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Código aberto é a bola da vez

As plataformas de open source cresceram com os avanços da nuvem e com as iniciativas das organizações para a Transformação Digital dos negócios. Até gigantes, antes resistentes, se renderam à tecnologia para atender a clientes de ambientes heterogêneos

Menosprezado no passado pelas produtoras de software proprietário, o código aberto cresceu, amadureceu e se tornou o queridinho do mercado, caindo nas graças até da Microsoft; prova maior de que faz todo sentido para os negócios. Hoje as aplicações open source, ou código aberto – código fonte de um software de utilização livre, mas que não deve ser confundido com o software livre –, contemplam as ofertas da maioria dos fornecedores de TI e ajudam a acelerar a Transformação Digital em organizações de diversos segmentos da economia.

Considerada a bola da vez, a tecnologia abre oportunidade de negócios para revendas e integradores terem domínio das plataformas e ampliar o menu de ofertas. Nesse sentido, podem desenvolver aplicativos para embarcar em soluções de negócios digitais, gerenciar infraestruturas, prestar consultoria e ajudar as companhias na migração para a nuvem.

“O código aberto cresceu muito em infraestrutura e na gestão de ambientes, camadas que mantêm a TI das empresas em funcionamento”, avalia Pietro Delai, gerente para América Latina da consultoria IDC, especializado em software e aplicações em nuvem. Ele percebe uma participação forte do open source também na área de desenvolvimento, embalada pela expansão da computação em nuvem e pela necessidade das empresas disporem de aplicativos com mais rapidez, para transformar suas atividades-fim.

Entres as tecnologias open source que estão avançando no mercado, Delai menciona as plataformas de virtualização e o sistema operacional Linux. “Percebemos avanços de Linux não só na área de TI das empresas. Esse sistema está entrando fortemente nos carros conectados e em drones, por exemplo”, afirma.

Inovação com agilidade
Uma pesquisa divulgada pela Red Hat, em abril deste ano confirma a expansão do código aberto. O estudo global, conduzido pela consultoria Illuminas, com 950 líderes que atuam no setor de Tecnologia da Informação revelou que 68% deles aumentaram o uso dessa modalidade de software no último ano. Mais da metade (59%) disse que planeja ampliar a adesão dessas soluções nos próximos 12 meses.

Para 69% dos líderes entrevistados, o open source é importante para a estratégia geral de software de infraestrutura empresarial. Mais de 40% deles também disseram que estão usando a solução para acelerar a – olha ela aí de novo –, Transformação Digital.

Boris Kuszka, diretor dos arquitetos de solução da Red Hat Brasil, conta que passou a fase do preconceito contra código aberto. “Hoje praticamente todas as companhias estão usando alguma solução de open source para acelerar os processos de inovação”.

Muitos dos projetos de Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), Business Analytics e Machine Learning que vêm sendo implementados pelas companhias estão sendo suportados por este modelo colaborativo. “Ninguém mais quer ficar preso a sistemas proprietários. Todos estão em busca de versatilidade e de agilidade”, ressalta o executivo da Red Hat.

José Lima, engenheiro de sistemas da Citrix, acrescenta que “estamos em um momento de entrega ágil dos aplicativos”. Porém, na sua visão, a maioria das empresas ainda utiliza o modelo monolítico para o desenvolvimento de software com produções demoradas, limitações para inclusão de novas funções e, inclusive para fazer atualizações.

“O sistema Linux avança não só na área de TI das empresas, mas nos carros conectados e em drones”

A comunidade de código aberto quer encurtar caminho com a abordagem de microsserviços para o desenvolvimento de aplicativos em contêiner, o qual permite atualizações em questão de horas, e não em meses como no sistema monolítico. Lima conta que esse é o modelo utilizado por empresas digitais, como a Uber, que têm necessidade de liberar constantemente novas versões de seu aplicativo aos usuários.

Vantagens do queridinho
Além de mais agilidade no desenvolvimento de software, o código aberto promete outros benefícios se comparado com os sistemas proprietários. Sergio Toshio, vice-presidente da Suse para América Latina, aponta o custo mais baixo das implementações, a flexibilidade e a confiabilidade da tecnologia.

