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Por que novas ideias e tecnologias demoram tanto para serem amplamente aceitas?

Quando se trata de inovação aparentemente revolucionária, o tempo que algumas organizações ou setores levam para abraçar a ideia é quase surreal. Se a tecnologia é tão boa, por que não é amplamente adotada? Como sempre, a resposta tem muito pouco a ver com o sistema, a solução ou a tendência, mas muito mais com o instinto humano que atrapalha o caminho. Somos, definitivamente, a falha na cadeia de inovação.

Você não precisa ir muito longe para encontrar bons exemplos. A construção como indústria é tão conhecida por sua lenta adoção digital, assunto que ainda domina a maioria dos fóruns, eventos, exposições e mesas redondas. No varejo e em toda a cadeia de suprimentos temos um assento na primeira fila para a resistência das empresas no que se trata da adoção da Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (ML), apesar de todas as estatísticas e dados apontarem para a sua necessidade.

Parece que há uma resistência dos tomadores de decisões mais antigos à digitalização. O mais provável seja que exista um sinal de desconexão entre a liderança e os que realmente entendam a urgência da inovação.

O salto da educação aos negócios
Tudo começa com a educação. Os jovens iniciantes, recém-formados, com muitas ideias, estão constantemente pressionando por mudanças, mas não têm reputação nem influência para implementá-las. Acredito que está mais do que na hora de deixar de lado as fontes obsoletas de orgulho e colocar mais fé naqueles que estão organicamente no auge da inovação.

O salto da educação para os negócios
Tudo começa com a educação. O estudante é uma esponja. Ele precisa aceitar o que está sendo ensinado, especialmente em ciências ou engenharia, porque é o resultado de séculos de pesquisa e progressão. Tudo muda quando se inicia um mestrado ou o doutorado. De repente, a missão é ser crítico e questionar tudo. É por isso que avanços científicos demoram tanto para se tornarem comumente aceitos como fatos. Assim, você termina seus estudos e entra no seu primeiro emprego em tempo integral com conhecimento e entusiasmo pela inovação que levará aos novos empregadores. Você tem uma melhoria de ponta às operações que já tem décadas de busca e desenvolvimento.

E seu novo chefe diz não
Por que não? Estes mesmos executivos ou tomadores de decisão devem ter passado provavelmente pelo mesmo caminho ao longo dos anos e viram as suas próprias estratégias se concretizarem. Por que eles desconsiderariam o que tornou seu negócio forte hoje? Por que o mais novo membro da equipe os deixa inseguros de que existe uma estratégia melhor?

Percebem que erraram quando percebem que os concorrentes estão tendo sucesso com a mesma ideia que eles reagiram negativamente – é o que estamos vendo agora com a IA. Então pode ser tarde demais ou, pelo menos, prejudicial a curto prazo.

Quebrando a corrente
Há uma corrente que que vai da ciência à descoberta, o entusiasmo do engenheiro, passa pela rejeição, e logo a aceitação do mercado e – finalmente – uma transição que explica a quantidade de tempo, muitas vezes, insuportável para que as tecnologias se estabeleçam.

Voltando ao exemplo da construção, as formas de operação da indústria são tão profundamente arraigadas e amplamente supervisionadas pelos tomadores de decisão mais velhos – com décadas de teimosia embutida – que faz sentido que seja tão difícil para alguém forçar a tal mudança de mentalidade. E, claro, se demorar muito, há todas as chances de que a ideia inovadora já esteja desatualizada quando alguém “importante” comece a ouvir.

As empresas devem se livrar deste ciclo, por vários motivos. Em primeiro lugar, é óbvio, que estar na vanguarda quando se trata de avanços digitais pode trazer grande vantagem sobre os concorrentes do mercado. Em segundo, como mencionado, não se deve querer ficar perenemente atrás da curva em termos de inovação e de seus concorrentes. Terceiro, há um elemento cultural. Ao anular o entusiasmo e a inovação genuína de alguém no auge da modernidade tecnológica, é provável que fique menos propensos a manter essa euforia, mesmo quando se integre mais aos negócios.

Uma conversa baseada em compromissos
A desilusão é o que vem ao se ignorar pesquisas, estudos, faculdades críticas e experiência de quem quer propor inovações e tecnologias. Existe a possibilidade que estas mesmas pessoas possam aderir a esta cultura de inovação e rejeitem novas ideias mais adiante. É o que mantém esta corrente em movimento.

Quando se trata de se acelerar a taxa de inovação ou adoção de tecnologia, a resposta não se baseia em torno do digital, em absoluto. Trata-se do instinto humano em cada estágio do ciclo. A ciência não mudará – os engenheiros e pesquisadores iniciantes continuarão sendo fundamentais e estão na ponta do iceberg da inovação. O acordo deve vir entre as próprias empresas.

E a palavra “compromisso” é a chave. Não quer dizer que um tomador de decisão deva colocar o tempo todo as suas operações e progressão nas mãos de um engenheiro mais jovem. A questão aqui é sobre não matar o seu aporte no primeiro dia, já que são a fonte mais recente de informações que se tem.

Ter conversas abertas sobre como sua empresa é administrada, por que ela prosperou, a tecnologia que a levou até lá e quais são as implicações comerciais das transformações que irão despertar com as contribuições destes novos funcionários. Eles, por sua vez, começarão a encontrar um uso mais viável e situacional para as suas grandes ideias.

Ou, pelo menos, eles não cortarão a corrente de ideias mais adiante.

Por Michael Feindt, consultor estratégico da Blue Yonder

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