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Seis dicas de como fugir de golpes de doações falsas

A pandemia mundial do novo Coronavírus despertou diversos sentimentos em todos nós. Medos, inseguranças, incertezas sobre o futuro, ansiedade e tristeza foram alguns deles, mas ao mesmo tempo pudemos observar o aumento da empatia, da compaixão, do otimismo e um chamado em alto e bom som para a retomada do pensamento coletivo e solidário, já que a doença tem altos índices de contágio e um paciente doente pode levar a infecção para pessoas próximas.

Diante deste cenário, a campanha #FiqueEmCasa é um pedido geral para a segurança de todos, mas muito pouco eficiente para pessoas em situação de vulnerabilidade social, que têm pouco ou nenhum acesso à saneamento básico, produtos de limpeza e higiene pessoal para ajudar no combate ao vírus, e que, infelizmente, estão sofrendo diretamente com a falta de suprimentos básicos.

É nesta situação que percebemos que o pensamento solidário não se limitou apenas a olhar para as necessidades de um vizinho idoso que precisa de ajuda nas compras de remédios e alimentos no mercado ou com a amiga que acabou de ganhar um bebê, mas também a quem a ajuda não chega sem o intermédio de uma ONG ou Instituição do Terceiro Setor.

Nestes momentos de fragilidade precisamos de atenção redobrada quando trata-se de doações e ajudas humanitárias. Golpes cibernéticos ligados ao Coronavírus já estão em circulação e têm aumentado gradativamente com o passar dos dias. De acordo com um levantamento feito pela empresa de segurança digital PSafe, cerca de 2 milhões de brasileiros foram alvo de golpes só na última semana.

Natalie Melaré, especialista em gerenciamento de organizações sem fins lucrativos e campanhas de terceiro setor e presidente-fundadora do Instituto Devolver, dá 6 dicas de como identificar ONGs e Instituições confiáveis para apoiar durante esta crise:

– Filtre as causas que deseja ajudar: não só com a crise do coronavírus, mas durante o ano todo ONGs e Instituições adotam causas de diferentes públicos em situação de vulnerabilidade para apoiar, portanto o primeiro passo é encontrar uma com que você se identifique.

– Pesquise: se você for atingido por um anúncio de uma campanha via redes sociais ou chegar até uma ONG, pesquise tudo sobre ela antes de fazer uma doação. Quem está ligado à Instituição? Quem são os indivíduos que fazem a gestão e o quanto eles estão envolvidos no dia a dia dela?

– Comunicação: durante a pesquisa, é fundamental entender como é feita a comunicação desta Instituição com a população. O ideal é que essa ONG tenha um site e redes sociais estruturados com informações básicas sobre seu campo de atuação, apresentação da equipe e ações realizadas.

– Objetivos claros: busque clareza nas campanhas com explicação do objetivo, grupo beneficiado, data de entrega e meta de arrecadação. Por exemplo: estamos arrecadando cestas básicas no valor de R$ 50 para famílias da zona leste de São Paulo, que serão entregues no dia 20 de abril de 2020.

-Transparência e Governança: antes de concretizar uma doação é fundamental entender como a instituição atua quanto à prestação de contas. Busque no site se há relatórios mensais das doações recebidas e o relato do caminho que o dinheiro fez dentro da instituição. Há fotos dos resultados das arrecadações? Há divulgação dos resultados das campanhas? Quanto arrecadou? Quantos doadores tiveram? O que foi feito com esse dinheiro? Quais foram os itens comprados? Quando foram entregues? A instituição citou algum prazo na entrega das doações?

– Tenha cuidado: muitos influenciadores, blogueiros e pessoas físicas estão promovendo ações de arrecadação de verba para apoiar causas na crise do Coronavírus. Evite fazer transferências bancárias para contas de pessoas físicas e dê preferência para doações diretamente para a Instituição que será beneficiada pela campanha.

A relação do doador com o beneficiário deve ser baseada no tripé: confiança, transparência e seriedade.

Por Natalie Melaré, fundadora e presidente do Instituto Devolver

 

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