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Mobilidade corporativa, muito além do WhatsApp

Fornecedores e revendas especializadas em soluções de comunicação móvel querem mostrar que as empresas e seus funcionários têm à disposição, ferramentas dinâmicas, ágeis e seguras para a gestão e governança de mensagens

A mobilidade é mais que uma necessidade, ela é superlativa. Afinal, de acordo com as projeções da Fundação Getúlio Vargas teremos 420 milhões de aparelhos digitais ativos no Brasil em 2019. Do total, 230 milhões serão smartphones e o restante computadores, notebooks e tablets.

As pessoas estão conectadas o tempo todo, em todos os lugares e as empresas devem ficar atentas aos desejos de seus colaboradores. Neste sentido, pesquisa realizada em 2018 pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, apontou que 73% dos brasileiros gostariam de trabalhar em casa ou em locais alternativos. Uma boa amostra das mudanças promovidas pela mobilidade.

Os smartphones e seus aplicativos como os de troca de mensagens, são apenas a parte mais visível do fenômeno Bring Your Own Device – BYOD, algo como ‘use o seu próprio equipamento’. A melhoria da infraestrutura, conquistada com a disseminação da banda larga e o advento da computação em nuvem, explica esse boom.

No entanto, quando falamos em mobilidade corporativa o jogo é outro. A facilidade de uso de soluções de troca de mensagens destinadas ao consumidor final, certamente ocupam um grande espaço no mercado corporativo. “Porém, não oferecem a devida segurança, gestão e a governança de dados necessárias para a proteção de informações sensíveis”, explica Pedro Moura, gerente de serviços da Logicalis, companhia global de soluções e serviços de TI e comunicação.

Sob medida para empresas
Existem soluções corporativas que trazem a mesma simplicidade de uso de um WhatsApp ou de um Hangouts, porém com recursos de segurança mais apropriados. Um exemplo citado pelos entrevistados é o Microsoft Teams, solução de mensageria instantânea que entrega uma camada que habilita, entre outras funcionalidades, a gestão centralizada de usuários e grupos, com a requisição de dupla autenticação e regras de compliance. Contudo, o ideal é que as empresas incorporem aquilo que os colaboradores utilizam. O desafio é que essa integração tenha como premissa a segurança dos dados de negócios.

“Atualmente, a linha da conveniência já consegue coexistir com a estabilidade e a segurança”, aponta Luis Eduardo Sirera, diretor de Vendas da Avaya Brasil. Como exemplo, ele cita a solução Avaya Equinox, de comunicação e colaboração para equipes que pode ser usada em qualquer dispositivo e integra chat, compartilhamento de arquivos, vídeos etc. Ou ainda o B109, “uma pequena estrela de teleconferência” que, conectada ao celular por bluetooth, oferece uma experiência de áudio muito superior”, conclui.

Diversidade é lei
É claro que cada empresa possui uma necessidade de comunicação diferente, de acordo com sua atividade-fim, capilaridade e metas de negócios. É correto afirmar que as soluções disponíveis no mercado conseguem integrar todos os times, sejam eles de campo – vendas e técnico – ou de backoffice, oferecendo a eles mobilidade, flexibilidade e interface única, de forma muito mais competitiva do que no passado.

Mesmo os custos relacionados aos links de dados fornecidos pelas operadoras, que conectam corporações e suas filiais, tornaram-se mais acessíveis. E as soluções de colaboração podem estar instaladas fora das empresas, a exemplo da computação em nuvem.

Melhor, como as soluções de colaboração podem ser oferecidas como serviço, as corporações também passaram a não se preocupar mais com a gestão. Levando tudo isso em conta, além dos ganhos com produtividade é possível reduzir os custos de gerenciamento.

Unificar os canais digitais ou de voz para melhorar a experiência do consumidor é a transformação mais importante hoje

Para a Aruba, a necessidade de conectar diversas filiais pode ser resolvida com a implementação de uma rede WAN definida por software – SD-WAN. Ela simplifica o gerenciamento na nuvem e o controle do tráfego da rede, tornando mais fácil e rápida a conexão de centenas ou milhares de funcionários com acesso seguro a determinados dados.

Companhia que faz parte da Hewlett-Packard Enterprise – HPE e tem como foco soluções de rede, a Aruba aposta neste sentido no SD-Branch, que permite a gestão de toda a rede a partir de um único console. E também no Aruba Clearpass, que customiza o uso de aplicativos e otimiza os acessos de acordo com o perfil do usuário, tipo de conexão e até mesmo pelo tipo de dispositivo pelo qual ele se conecta, trazendo componentes de segurança para o ambiente.

A equação perfeita da mobilidade – seja para equipes remotas ou em viagens –, prega que a oferta de recursos que o usuário teria em seu posto de trabalho com encriptação fim-a-fim, acesso a arquivos, disponibilidade de rede, estabilidade de ligações, colaboração com colegas e clientes, entre outros, também esteja disponível remotamente. Afinal, esse usuário precisa ter acesso a todos os recursos, ser encontrado e conectado com a segurança de que todas as atividades, conversações ou troca de mensagens, ocorram em ambiente seguro e com qualidade.

