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5G: propulsor das Telecomunicações

Todas as tecnologias e tendências da prática de telecom estão atreladas à nova rede, que promete com sua velocidade extrema impulsionar negócios, com reflexos generosos para o canal de distribuição

Em dois anos – 2021, o mundo terá o incrível número de 25 bilhões de dispositivos conectados, sejam eles smartphones, geladeiras, tevês, roupas ou o que mais a imaginação ousar conectar à Internet e às redes de comunicação – de acordo com o Gartner. É bom saber que o presente ou as projeções estão umbilicalmente atadas ao advento e à implementação das redes de quinta geração de Internet móvel ou de sistema sem fio, que representa a futura geração de telecomunicação móvel, ou, simplesmente, 5G.

Não por acaso, as telecomunicações no Brasil vêm passando por uma significativa transformação em suas redes, nos serviços e modelos de negócio, e segue a tendência mundial de crescimento da conectividade de dados de banda larga, com queda nas conexões de voz e aumento exponencial dos serviços de streaming. Dentre as principais tendências, impulsionadas especialmente pelo desenvolvimento de novas tecnologias, estão a virtualização das redes, Inteligência Artificial – IA, Internet das Coisas – IoT, Realidade Aumentada – RA, e Realidade Virtual – RV, Edge Computing, Cloud – com seus diversos modelos de serviços como o IaaS, NaaS, PaaS etc – e, claro, tudo turbinado pela rede 5G.

Mauro Fukuda _ Oi“A tecnologia 5G suportará inúmeros casos de uso emergentes, especialmente àqueles que demandarão aplicações para Internet ultrarrápida, de baixa latência e com alta confiabilidade de rede. Vale destacar que a 5G está sendo concebida para ser a rede das redes, que permitirá a convergência tecnológica das redes fixas e móveis”, aponta Mauro Fukuda, diretor de estratégia, tecnologia e arquitetura de rede da Oi. Ele completa afirmando que a rede de transmissão e IP da Oi atende a mais de 5,5 mil municípios e está sendo continuamente expandida e evoluindo para um modelo que atenderá às necessidades futuras da 5G e de todas as demais tendências para os próximos anos.

Provedora de telecom do grupo mineiro Algar, a Algar Telecom enxerga o futuro das telecomunicações de modo mais “pessoal, enraizado e ubíquo”, um cenário no qual não serão apenas um telefone sob demanda, mas sim, dispositivos que permitam a total interação do tempo com os demais usuários e coisas. “Dessa forma, a 5G irá basicamente pavimentar a via na qual esses serviços trafegarão. “No curto prazo, essa tecnologia será utilizada para melhorar as aplicações já existentes, como a navegação em casa ou nos smartphones”, acrescenta Luis Lima, diretor de operações e tecnologia da Algar Telecom.

A rede 5G na prática
Além de propiciar maior capacidade de transmissão, essa tecnologia oferecerá uma latência muito menor, ou seja, o tempo de resposta da rede diminui a um décimo do tempo atingido em outras redes, como a LTE. Esmiuçando ainda mais, significa que haverá mais banda e menor tempo de resposta, resultando em melhora significativa na experiência do usuário e no uso de aplicações críticas, como telecirurgias ou veículos autônomos.

Para o usuário final, o impacto da 5G será levar a conectividade sem fio de ultra banda larga que permitirá o acesso a conteúdo de vídeo em 4K, ou mesmo games em tempo real. Assim como a Internet das Coisas – IoT, estará cada vez mais presente no cotidiano das pessoas, tanto nas cidades como no campo, no trabalho ou em casa e até mesmo no corpo dos indivíduos. Por outro lado, as operadoras e os clientes (corporativos ou pessoais) ganharão em escala, uma vez que em uma rede 5G será possível conectar um número muito maior de dispositivos e usuários.

