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Drone é um condutor para novos negócios

Surgem várias oportunidades em diferentes segmentos com soluções que utilizam as aeronaves não tripuladas
Drone é um condutor para novos negócios

Quem ainda pensa que drone só serve para diversão ou entregar mercadorias, como alardeia a gigante Amazon, está enganado. Para se ter uma ideia do potencial de negócios, estima-se que o mercado de drones deve movimentar cerca de US$ 127 bilhões nos próximos anos. Isso equivale ao PIB da Hungria.

A notícia boa é que, cada vez mais, surgem oportunidades de negócios com soluções inovadoras que utilizam os drones e podem ser um substancial incremento na receita dos canais

Em unidades, a previsão da Administração Federal de Aviação (Federal Aviation Administration – FAA) é que, mundialmente, a frota de drones comerciais avance de 42 mil unidades (em 2016) para 442 mil em 2021.

No Brasil a febre já começou e, segundo a Agência Nacional de Aviação Comercial (Anac), foram emitidas cerca de 400 autorizações para drones, a maioria para órgãos de segurança pública. Para evitar abusos e até colisões com aeronaves tripuladas, o órgão recentemente apertou o cerco com novas regras para esse fim.

A notícia boa é que, cada vez mais, surgem oportunidades de negócios com soluções inovadoras que utilizam os drones e podem ser um substancial incremento na receita dos canais ou um novo negócio em um novo segmento.

Johan Coelho, da Bembras Agro

A Bembras Agro (do setor de agronegócios), por exemplo, está credenciado parceiros para comercializar o recém-lançado Farm Control – um kit com drone autônomo e software para tratamento de imagens para a gestão de lavoura e criação de gado, com informações em tempo real.

A empresa busca canais que tenham experiência em agricultura de precisão, podendo ser lojas de drones, agrônomos, cartógrafos, agrimensores, prestadores de serviços e técnicos agrícolas.

“É possível acompanhar desde o início do plantio até o volume de estoques a céu aberto, mapeando (entre outras coisas) ervas daninhas, falhas, saúde do plantio, altimetria do terreno, contagem de plantas e animais”, esclarece Johan Coelho, Co-Founder & CPO (Chief Product Officer) da Bembras Agro.

O Farm Control é comercializado por meio de locação anual ou semestral, que inclui: o drone, acessórios, câmeras visuais e NIR (near infrarred), treinamento e certificação, seguro CASCO e RETA. A gestão poderá ser feita remotamente, por meio de tablets ou smartphones. Com os mapas detalhados das áreas plantadas é possível enviar as imagens para o GPS do trator, inclusive no piloto automático.

“A expectativa, para esse primeiro ano, é um faturamento próximo aos R$ 4,5 milhões, representando 33% da receita do departamento de agronegócios do Grupo Bembras”, planeja Coelho.

Quem já colhe frutos com o uso de drones no campo é a curitibana 4Vants que faz o levantamento e vende os dados. Os sensores instalados nas aeronaves capturam fotos que são processadas por uma inteligência artificial e os dados, que resultam deste processamento, são vendidos.

Hoje, entre as empresas que usam esse serviço da 4Vants estão as concessionárias de energia elétrica, que usam os drones para sobrevoar linhas e torres de transmissão. As fotos são processadas por um robô, que é treinado para saber se estes sistemas funcionam. Se houver qualquer indício de erro, um alerta é gerado.

A 4Vants tem uma frota própria de drones e também terceiriza o serviço para parceiros. O que permite atuar em diferentes regiões de forma simultânea e ganhar escala. Outra aposta da empresa para crescer é a diversificação de mercados. É possível trabalhar no agronegócio com mapeamento de lavouras, na mineração com medições volumétricas e de topografia, segurança com com o mapeamento de fronteiras e locais antes de ações contra o crime organizado e até em serviços de tráfego.

A Accenture, por meio do Centro de Inovação Accenture para SAP, é outra que aposta em drones para a coleta de dados em locais remotos, fazendo a combinação com ferramentas de Machine Learning e Visão Computacional. Segundo a companhia, entre os benefícios da nova solução estão redução de riscos, abordagem proativa dos problemas identificados e aceleração do processo da captura de dados e tomada de decisão, resultando em uma redução de 50% nos custos.

