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A próxima fronteira do storage

Leia a entrevista de Paulo de Godoy, diretor-geral da Pure Storage no Brasil publicada na revista impressa Infor Channel. O executivo contextualiza os desafios tecnológicos, de mercado, da atuação indireta e muito mais.

Fundada em 2009, nos Estados Unidos, a Pure Storage, se define como fornecedora de plataforma de dados flash para a era da nuvem, tem orgulho de ser, pelo quinto ano consecutivo, líder no Quadrante Mágico do Gartner para Matrizes de Estado Sólido, na IDC MarketScape para matrizes all-flash, e de ter nota 86.8 no Net Promoter Score, que indica a avaliação de clientes em relação à companhia. A operação da Pure Storage no Brasil teve início em outubro de 2014, quando ainda era startup; em 2015 fez IPO e em 2016 já era unicórnio de US$ 3 milhões. No ano seguinte atingiu um bilhão de faturamento e, em 2018, US$ 1,36 bilhão. Paulo de Godoy, que fala dos desafios tecnológicos, de mercado, da atuação indireta e muito mais, assumiu a Pure Storage no Brasil no final de 2016. “A cultura da empresa é espetacular. É uma delícia. Trabalhei em quase todos os fabricantes de storage, mas a Pure é moderna e aderente a todo esse modelo de nova economia, no comercial e na proposta tecnológica. É um case muito bonito”.

Como a companhia se posiciona no mercado?
Desde seu início a empresa teve a proposta, visionária, ser all flash (storage baseado em memória flash). A história do storage está relacionada basicamente com o disco. A partir de 2010 talvez, começou a aparecer como alternativa o disco sólido. Era uma memória muito mais rápida, mas muito mais cara. A visão era a de que o disco seria gargalo no futuro da tecnologia. Os servidores já tinham ganhado poder computacional para processador e virtualização e, a rede passou pela mesma evolução. O storage estava parado. A Pure, então investiu no flash como mídia, apostou que seria muito mais rápido, além de permitir a virtualização e automatização mais simples e fácil. Este já é um primeiro diferencial da companhia, embora o custo fosse alto, se comparado ao disco. O problema de densidade se resolveu ao longo do tempo, coube mais coisas, barateou e houve economia de escala. Todo mundo foi migrando para isso, mas uma das diferenças é que a Pure nasceu no flash e não tem legado para lidar em relação às mudanças tecnológicas, mas tem impacto para os fabricantes tradicionais. Em cima disso criamos alguns conceitos, uma espécie de ‘uberização’ do storage que são brilhantes. Mantemos um modelo de comercialização as a service, com a subscrição do hardware. Podemos tratá-lo como uma nuvem. O que muda é a forma de oferecer. Isso que fizemos com hardware, e é o que está sendo feito; todo mundo vai migrar para o modelo.

Qual o estágio atual da tecnologia?
A forma de ter dados e fazer com que conversem, é onde estamos morando hoje. Desde o início do equipamento baseado em flash, evoluímos muito e chegamos no padrão NVMe (non-volatil memory express), que permite um paralelismo de comunicação muito maior. E é isso que diferencia a gente de outros, que não estão preparados para receber uma memória desse tipo. O storage junta várias peças, desde os processadores até o principal, a memória flash, que é a unidade básica de armazenamento que temos hoje. Tudo está integrado com uma camada de software e serviços, por isso é importante que dentro de uma solução de storage haja a possibilidade de se integrar com uma nuvem. Empresas como a SAP, Microsoft, Oracle, SAS e Salesforce, oferecem o software na nuvem; então preciso conversar com essas nuvens para pegar esses dados, juntar e tomar decisões ou fazer correlações. Ocorre maior fluidez de dados com os diversos ambientes. O mundo de backup não é mais viável dentro da transformação digital, por isso, estamos transformando o tema antigo de disk to disk to tape, para flash to flash to cloud. Esta é a nova arquitetura do mundo de storage para o backup. O backup vai ser feito em cima do flash. Tivemos lançamentos recentes relacionados a cloud.

