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Antropologia, tecnologia, HCI e chave de fendas

É comum em alguns eventos sobre tecnologia que um conhecido e respeitado CTO do mercado participe, que ele inicie suas apresentações usando uma abordagem antropológica. Algumas pessoas acham que é um empréstimo do termo de ciências humanas com o objetivo de simplificar a compreensão do tema, mas acontece o oposto!

Antropologia é a ciência que se dedica ao estudo aprofundado do ser humano. O termo tem origem nas palavras gregas “anthropos” (homem, ser humano) e “logos” (conhecimento). No sentido mais amplo é a ciência do homem, que engloba as suas origens, evolução, desenvolvimentos físico, material e cultural, a fisiologia e psicologia, características raciais, costumes sociais, crenças etc.

No nosso contexto, a antropologia estuda o homem e os usos que ele deu ou dá às ferramentas, que por sua vez representam meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana, que se traduzem em instrumentos tecnológicos. E há novas áreas de estudos antropológicos, as quais têm se debruçado sobre as questões relacionadas a ciência e a tecnologia, que representam o estudo sistemático sobre técnicas, processos e métodos.

Os temas de Antropologia que mais rapidamente nos vem à mente sempre giram em torno dos estudos relacionados aos povos isolados. Esses estudos são baseados no método etnográfico, onde a parte de tecnologia é aquela que consiste no estudo de um objeto por vivência direta da realidade onde o mesmo está inserido. Mas há uma parte da atual antropologia da tecnologia que trata dos temas que giram em torno das ciências e meios das interfaces humano-máquinas, as quais incluem todas as categorias de hardwares e softwares.

Nesse campo são discutidas as questões de “tecnociência”, além de embates entre práticas e usos de conhecimentos científicos e minoritários pelo homem.

No caso específico, o uso dessa abordagem visa responder às razões do surgimento de determinada tecnologia, pois ela sempre está associada ao atendimento de uma necessidade, seja ela para a busca de soluções aos problemas existentes, melhorar a velocidade de processos, ganhar escala nos resultados, adequar razões econômicas ou a simples busca de novas práticas. Quaisquer que sejam as razões, a tecnologia da informação sempre surge com um propósito claro e definido.

Um exemplo atual, latente em todos os círculos da tecnologia da informação é a questão da Hiperconvergência. Essa tecnologia adveio da necessidade de se gerenciar e operar a complexidade de instalações de shared storage, as quais não tinham um volume suficiente para justificar a manutenção de equipes especializadas em storage. Essa necessidade empurrou equipes de TI na busca por melhorias de processos que permitissem a expansão da capacidade instalada de forma simplificada, usando componentes de domínio natural dos seus operadores.

A resposta veio com as soluções de convergência e sua evolução para hiperconvergência, o que permitiu a simplificação dos ambientes através da utilização compartilhada de recursos locais dos servidores, eliminando as tarefas de gerência de storage e SANs. Isso também habilitou a racionalização dos custos de aquisição e expansão, e disponibilidade dos recursos compartilhados, trazendo novas práticas operacionais que eliminaram tarefas complexas e arriscadas e melhoraram em muito a velocidade para expansões.

Esse conjunto de fatores trouxe um propósito claro e definido para as estratégias de gestão de TI, agregando computação e armazenamento de forma padronizada e simplificada, habilitando uma experiência de elasticidade e liberdade tal qual é ofertada na computação em nuvem/CLOUD. E essa hoje e a parte que não é bem “lembrada”, fazendo com que a adoção de soluções que trazem limitações em sua concepção não atendam plenamente às necessidades originais e tragam os antigos problemas de volta, disfarçados em outros formatos.

Em tempos de busca contínua por eficiência operacional essa abordagem antropológica ajuda em muito a responder questões sutis na escolha e uso dos melhores métodos e instrumentos, evitando-se assim o “pregar pregos usando chave de fendas”. Sabemos que é possível e até pode ser feito, mas o tempo, custo e efetividade dos resultados são bastante questionáveis!

Por Jorge Moskovitz, diretor de vendas da Vortex TI

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