Campo vasto
Customizar ferramentas, criar projetos, recomendar as melhores soluções e infraestrutura. Diante dessas necessidades para as questões de mobilidade, o perfil da revenda deve ser o mais consultivo possível para atender às corporações. Entender a jornada do cliente e tudo o que envolve a unificação dos canais, sejam eles digitais ou de voz, trazendo o backoffice para melhorar a experiência do consumidor, é a transformação mais relevante hoje. E existe um campo vasto de oportunidades.

“Em nosso ecossistema de business partners, há empresas que se destacam nesse modelo consultivo, seja na nuvem ou no ambiente do cliente”, aponta Sirera. A mesma visão é compartilhada pela Aruba, que vê um momento favorável dos revendedores na via da transformação digital. Principalmente se eles se predispõem a ajudar e orientar os clientes nessa jornada. Portanto, é de suma importância a capacitação dos parceiros e que eles se relacionem com fabricantes com uma visão do todo, fazendo parte de um ecossistema que permite colaboração e integração.

De olho nesse movimento, a Sonda, empresa latino-americana de soluções e serviços de tecnologia, adquiriu 100% da M2M Solutions, um provedor brasileiro de tecnologia, que combina as duas faces da mobilidade. Baseada em Cloud, a empresa faz o planejamento e a gestão de viagens, controle de acesso de passageiros, telemetria, Analytics e Business Intelligence e uma diversidade de aplicações.

“A aquisição por uma empresa como a Sonda abre uma janela de possibilidades para nossas tecnologias. Passamos a ter acesso a novos mercados e um potencial de expansão dos negócios. Será uma grande mudança de paradigma que trazemos para o mercado”, explica Alexandre Fleck, diretor de Novos Negócios da Sonda e presidente da M2M Solutions. Na prática, suas soluções envolvem a comunicação entre operadoras, consórcios, usuários e autoridades do setor de transporte.

Mas quais os segmentos mais promissores oferecer soluções de mobilidade? É certo que todos os setores da economia se beneficiam, porém algumas áreas têm maior demanda, entre elas: saúde, educação e varejo. E outras são encaradas com potencial no curto e médio prazo, como a indústria, serviços financeiros, hotelaria e a área pública.

No futuro haverá soluções que permitirão às pessoas e organizações trabalharem coletivamente em todas as cadeias de relacionamento. “Cada vez mais, veremos times espalhados por todo o território nacional ou mesmo mundial, e manter todos os colaboradores informados e engajados será primordial para o sucesso de qualquer empresa”, projeta Moura, da Logicalis.

Algumas companhias estão na vanguarda deste processo, como a Natura, que incorporou a Avon, e se tornou uma gigante com capilaridade ainda mais global. Um prêmio para a bem-sucedida jornada de transformação digital – com foco em mobilidade – da corporação brasileira.

Com a disponibilidade, no médio prazo, de soluções por meio de redes ainda mais rápidas, como a 5G, e novas tecnologias de Wi-Fi, a tendência é uma aderência cada vez maior das soluções, pois tudo trafegará em redes de dados e a custos mais acessíveis, integrando de forma simples e poderosa a colaboração dos usuários com ferramentas de backoffice. E o futuro está logo na esquina.

Em 2019 serão 420 milhões de aparelhos digitais ativos no Brasil  

Cloud para todos?
Faz sentido uma corporação montar sua infraestrutura de mobilidade ou a tendência é a contratação de serviços junto às operadoras e prestadoras de serviços de comunicação, especialmente os baseados na nuvem?

Com a oferta de serviços de Cloud Computing atual, alguns especialistas avaliam que não faz mais sentido montar uma infraestrutura dentro da empresa, pois os provedores oferecem soluções com grande escalabilidade, resiliência e segurança robusta.

“A esses fatores são aliados o ganho de eficiência operacional, formas de pagamento flexíveis e otimização no ROI da solução como um todo, uma vez que, em muitos casos, Cloud não exige nenhum investimento em hardware”, explica Moura, da Logicalis. Além disso, a nuvem diminui o esforço administrativo e reduz até mesmo custos secundários, tais como energia elétrica, para manter um datacenter.

Em resumo, algumas corporações contratam todo o pacote de operadoras ou uma combinação que os agrega aos provedores de serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação. Alguns parceiros da Avaya, por exemplo, se especializaram nesse modelo. “Eles oferecem serviços bastante competitivos em conjunto com as operadoras. Para o cliente final, o modelo é transparente”, compara Sirera. Entretanto, algumas empresas fogem dessa regra e não querem ficar dependentes de terceiros, partindo para a criação de seus modelos internos. Mas estes são cada vez mais uma exceção.

Geração mobile
O surgimento da GenMobile ou geração mobile, atende não apenas ao momento de ‘todos conectados o tempo todo’, como responde ao desafio das empresas por mais produtividade e respostas ao ambiente de competição. Porém, impõe uma outra questão: a experiência do usuário precisa ser levada em conta, quando não é impositiva.

Estudos demonstram que cada geração possui suas preferências na utilização de soluções de mensageria e colaboração. E toda empresa possui um mix de gerações em seu quadro de funcionários, com baby boomer (1946-1964); X (1965-1979); Y ou milênio (1980–1997) e, finalmente a chamada geração Z (1998–2019). A faixa de usuários baby boomer é mais adepta à troca de mensagens por e-mail e reuniões presenciais, enquanto os que se encaixam nas chamadas milênio e na Z preferem a utilização de chats e reuniões online. A solução? Ser o mais inclusivo possível.

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