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Mercado de trabalho: porque ser um profissional qualificado fora dos grandes centros urbanos

*Carlos Terra – Diretor Executivo do Centro de Serviços Compartilhados da Orange Business Services

Uma das principais consequências positivas da globalização é a diminuição das barreiras para a atuação profissional. O mundo conectado abriu portas tanto para que profissionais trabalhem de forma remota sem precisar estar em escritórios, como para que empresas possam estar em qualquer parte do mundo, sem a necessidade de ter uma base fixa próxima aos clientes. Isso já foi percebido por muitas companhias, que fugiram da agitação dos grandes centros e optaram por se estabelecer em cidades menores.

Com isso, abrem-se possibilidades tanto para as empresas como para os profissionais. Com esse movimento, o mercado de trabalho no interior não fica mais restrito apenas à indústria e as oportunidades se diversificam. O Porto Digital em Recife, o São Pedro Valley em Belo Horizonte, a Capital da Inovação em Florianópolis e o Serratec, em Petrópolis, são bons exemplos de polos que abrigam multinacionais e startups de tecnologia, gerando empregos e visibilidade em lugares antes pouco explorados pelas empresas do setor.

Esse movimento pode ser muito proveitoso para o profissional que busca oportunidades, mas não quer perder os benefícios de morar em uma cidade menor. Se as grandes empresas estão olhando para o interior, é importante que o interior passe a olhar para elas.

O profissional que quer estar apto a ocupar uma dessas vagas tem que estar pronto. Ter um curso universitário ou falar um segundo idioma já não é diferencial, mesmo fora dos grandes centros. Isso porque a barreira para o aprendizado também está diminuindo, já que as opções de aprendizado online também crescem de forma exponencial.

A habilidade técnica, complementada pelo conhecimento de idiomas e as habilidades para relacionamentos interpessoais eliminam barreiras, proporcionam ao profissional conhecimentos fundamentais e permitem a melhoria da qualidade da força de trabalho em locais mais afastados. Tudo isso traz resultados muito positivos para empresas e para a sociedade em geral, pois estes funcionários produzem serviços e produtos ainda melhores.

Prova de como esses conhecimentos são necessários é uma pesquisa que li recentemente. A 54ª edição da Pesquisa Salarial, conduzida pela Catho, mostra que, no nível operacional ou de assistente, quem possui graduação pode ganhar até 25% a mais do que quem não tem curso superior. Enquanto que, para profissionais com cargos de coordenação, o mestrado ou o doutorado aumentam os salários em até 53,7% e 47,4%, respectivamente.

Entre 2011 e 2015, de acordo com censo realizado pela Associação Brasileira de Educação à Distância (Abed), o aumento de cursos EAD foi de 51%. Esse número subiu ainda mais após a publicação do Decreto nº 9057 em 25 de maio de 2017, que atualizou a legislação sobre ensino à distância no Brasil. Houve crescimento de 133% nos polos de EAD, aumentando ainda mais as possibilidades. Além disso, as universidades têm buscado locais estratégicos para novas sedes físicas, que absorvam demandas específicas de polos locais.

É claro que ainda existem limites para o aprendizado online, mas não há como negar que isso abriu muitas portas. Ainda há muito a ser explorado e as empresas sabem que, eventualmente, terão que complementar a formação de seus profissionais oferecendo cursos de especialização. De qualquer forma, muitas pessoas já estão aproveitando as redes sociais e sites de instituições de educação à distância para enriquecer seus currículos. E isso pode ser fator decisivo entre ser contratado ou não por uma empresa.

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