Tecnologia

IoT permitirá a Transformação Digital

Mas antes é preciso resolver algumas questões regulatórias que emperram o uso de novas tecnologias

Ao lado do 5G, a Internet das Coisas (IoT) tem sido um tema bastante debatido na Futurecom 2020, evento digital que termina na sexta-feira (30/10). Para Leonardo Finizola, diretor de Negócios da Nokia, esta é uma das principais tecnologias que permitirá a chamada Transformação Digital, mas há alguns desafios que o País precisa enfrentar. “Questões regulatórias são essenciais para todo tipo de grande transformação que o País necessita. A primeira que precisa ser resolvida rapidamente é o Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações). Temos a PL 6.549/2019, que seria muito importante que fosse aprovada ainda este ano; talvez o Executivo Federal resolva logo, pois tanto o governo, quanto a indústria e o legislativo estão convencidos da urgência”, disse Finizola.

Entendendo que é um processo e não mais um projeto, não existe final, a Transformação Digital é algo contínuo e para sempre

A última notícia desse projeto é que, em seu relatório, o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) deu parecer favorável ao PL, que zera a Taxa de Fiscalização de Instalação (TFI), a Taxa de Fiscalização de Funcionamento (TFF), da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP) e da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine) referentes às estações de telecomunicações que integrem sistemas de comunicação máquina a máquina (M2M), além de dispensar o licenciamento prévio para funcionamento dessas estações. Mas ainda não há previsão de votação.

Outro desafio, na opinião do diretor da Nokia, é a necessidade de adequação da Lei Nacional de Concessão, criada em 1995, antes da Internet comercial brasileira. “Ela é muito voltada para o investimento inicial e não se adequa a um mundo cada vez mais movido a serviços”, comentou. “Vemos que muitos processos licitatórios acabam se voltando para um modelo de negócios que dificulta que serviços sejam oferecidos. Podemos ver isso claramente em segmentos como rodovias e cidades inteligentes com smart lighting. A forma como é montado o modelo de concessão dificulta que tecnologias ou mesmo serviços sejam oferecidos”, afirmou.

Para Finizola, no mundo, o grande motor que vem impulsionando o IoT é a indústria automobilística. “Um carro hoje parece um imenso dispositivo carregado de sensores. O próximo passo é fazer com que toda essa informação esteja disponibilizada todo o tempo para aplicações que estão na Nuvem, aí que está o grande trabalho atualmente”, disse.

No campo
No Brasil, Finizola aposta que o grande impulsionador da IoT será o agronegócio. “Temos um trabalho junto com a ConectarAgro e no ano passado conectamos 5 milhões de hectares, e 675 mil pessoas passaram a ter serviço de conectividade a partir do que estamos fazendo neste setor. O interessante é que essas máquinas que trabalham no agronegócio têm, às vezes, mais de cem sensores instalados. Essas informações que estão na máquina precisam subir para as aplicações e serem integradas aos processos”, disse.

Em sua opinião, as empresas buscam a IoT e automação de processos visando a eficiência operacional e ganho de produtividade. A grande revolução ocorrerá quando houver uma transformação na indústria, com as informações permitindo juntar cadeias de produção, criar novas formas de vendas, trazendo agilidade e uma nova visão de negócios.

Questionado por onde começar a Transformação Digital na empresa, Finizola explicou que este conceito é diferente da visão de projeto que se tinha no passado. “É diferente dos processos tradicionais, que primeiramente se faria uma adequação de TI, sabendo quanto custaria, onde começar e como terminar. Entendendo que é um processo e não mais um projeto, não existe final, a Transformação Digital é algo contínuo e para sempre”, disse. “Colocamos os sensores e devices, conectamos aos processos industriais e nesse momento se revelam informações, que antes a operação da fábrica não conhecia. Com essa experiência, se volta para a busca de mais informações, de novos sensores, de sair do chão da fábrica, de levar para o pátio, levar para a revenda, levar para o Brasil todo, integrar com outros sistemas. É um processo de interação, não é sequencial”, explicou o executivo.

Serviço
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