“As empresas já estão olhando o código aberto como a primeira opção”, garante o executivo, citando o exemplo da SAP, que desenvolveu o sistema Hana de processamento de dados em memória em ambiente aberto. “É a única opção que o mercado tem hoje dessa solução”.

Wagner Arnaut, CTO de Cloud na IBM Brasil, explica que hoje é mais barato investir em open source, porque existe mais mão de obra especializada nessa tecnologia. A comunidade é extensa e as universidades, segundo ele, estão formando mais profissionais com conhecimento em código aberto do que em software comercial.

O executivo da IBM destaca que as soluções desenvolvidas em código aberto falam a mesma língua e facilitam a transição para o ambiente cloud, assim como a portabilidade. “Há dificuldades para mover aplicações que não estão em códigos padronizados de um provedor para outro”, explica, enfatizando que os sistemas proprietários geram dependência e que hoje as organizações querem liberdade.

Antes maligno, hoje um amor
Com sua escalada no mercado, o open source se tornou caso de amor da Microsoft. Em 2001, o então CEO da dona do Windows, Steve Ballmer, comentou que o Linux era ‘um câncer maligno que ameaçava a propriedade intelectual’. Essa visão mudou quando Satya Nadella, atual CEO da empresa de Bill Gates disse, em 2005, que a Microsoft ama Linux.

“A visão da Microsoft mudou porque percebeu que o mundo também está mudando com nuvem e mobilidade. Foi um movimento acertado”, entende Roberto Prado, CTO da Microsoft Brasil. Ele avalia que o reposicionamento “foi um grande fator de transformação da companhia”.

Em 2014, a empresa mudou o nome do serviço de cloud de Windows Azure para Microsoft Azure. “A nuvem da Microsoft é aberta e está pronta para receber os clientes de ambientes heterogêneos”, informa Prado.

A Microsoft se tornou integrante da Linux Foundation, em 2016, com o objetivo de se aproximar da comunidade de código aberto. Há cerca de dois anos apresentou uma versão do seu banco de dados SQL Server para Linux. No ano passado reforçou suas apostas em open source com a compra da GitHub, plataforma de compartilhamento de códigos de programas, que conta 28 milhões de desenvolvedores em todo mundo.

“Muitos dos projetos de IA, IoT, Business Analytics e Machine Learning estão sendo suportados por open source”

Por dentro das corporações
É crescente a importância do já conhecido Inner Source, que pode ser definido como o uso das melhores práticas de código aberto para o desenvolvimento de software dentro dos limites de uma organização. De forma simples, é a forma segura de levar o open source para as grandes empresas, com boas práticas de governança corporativa.

Nessa seara, entre outros, destaca-se o GitHub, plataforma colaborativa do mundo de desenvolvimento de software, adquirida pela Microsoft em junho de 2018, por US$ 7,5 milhões e que é mantida como uma unidade independente e neutra pela companhia. Com o GitHub é possível hospedar e revisar código, gerenciar projetos e construir software com segurança e governança em uma plataforma utilizada por mais de 35 milhões de desenvolvedores e 2,1 milhões de organizações em todo o mundo.

No Brasil, o repositório tem representantes como CI&T, RSI Infra, Sempre IT, Better Now e a gaúcha ilegra, empresa de design, inovação e software.

A plataforma provê segurança, flexibilidade, compliance e controles de implementação para todos os tipos e tamanhos de empresa, cobrindo os mais complexos padrões de segurança e escalabilidade.

Isto pode ser comprovado pela diversidade dos clientes da ilegra: Whirlpool, Thomson Reuters, Agco, Sompo, Movile, Bradesco, Fiat Chrysler. A empresa brasileira tem como missão facilitar o processo de contratação da ferramenta, já com contratos em Português e moeda local.

No início deste ano, o GitHub anunciou duas grandes atualizações das atuais ofertas Free e Enterprise, com o objetivo de tornar a plataforma mais acessível aos desenvolvedores: repositórios privados gratuitos ilimitados e uma Enterprise mais simples e unificada.

Vale lembrar que o GitHub tem origem no sistema de controle e acompanhamento de software para trabalho em equipe – o Git, criado por Linus Torvalds, em 2005, com a proposta de controlar o desenvolvimento do kernel do Linux. O GitHub é sua versão para a Web.

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