A Intel também está apostando em drones. Recentemente lançou seu primeiro modelo comercial desenvolvido para o entretenimento com foco em shows de iluminação. O Intel Shooting Star é projetado com uma estrutura de apenas 280 gramas (o mesmo peso de uma bola de vôlei) e pode criar até 4 bilhões de combinações de cores. Feito de plástico flexível e sem parafusos, o veículo aéreo não tripulado produz imagens coreografadas no céu de noite de forma rápida e fácil.

No segmento de seguros, uma das precursoras no País no uso de drones é a Tokio Marine, que acaba de anunciar esse recurso como parte do Gerenciamento de Risco, em complemento ao trabalho do vistoriador. A primeira experiência foi realizada em um trecho da obra do Rodoanel, em Guarulhos (SP), no final de julho.

“A visão 360° proporcionada pelo equipamento aponta riscos no entorno das unidades seguradas que, muitas vezes, podem não ser tão facilmente percebidos pelo vistoriador.”, explica Felipe Smith, Diretor Executivo de Produtos Pessoa Jurídica da Tokio Marine.

Marcello Martins, da iTVX

Outra oportunidade de negócio para o canal é a solução da iTVX –especializada em serviços e soluções digitais para radiodifusão, telecomunicações e teleducação, lançada na feira SET Expo, realizada em agosto em São Paulo.

Essa solução é um sistema de medição que usa drones profissionais para fotografar e filmar locais de difícil acesso, com o envio das imagens em formato HD e disponibilizado na nuvem.

O alvo é fazer o diagnóstico de irradiação de ondas em torres e em locais de difícil acesso em áreas urbanas, periféricas, rurais, muito próximas ao mar ou em locais com proibição de voos tripulados.

“Estamos buscando parceiros em várias cidades. Procuramos empresas especializadas em radiodifusão, telecom ou engenheiros com CREA e experiência em radiofrequência. Fornecemos todo o treinamento, que demanda investimentos, por parte do parceiro, entre R$ 3 mil a R$ 5 mil por pessoa”, explica o engenheiro Marcello Martins, diretor de novos negócios da iTVX. A expectativa da empresa é faturar em torno de R$ 600 mil no primeiro ano com essa solução.

Para quem se interessou pelo tema, entre os dias 15 e 17 de maio de 2018 acontecerá a 3º edição do DroneShow Latin America, em São Paulo. (www.droneshowla.com)

 

Normas de uso no Brasil

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) é a responsável em ditar as regras para o uso de drones no Brasil, as principais são:

– É preciso registrar apenas os aparelhos com peso superior a 250 gramas, mesmo para uso recreativo;

– Até 25 kg esse cadastro pode ser feito pela Internet, mas apenas se não for usado para voos acima de 12 metros;

– Acima de 25 kg o registro será feito no Sistema Aeronáutico Brasileiro com renovação a cada dois anos;

– É preciso autorização para pilotar drones sobre pessoas. Sem a autorização é preciso uma distância de 30 metros, exceto se for usado por órgãos de segurança;

– É necessário habilitação para drones com mais de 25 kg ou que voe acima de 121 metros;

– Caso não seja para uso recreativo, o piloto deve ter 18 anos para ter as autorizações.

 

Oportunidade para desenvolvedores

Drone Code é uma plataforma open source, colaborativa e compartilhada para os interessados em criar soluções usando drones, onde os desenvolvedores podem contribuir com tecnologias para reduzir custos e o tempo de lançamento no mercado.

Baseada em Linux, é aberta a todos: desde quem só quer criar uma aplicação para uso próprio, quem quer ajudar a desenvolver esse mercado, modificar e/ou aperfeiçoar o código até quem quer criar um controlador de voo, fazer acessórios ou integrar esse tipo de aplicação com serviços na nuvem. (www.dronecode.org)

Nissan X-Trail X-Scape vem com drone de série

A nova versão do Nissan X-Trail, a X-Scape, lançada no Reino Unido e sem previsão para chegar ao Brasil, vem com um drone como item dessa série especial. O carro é equipado com uma câmera e um avançado sistema GPS, o Follow Me, que incorpora tecnologias de rastreamento visual via satélite. Assim, o drone pode perseguir o carro de forma autônoma, enquanto fotografa e grava vídeos – do próprio X-Trail em movimento ou do usuário.

O drone (um Parrot Bebop 2, pesando apenas 500g) vem acompanhado do controle remoto Parrot Skycontroller 2 e do Parrot Cockpitglasses (parecido com os óculos de realidade virtual), permitindo ao usuário visualizar o que a câmera de 14 megapixel captura. Uma verdadeira experiência imersiva, que mostra o X-Trail pelo ponto de vista de um pássaro.

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