O que a indústria olha como tendência?
Vejo storage mais como integração de experiência do usuário do que como tecnologia. Em hardware, já passamos a fronteira do tempo de resposta de memória do dado, com o padrão NVMe, cada vez mais denso e mais rápido. Podemos dizer que o tempo de recuperação está na velocidade do pensamento. A arquitetura geral deixa de ser tão core-edge; vai ter que sair dessa estrutura e responder em tempo real, na borda. Então as redes neurais distribuídas que conseguem entregar imediatamente o que você busca. Isso não é uma tecnologia em si, não é um novo transistor, é uma forma de integrar, usar e montar. Temos oferecido e preparado dentro dessa visão de entregar uma infra evolutiva e aderente às transformações de maneira integrada, como serviço. Concluímos em abril a compra da Compuverde, desenvolvedora sueca de soluções para arquivamento e, também, celebramos a recente aquisição da Object Engine, que veio agregar funcionalidades ao sistema. Elas combinam e têm aderência ao meu modelo de negócio. Vamos entregar uma camada a mais de serviços no storage, de forma muito natural, simples e fácil de integrar. A Pure tem sido muito inteligente e eficiente nesses investimentos.

De que forma a nuvem impacta o mercado de storage?
Dentro da transformação do mundo de TI acho que as ofertas de storage estão ficando retrógradas. É como oferecer mídia de vídeo, agora que há streaming. “Ah mas então seu mercado está ruim; a nuvem é que vai oferecer espaço de armazenamento”. As nuvens são grandes clientes nossos, mas não são solução para tudo. Tem o ambiente multicloud que permite essa transição. Quero meu storage integrado nas soluções de inteligência artificial, de big data, BI, IoT; integrado com as várias clouds, sendo oferecido de maneira as a service, on demand. O mundo está sendo bombardeado por um discurso de transformação digital, de nova economia. Se o mundo cresce, meu storage cresce.

Aposta em uma explosão de dados, inclusive no Brasil?
A explosão dos dados é meu nirvana, meu paraíso. Estamos esperando que isso aconteça de diversas formas com as novas tecnologias de IA, machine learning, big data. Fora do Brasil há muita iniciativa concreta em saúde, finanças, varejo; são coisas absurdas que já estamos ouvindo e nos preparando. O Brasil está um pouco encolhido, mas tem muita coisa fermentando. Nas startups o tema está bombando; já é matéria de faculdade, já tem cursos específicos. O mundo está mudando para esse novo patamar e a infra só espera sair da preparação e começar a execução.

Quais são os mercados potenciais?
Nossa oferta é horizontal. A nuvem é um grande cliente, os data centers, todo mundo que usa storage, toda infraestrutura. É só identificar onde estão as grandes necessidades de infra de grande volume de dados. O mercado de saúde é muito sexy, muito charmoso de se falar. O mundo de big data, do analytics, dos grandes varejos; e-commerce, têm demanda de automação, volume e inteligência dos dados. Os bancos nem se fala, dinheiro não é mais a matéria prima, são dados. Governo e educação. Mas temos que ter prioridades; onde o mundo corporativo vai investir mais e mais rápido. Agronegócio no Brasil virou um grande polo de consumo de TI.

E o canal participa como?
Minha atuação é totalmente à base de canais, com distribuidor e revendas integrados à atuação local, priorizando alguns grandes projetos ou suportando os parceiros na borda. Todo go to market é em cima de canais, que apoiamos desde o recrutamento, capacitação, formalização e gestão macro das atividades, com registro de oportunidades, suporte de configuração, de marketing, e recursos. Temos um evento mundial que vai acontecer em setembro, em Austin, Estados Unidos, para apresentar as novidades, mostrar quem somos, o que fizemos e para onde vamos.

O que espera do canal de vendas?
Quero que o parceiro venda uma solução, por exemplo, de diagnóstico na área de saúde, em que o cara vai ter uma tomografia, um software de captação de imagem fazendo machine learning e IA buscando os dados no meu storage e, de preferência, que entregue como serviço para seu cliente. Terá que fazer parceria com os envolvidos e, então, juntar, integrar e criar um serviço associado a tudo isso. Pode ser modelo tradicional também, mas só vai sobreviver quem estiver adaptado à nova realidade. A companhia mostra que já está integrada à visão que estamos falando com o modelo de negócio sustentável chamado Evergreen Storage.

 

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