidas nestes últimos dois anos foi a pandemia. Neste período, o número de usuários atingiu 152 milhões no País, especialmente por causa das novas configurações do mercado de trabalho, como o home office. Hoje, 91% dos provedores de internet disponibilizam planos de conexão através de fibra óptica.

Segundo dados da Anatel, neste primeiro trimestre de 2022, houve uma redução de 1,2 milhões de clientes entre as prestadoras de pequeno porte (PPPs), possivelmente causada pela subnotificação de acessos e da retomada do trabalho presencial após medidas de liberação da covid-19. Mesmo assim, foram notificados neste período 40,185 milhões de acessos pelas operadoras brasileiras.

Outro fator que deve ser levado em consideração é o aumento do acesso das classes C e D ao mercado da banda larga. Preços mais acessíveis de smartphones, smart TVs e o próprio consumo de informação e entretenimento motivou a busca por melhor conexão entre as classes com menor poder aquisitivo. Mesmo que elas não tenham acesso às melhores larguras de banda oferecidas no mercado, é um público que deve ser levado em consideração nos planos de expansão do serviço no Brasil num futuro muito próximo.

Além do crescimento do número de usuários e acessos, os serviços de streaming também devem contribuir para impulsionar a migração da tecnologia. Lançamentos mundiais da indústria cinematográfica podem ser acessados hoje da sala de casa. E essas produções tornam-se cada vez mais complexas, com uso de efeitos computadorizados e com melhores resoluções. Transmissões de eventos esportivos também estão presentes exclusivamente na internet. Em seis países da América Latina, por exemplo, 92% das pessoas possuem assinatura de algum serviço de streaming, segundo levantamento da consultoria em negócios Sherlock Communications. Somente no Brasil, 37% dos consumidores assinaram um serviço por conta do conteúdo exclusivo oferecido, vários ISPs já possuem em seus pacotes de serviços algum streaming associado na tentativa de elevar o ticket do cliente residencial.

Por esses motivos, é preciso que os provedores estejam preparados para esse novo momento da banda larga que bate à nossa porta. A tecnologia XGPON possibilita quadruplicar a capacidade de receber dados, enquanto dobra o envio. Enquanto na rede GPON, a capacidade de downstreaming é de 2.5 Gbps e 1.25 Gbps de upstreaming, a rede XGPON pode oferecer até 10 Gbps de downstreaming e 2.5 Gbps de upstreaming.

Outra vantagem da rede XGPON é a possibilidade de agregar mais clientes por porta, chegando até a 256, enquanto a rede GPON possibilita a ligação com até 128 clientes por porta. Sabemos que, na prática atingir esses números pode ser desafiador, principalmente quando se pensa na qualidade do serviço entregue ao cliente. Quanto mais clientes conectados a uma porta PON, mais a largura de banda é compartilhada, tornando o serviço mais lento. Aqui, empresário do setor, cabe sua avaliação sobre a necessidade do seu cliente e o melhor atendimento que você pretende prestar.

É importante destacar que a tecnologia XGPON vai ter a capacidade de ampliar a cadeia de qualidade da internet no Brasil. E isso estará diretamente ligado à oferta de contratos com as operadoras e com provedores regionais, os ISPs. Eles que serão a porta de entrada da nova tecnologia nas empresas e casas brasileiras. Como toda evolução tecnológica de largura de banda, o serviço da XGPON deve ser, inicialmente, absorvido por empresas que precisam de um tráfego maior na transmissão de dados.

As conexões XGPON e XGSPON vêm atender à demanda, inicialmente, de consumidores mais exigentes, além de pequenos e médios negócios onde a demanda por links simétricos é cada vez maior. Provedores sabem que precisam ofertar produtos focando em empresas de pequeno porte que são capazes de consumir um ticket mais alto, mas também exigem conexões dedicadas que podem até ser menores ISPs. Uma excelente oportunidade para atender esse tipo de cliente é o XGSPON que pode oferecer até 10 Gbps de downstreaming e 10 Gbps de upstreaming através da rede FTTX, abrindo a possibilidade para o atendimento de circuitos dedicados sobre a própria estrutura já instalada. Tornando o ISP atrativo até mesmo para operadoras que precisam de um backhaul robusto para suportar a implementação do 5G, o XGSPON é a alternativa para viabilizar isso, pois as operadoras vão precisar de uma capilaridade de rede que os ISPs conseguem alcançar.

Tecnicamente, essa mudança não vai ser difícil, pois trata-se da mesma estrutura já utilizada na tecnologia GPON. Os provedores poderão utilizar as mesmas OLTs já instaladas. Provedores e operadoras que utilizem os equipamentos da Huawei, por exemplo, só precisam trocar as placas PON e os terminais ONU dos clientes, para a recepção da nova tecnologia. O tráfego pela fibra ótica na tecnologia XGPON também é feito em monomodo (SM) e splitters ópticos, espalhando o sinal através do comprimento da onda. Assim como nas redes EPON e GPON, são itens passivos da solução e não possuem alimentação elétrica.

Um ponto que deve ser levado em consideração é o investimento para a migração para o XGPON, já que a ultra velocidade custa cerca de três vezes mais que a tecnologia atual. Por outro lado, o custo do mega entregue ao cliente irá diminuir, enquanto a entrega será de até quatro vezes mais velocidade. Com o aumento da demanda, esse investimento tende a reduzir, popularizando o serviço, como já vemos hoje na entrega de largura de banda de até 1 Gbps para clientes residenciais no modelo de negócios que a Huawei traz ao Brasil o cliente pode habilitar as licenças de XGSPON porta por porta, possibilitando o investimento acompanhar a demanda.

Mas engana-se quem pensa que apenas as operadoras maiores estão com sua fatia no mercado garantidas. Um levantamento divulgado pela Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações (TelComp) mostra que os pequenos provedores são responsáveis por 44% do mercado de banda larga fixa no Brasil. Atuam hoje no País mais de 14 mil provedores de internet de pequeno porte, muitos competindo com as grandes empresas. Ou seja, a possibilidade de crescimento do mercado para uma internet com maior largura de banda é exponencial.

A internet na velocidade do XGPON já é uma realidade em países asiáticos como China, Japão e Coreia do Sul. Detentores da tecnologia, esses países também sentiram a necessidade de oferecer mais largura de banda devido ao tamanho da população e à demanda de transmissão de dados. Aqui no Brasil, ainda estamos no começo, mas falamos de uma realidade que irá mudar a curto e médio prazo.

Por Thyago Monteiro, diretor de Engenharia da Connectoway.

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