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PMEs gastam R$ 1,8 mil com PCs antigos por ano, revela estudo

Valor auferido em levantamento encomendado por Intel e Microsoft considera manutenções e visitas técnicas. Custo intangível de produtividade também deve ser considerado, alerta especialista

Pequenas e médias empresas – PMEs, que mantém em seus ambientes computadores com mais de quatro anos de uso gastam, em média, US$ 421 (ou pouco mais de R$ 1,75 mil pela cotação atual) com manutenção por máquina ao ano. Este elevado custo de propriedade considera gastos com reparos, visitas técnicas e tempo médio por visita, entre outros fatores – fica de fora da conta funcionários aborrecidos e improdutivos.

Outro dado alarmante: quase cem por cento das PMEs brasileiras utiliza PCs com essa idade ou mais, e que demandam quase duas vezes mais manutenção que máquinas novas.

Falta de fluxo de caixa e indisponibilidade para investimentos são apontados como razão por 40% das companhias ouvidas

É o que revela um estudo encomendado pela Intel e pela Microsoft à Techaisle, consultoria especializada em estudos sobre o segmento de pequenas e médias. O estudo global, feito entre abril e maio de 2019, ouviu 200 empresas no Brasil donas de 25 a 499 máquinas. Os questionários e entrevistas foram feitos com diversos profissionais, como sócios e gestores de TI e financeiros.

“Algumas respostas nos surpreenderam. A taxa de renovação das máquinas apontada no estudo foi de 3,2 anos, mas sabemos por outros levantamentos de outras fontes que esse número é muito maior”, diz Bárbara Toledo, gerente de marketing da Intel Brasil. “Aproximadamente a cada três anos toda empresa compra um novo PC, mas isso não significa que vai substituir um antigo.”

Há uma série de fatores que levam as empresas a manterem máquinas mais antigas. A primeira delas é orçamentária: falta de fluxo de caixa e indisponibilidade para investimentos são apontados como razão por 40% das companhias ouvidas. Bárbara lembra que há concorrência com outras prioridades em TI, como migração de aplicações para nuvem ou aprimoramento da infraestrutura de rede, por exemplo.

Outro impeditivo comum é o uso de softwares antigos por PMEs, incluindo sistemas financeiros, de RH e controle de caixa. Esses programas muitas vezes foram desenvolvidos especificamente para sistemas operacionais mais antigos, e computadores novos podem não rodar essas aplicações ou exigir atualizações, aumentando os custos.

“São empresas que nem sempre possuem uma gestão ou políticas de TI estruturadas”, diz a executiva da Intel. Falta ainda entender que perdas de produtividade – incluindo lentidão de sistemas críticos, reinícios forçados e tempo parado em manutenção – são difíceis de calcular. Entre os entrevistados, 34% afirmam não possuir planejamento e pretendem manter os PCs que já possuem, considerando fazer atualizações apenas em caso de urgência.

Nem tanto à terra
Não há somente más notícias no estudo. Cerca de 76% das PMEs brasileiras pensam em trocar PCs antigos – mas não todos eles. Isso significa que apenas 31% dos atuais computadores devem ser atualizados em 12 meses.

Os principais motivos que levam a compra de novos equipamentos são melhorias de desempenho (83%), mais segurança (68%) – quase 50% dos entrevistados enfrentaram problemas de segurança no ano anterior ao estudo –, facilidade de gerenciamento (64%) e maior integração com dispositivos móveis (38%).

Atualizações de sistema operacional podem ajudar com parte desses problemas, e por isso 87% das empresas respondentes disseram que pretendem atualizar seus OS mais antigos para as versões 8 ou 10 do Windows no próximo ano.

O outsourcing de computadores surge nesse contexto como uma opção, na medida em que permite a troca do parque de computadores para máquinas mais novas e, ao mesmo tempo, transfere a responsabilidade de manutenção e atualização para um terceiro. O custo é fixo, o que também ajuda em termos de planejamento financeira. É a modalidade de PC como serviço (PC-as-a-Service).

Segundo o estudo, há a intenção por parte das empresas brasileiras de adotarem o modelo de assinatura para softwares e para PCs: 71% delas já ouviram falar na modalidade. Mas o convencimento ainda depende de mais oferta, constata a executiva da Intel. “Sabemos que a oferta [de PC como serviço] não é tão ampla quando comparada a de outros mercados, e aí surge uma grande oportunidade”, diz.

Mercado em reação
Após anos de queda acentuada, o mercado de computadores pessoais – seja no varejo ou no segmento B2B – tem reagido com fôlego em 2019. Segundo o IDC, a venda de computadores no Brasil cresceu 12% no segundo trimestre deste ano, se comparado ao mesmo trimestre de 2018, com 1,448 milhão de máquinas e receita de R$ 4,1 bilhões.

O segmento corporativo respondeu por cerca de um terço desse volume, com 536 mil máquinas vendidas, puxado principalmente pelos setores bancário e de manufatura. Não à toa a perspectiva de fabricantes como a Intel é positiva para este ano. Após anos de crise econômica e investimentos represados, as empresas – inclusive PMEs – devem voltar a investir.

Parte da estratégia da Intel para aproveitar este novo impulso é apoiar todos os elos da cadeia de fabricação, distribuição e venda de PCs, o que inclui fabricantes de computadores e outros canais que tenham as PMEs como público-alvo. “Temos um legado muito grande a partir de todo o trabalho fazemos com os canais, sejam integradores ou revendas”, salienta Bárbara. “Nosso programa oferece os subsídios para atender as PMEs.”

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