Mercado

Black Friday em tempos de pandemia

Para Fábio Gaia, haverá poucas ofertas de eletroeletrônicos e muitos consumidores já anteciparam suas compras por ficarem mais tempo em casa

Fábio Gaia, um ícone no mercado de distribuição de TI, que comandou a Officer por mais de 28 anos e hoje é vice-presidente da Golden Distribuidora, participou ontem do webinar Black Friday em Negócios B2B, realizado pela Vtex. Também participaram do evento Fernando Barros, head de B2B da Vtex, e Frederico Hietmann, sócio-diretor da Acct.

A primeira questão colocada para Gaia foi o papel do B2B (Business to Business) na Black Friday. “Para mim, o B2B antecipa a data, ele tem a função de suprir os pontos de vendas que vão ter contato com os consumidores finais. Entendo o B2B como aquele elemento que faz a retaguarda das lojas”, explicou Gaia. Para ele, a responsabilidade do B2B este ano será maior, já que desde março houve uma aceleração nos processos de digitalização tanto dos fabricantes, quanto dos distribuidores, para dar suporte às necessidades dos clientes.

“Vamos passar pela primeira Black Friday em um ano de pandemia e todos têm dúvidas de como será o comportamento dos consumidores. Se criou uma expectativa nos últimos dez anos em relação a essa data, que hoje é a mais importante para algumas categorias de produtos, mais até do que o Natal e Dia das Mães”, comentou Gaia. “Quando surgiu nos EUA, era uma data de início das compras de Natal. Ela surge no dia seguinte ao Thanksgiving, o Dia da Ação de Graça, que ocorre na última quinta-feira de novembro. No início, era basicamente para o mundo físico, com grandes aglomerações em frente às lojas”, explicou.

De acordo com o executivo, quando veio para o Brasil, apesar de também ter essa característica de mundo físico, já houve uma grande participação do comércio eletrônico, que estava crescendo. “É uma data importante, a maior parte dos consumidores se prepara três meses antes, pesquisando o que vão comprar, montam listas de desejos, entram nos sites para saber dos preços e depois comparar se tem desconto significativo, se não é a metade do dobro”, disse.

Só que este ano o cenário será diferente. Com a pandemia de Covid-19, dois fatores vão pesar bastante. Por um lado, houve uma explosão no comércio eletrônico desde o fim de março. “O crescimento foi brutal. Só no Mercado Livre, entraram mais de 5 milhões de novos consumidores, e no Brasil foram mais de 7 milhões que compraram pela primeira vez virtualmente”, afirmou Gaia. “Será que as compras já não foram antecipadas? Será que o consumidor já não trocou a TV, o notebook, o smartphone, os itens de decoração e de cozinha, já que ficou mais tempo em casa? Vamos passar pelo desafio de entender o comportamento do consumidor”, disse.

Por conta da pandemia, temos certeza que a procura por produtos de cozinha será grande. Outra categoria que deve crescer é a de roupas para usar em casa, como moletons, tênis e chinelo 

O segundo ponto, na opinião do executivo, é que a Black Friday sempre foi um evento da indústria, só que ela, devido à grande demanda dos últimos meses, está com problemas de disponibilidade. “Com a pandemia, a China teve dificuldades em manter o fluxo de matérias-primas e produtos acabados. Com o aumento no consumo no mundo todo, já que as pessoas compraram para ficar em casa, a capacidade de oferta é pequena”, afirmou.

Oportunidades
Em sua opinião, a questão este ano não será a logística, que já está bem resolvida; também não será do ponto de vista da lucratividade, pois os preços, até pela menor oferta, se estabilizaram em um patamar razoável. “O protagonista, que sempre foi a indústria, será o varejista. Vai fazer a diferença como ele vai atrair o consumidor, a promoção que irá fazer, as categorias com que vai trabalhar para abocanhar uma parcela desse apetite de consumo. Nesse ponto de vista, será uma Black Friday mais desafiadora”, salientou Gaia.

Historicamente, as categorias que mais vendem nesta data são eletroeletrônicos, como smartphones, computadores, acessórios de informática e TVs. Depois vem uma categoria que cresceu nos últimos anos, que é a de decoração. “Por conta da pandemia, temos certeza que a procura por produtos de cozinha será grande. Outra categoria que deve crescer é a de roupas para usar em casa, como moletons, tênis e chinelo”, afirmou. Quem pensa em comprar smartphones e eletroeletrônicos, vai encontrar preços maiores e menos ofertas, já que há dificuldade de disponibilidade de produtos.

“Quem trabalha com esses itens com mais disponibilidade, não perca a chance, é uma forma de estar com os clientes, uma oportunidade importante de venda em um ano em que muitas lojas ficaram fechadas. Estejam com seus clientes, coloquem produtos para eles oferecerem”, aconselhou Gaia. “Este ano será a Black Friday da criatividade dos canais de venda”, previu.

Serviço
www.vtex.com

 

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