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Defasagem tecnológica entre Brasil e China pode chegar a cinco anos

Open Banking, novas tecnologias e o novo mercado financeiro

Em três anos ou, no máximo em cinco, o Brasil deverá estar no mesmo nível de adoção de tecnologias no qual hoje se encontra a China, país que em seis anos terá 70% de suas exportações em produtos de alto valor agregado.

O mobile payment é usado por toda a população daquele país. Toda mesmo. Inclusive por pessoas que pedem esmola na rua e, outro exemplo, vem das soluções de Face recognition, que são usadas para acesso a linhas de metrô e de ônibus que, ao ser validado o rosto, basta girar a catraca. Estas afirmações são de Felipe Zmoginski, secretário executivo da Inovasia, Associação Brasileira de Online to Offline – O2O. Ele falou sobre o atual estado tecnológico no país com a maior população mundial e as novas soluções financeiras no Fintech View, onde especialistas e representantes de órgãos reguladores também analisaram desafios para o ecossistema como a LGPD e o cenário internacional.

Hoje 167 milhões de chineses já usam a tecnologia 5G e cerca de 15% dos brasileiros usarão em três anos

O prenúncio de profundas mudanças no âmbito pessoal, social e corporativo chega, claro, no mercado financeiro, tido como um dos maiores – senão o maior – investidor em inovação tecnológica desde os antigos ATMs e processos de automação bancária. Hoje, a transformação digital coloca grandes desafios frente a tendências e, mesmo, padrões que já estão mudando na relação dos clientes com os bancos e no modelo atual de interação entre eles. Ou seja, o mundo já vive essa transformação, apesar de incipiente e ninguém saber quando ou se terminará.

Para o diretor, o ‘gap’ entre o Brasil e a China é de cinco anos. “Hoje 167 milhões de chineses já usam a tecnologia 5G e cerca de 15% dos brasileiros usarão em três anos”, compara. Quanto a face recognition, aqui no Brasil, a Gol já está em fase de testes, usando algoritmo próprio e oferecendo filas mais rápidas para quem teve imagem capturada. Para impulsionar essa adoção de forma mais generalizada é importante a força do governo. “Poderia agir no sentido de criar a base de dados, determinando seu uso, por exemplo, no Imposto de Renda e em ações da Secretaria de Segurança Pública”.

Era da mobilidade
Ao despontar como polo gerador de tecnologia, a China se destaca no uso intenso das novas soluções tecnológicas. É possível efetuar todas as transações via celular. “Conheço pessoas que ficaram oito meses sem ir ao banco sacar dinheiro”, conta Zmoginski.

Hoje, tudo é feito via smartphones: desde abrir uma porta, com fechadura digital, pagamentos, uso do QR Code, até mobile payment. No país que inventou o papel, a pólvora, a seda e a bússola entre muitos outros, o QR Code, que está entrando em uso agora, no Brasil, já está sendo substituído pela tecnologia de face recognition em verticais como hotelaria, assinatura digital, aeroportos, além da área de segurança pública, na China.

Tendências
O período é de transição e a biometria facial passa a ser exigida pelos bancos na hora de abrir uma nova conta e, para decolar, o mobile payment, precisa do cashback. “Hoje vão ganhar dinheiro as principais carteiras que agem como banco; vão monetizar como os bancos são monetizados”, destaca o executivo.

Entre as principais tendências estão o já citado face recognition, os investimentos, onde apps passaram a operar como corretores e gestores, e a oferecer crédito e financiamento. Também se destacam social score, P2P landing e microcrédito. Espera-se maior regulação por parte do governo.

No Brasil, de acordo com o estudo Banco Digital 2019 que buscou saber como internautas se relacionam e avaliam o uso dos bancos de maneira geral e dos neobanks em particular, a disposição em abrir uma conta em um neobank registrou queda de 2017 para 2019. A opção “Totalmente Dispostos” foi de 28 para 20% e a nota média também caiu, de 7,2 na primeira edição da pesquisa, para 6,1 em 2019.

A segurança continua sendo critério fundamental em um banco digital, mas o estudo descobriu que é baixo o conhecimento sobre a ação de hackers. E mesmo os que conhecem não tomaram atitudes muito concretas para sua proteção.

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