Tecnologia

Futuro do 5G depende do espectro de 6 GHz

Operadoras e fornecedores de infraestrutura defendem que a faixa de 6425–7125 MHz seja reservada para a telefonia celular

O International Telecommunication Union – Radiocommunications (ITU-R) está trabalhando em um estudo para apresentar na Conferência Mundial de Radiocomunicação de 2023 (WRC-23), avaliando a viabilidade de alocar a faixa de 6425–7125 MHz para o serviço de telefonia celular (IMT). Espera-se que os parâmetros técnicos e a modelagem do canal sejam concluídos em junho de 2021. Paralelamente, fornecedores de infraestrutura e operadoras de telefonia móvel realizam debates defendendo essa tese no mundo todo, a última foi na terça-feira (15/12), organizada pela Huawei, Nokia, Ericsson e ZTE. O grupo pede que os países dediquem grande parte ou a totalidade da faixa de 6 GHz para o serviço celular, argumentando que a tecnologia já está avançada o suficiente para evitar interferências em outros serviços, como micro-ondas e satélites.

A discussão não é simples: a banda de 6 GHz representa uma oportunidade para fornecer espectro de banda média crítico que será necessário para 5G no futuro, de forma a fornecer cobertura urbana e suburbana de alta capacidade em toda a cidade, para complementar o espectro de 3,5 GHz, que não será suficiente a longo prazo. Uma ampla gama de operadoras móveis e fabricantes de equipamentos suportam a faixa de 5925/6425-7125 MHz como alta prioridade para IMT futuro para aumentar a capacidade 5G e disponibilidade de serviços. E é isso que será discutido no WRC-23.

Em uma consulta aos associados, 90% colocaram a banda 6425-7125 MHz como uma alta prioridade para IMT  

Esta análise está acontecendo em um momento em que os governos estão começando a pensar sobre o uso futuro da banda de 6 GHz em 5925-7125 MHz. Compreender o equilíbrio entre 5G licenciado e Wi-Fi/5G NR-U (5G não licenciado) é uma grande parte desse processo. Os planos até agora se dividiram em grupos diferentes: a China apoiou o uso desse espectro para 5G licenciado, enquanto os Estados Unidos foram na direção oposta. A Europa, refletindo sobre o uso atual da banda para sistemas de backhaul (interligação das estações rádio-base), limitou o uso de aplicativos isentos de licença aos 500 MHz inferiores. Este ponto de divisão em 6425 MHz está sendo considerado por outros países e é também assim que o WRC-23 divide a banda, com 6425-7125 MHz em discussão na Região 1 (Europa, África e parte da Ásia) como um todo para IMT.

As regiões 2 (América) e 3 (Ásia) discutirão apenas 100 MHz da banda na WRC-23, mas na GSMA, entidade que representa as operadoras de celular (MNOs) o interesse nesta banda é claro: é de alta prioridade para uso com sistemas 5G em uma base global. Em uma consulta aos associados, 90% colocaram a banda 6425-7125 MHz como uma alta prioridade para IMT. As MNOs estão fazendo isso porque acreditam que podem ser competitivas e a análise de TCO do 5G NR (não licenciado) as sustenta.

A GSMA já se manifestou sobre o apoio de um desenvolvimento balanceado de 6 GHz no Brasil, permitindo espectro para Wi-Fi e 5G. Isso veria a banda 5925-6425 MHz discutida para uso não licenciado, enquanto 6425-7125 MHz seria usada para 5G licenciado. A entidade acredita que esta é a opção mais segura daqui para garantir que ambas as tecnologias possam florescer, uma vez que não é uma decisão que será facilmente revertida após implementada.

Serviço www.gsma.com

 

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