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Cabos submarinos: conectando o futuro

Conheça os detalhes dos cabos que ligam o Brasil ao mundo

Para conectar mais pessoas e empresas ao futuro, não podemos nos ater ao que está à vista na superfície. Pelo contrário, é preciso mergulhar bem fundo! E olha que não estamos falando da temida deep web: cabos submarinos transmitem energia e informações como voz, dados e imagens, inclusive os da deep web, a milhares de metros de profundidade em mares e oceanos mundo afora.

A Internet, assim como toda a comunicação por voz e dados, tal como a conhecemos hoje, por exemplo, só é viável e cada vez mais veloz graças aos 378 cabos submarinos de telecomunicações segundo a TeleGeography em operação pelo mundo, cuja extensão total de 1.2 milhão de km seria suficiente para dar 30 voltas ao mundo.

Atualmente, o Brasil está conectado em pelo menos um ponto de seu território a 19 cabos, sendo que 12 deles passam por Fortaleza-CE, o maior hub do País. A capital cearense é seguida por Rio de Janeiro-RJ (8) e Santos-SP (5)  

Como eles funcionam?
Os cabos submarinos basicamente conectam estações terrestres das redes de telecomunicações entre continentes, países e até mesmo regiões do mesmo país. Tudo começou pouco depois da invenção do telégrafo em meados do século XIX, quando era preciso transmitir mensagens de telegrafia a longas distâncias. Centenas de anos depois, eles são a vitrine do avanço na tecnologia de fibras ópticas.

Atualmente, o Brasil está conectado em pelo menos um ponto de seu território a 19 cabos, sendo que 12 deles passam por Fortaleza-CE, o maior hub do País. A capital cearense é seguida por Rio de Janeiro-RJ (8) e Santos-SP (5).

Curiosamente, o Brasil possui um dos menores cabos submarinos do mundo, de apenas 2.5 km, conectando Ilhabela a São Sebastião no litoral norte paulista – uma realidade bem distante dos 39 mil km do SeaMeWe-3, que conecta mais de 30 países entre o Sudeste Asiático e a Europa.

Quem são os donos?
Cada projeto de cabo submarino costuma custar centenas de milhões de dólares. Por isso, não é raro que empresas de telecomunicações e tecnologia se unam em um consórcio para custear e utilizar a rede projetada.

Empresas como Google, Amazon, Microsoft e Facebook, cuja demanda por banda larga tende a crescer, têm investido muito no setor. Ao longo dos últimos três anos, o Google já investiu aproximadamente US$ 47 bilhões em infraestrutura, incluindo a aquisição de cabos submarinos. Um exemplo é o cabo Monet, de quase 11 mil km e que desde 2018 liga Santos e Fortaleza no Brasil a Boca Ratón na Flórida (EUA), cujo o investimento girou em torno de US$ 400 milhões.

“A maior parte dos cabos são administrados por operadoras especializadas, que permitem o uso da infraestrutura instalada por meio da venda de pacote de dados, ou seja, a quantidade de dados transportados. Porém empresas como Google e Facebook têm entrado forte no jogo para terem suas próprias redes e melhorarem seus serviços”, explica Jeferson Werlich, gerente comercial da divisão de cabos submarinos de telecomunicações do Grupo Prysmian,  fabricante de cabos e sistemas de energia e telecom.

Como são por dentro?
O fundo de mares e oceanos configura um cenário hostil, exigindo dos cabos tecnologia suficiente para suportar a pressão atmosférica, tremores e até mesmo mordidas de tubarões. Apesar dos perigos subaquáticos, a maior ameaça aos cabos é curiosamente originada pelos humanos na superfície, seja pela pesca, com o enrosco de linhas e redes, seja pelo lançamento de âncoras das embarcações que podem se enroscar nos cabos pelo caminho.

Eles geralmente pesam de 0,3 a 2 kg por metro, podem ficar submersos até a 8 mil metros e possuem de 12 a 30 mm de diâmetro. O número de camadas de proteção, no entanto, varia conforme as especificidades da rota.

Ao contrário do que se pode imaginar, quanto mais próximo da costa, mais bem protegidos eles precisam estar – é por isso que não podemos vê-los nas praias e encostas, pois mesmo em terra firme, eles estão metros abaixo dos nossos pés.

A maioria dos cabos de longa distância hoje costumam carregar de dois a seis pares de fibra, sendo que cada par de fibra pode transportar algo em torno de 20 a 30 terabytes de dados, dependendo da tecnologia de transmissão aplicada.

Como são instalados?
Como se pode imaginar, a instalação é bastante complexa. Sendo executada por navios especializados, cuja abordagem mais comum é lançar o cabo de um ponto inicial para o outro. Em águas profundas (alto mar), é possível instalar de 100 a 200 km por dia, dependendo da rota, do tempo e do navio. Já mais perto da terra, a complexidade aumenta, visto que são cabos mais pesados, sendo preciso enterrá-los ou protegê-los, o que diminuiu drasticamente a produtividade de instalação.

Em águas profundas, os cabos são posicionados diretamente no fundo do mar, e em águas rasas, são enterrados ou protegidos por estruturas específicas, levando-os até o ponto de atracação em terra.

“As operadoras desenvolvem os cabos em parceria com o mercado de fornecedores, como o Grupo Prysmian, de modo que o projeto em geral seja planejado e executado de forma turn-key (pacote integrado do projeto), superando desafios inerentes a este tipo de aplicação como escolher a rota, amplificadores de sinal, cabos, equipamentos de transmissão e instalação de ponta a ponta de todo sistema”, completa Werlich.

 

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