A Claro, por exemplo, que se advoga como a primeira operadora a instalar uma antena 5G no Brasil, em outubro de 2018, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, fez testes e pesados investimentos em infraestrutura para acompanhar as atualizações e a modernização dos mercados internacionais, em um processo necessário independentemente da 5G, dentro da visão da companhia. Ou seja, quando a quinta geração chegar ao Brasil, a Claro já estará preparada, agregando conteúdo (a NET) às suas infraestruturas de fibra óptica e de mobilidade.

Com milhões de pessoas e dispositivos conectados, haverá um salto em automação e na operação autônoma das máquinas, viabilizadas pelo uso intensivo de aplicações baseadas em IA. “Aplicações avançadas de Realidade Virtual e mesmo de Realidade Aumentada, também farão parte do dia a dia, enriquecendo as experiências de educação e entretenimento, que se tornarão interativas e imersivas”, projeta Fukuda, da Oi. Um novo mundo, uma nova realidade presente nas redes móveis que, por sua vez, precisarão de uma expansão em infraestrutura traduzida, entre outras, em novas antenas, vias de fibra óptica.

Caminho das redes privadas reaberto
Se a 5G vai impactar o mercado de telecom em todas as suas ramificações é interessante falar de um movimento que pode trazer uma nova vertente de negócios para fornecedores de tecnologia e prestadores de serviços, como integradores, consultorias e demais atores do mercado: a volta das redes privadas, agora com o selo 5G.
Essa é uma conclusão da Capgemini com o estudo ‘5G in Industrial Operations: How Telcos and Industrial Companies Stand to Benefit’: no mundo, 47% das grandes empresas da vertical de indústrias pretendem investir em licenças privadas próprias até 2021.

Essa possibilidade tem um olhar bem definido: transformar a conectividade 5G como um facilitador primário da Transformação Digital e entregar operações mais seguras e eficientes. Algo alimentado pelo desejo de maior autonomia e segurança das empresas, combinado com preocupações sobre as operadoras de telecomunicações serem muito lentas na implementação de redes públicas 5G. No entanto, haverá barreiras regulatórias que diferem de país para país.

O estudo, que entrevistou mais de 800 executivos do setor industrial e 150 que atuam em telecomunicações em 12 países, aponta ainda que um terço das empresas industriais, independentemente do tamanho, planeja solicitar sua própria licença 5G. “Na indústria 4.0, por exemplo, há uma tendência de que boa parte da automação sob a tecnologia 5G realmente ocorra em casa, devido não só à necessidade de baixa latência, com os dados em hosts dentro da própria indústria, quanto à preocupação com o sigilo de dados relativos a processos essenciais à empresa”, completa Lima, da Algar.

Essa tendência, no entanto, depende da forma como será feito o licenciamento nacional. E caso não exista padronização da 5G em espectro livre – que não existe até hoje, parceria com uma operadora será fundamental. Entretanto, é possível que outros setores da economia ou mesmo empresas de menor porte ainda fiquem atrelados às operadoras, seja pelo custo ou pela conveniência.

Mas quais setores, além do industrial podem partir para redes próprias? Mineração, agronegócio, utilities e até mesmo o governo, por diferentes razões e necessidades específicas como cobertura, segurança ou mesmo gestão operacional podem realizar este investimento. E, mesmo independentes, esses projetos ainda devem recorrer às operadoras em diferentes níveis ou modelos de negócios, como um backup da rede principal, ou com serviços especializados e específicos.

Porém, alguns executivos minimizam essa possibilidade. “Os principais casos mundiais têm base na oferta da infraestrutura da tecnologia 5G pelas operadoras que permitirão novos serviços por parte de diversas empresas e segmentos da sociedade. Assim como não era possível imaginar serviços de compartilhamento de veículos antes do 4G, da mesma forma percebemos a proliferação de novas ideias e plataformas que poderão se tornar viáveis fazendo uso das características da quinta geração”, explica Nicolas Driesen, diretor de tecnologia da Huawei Brasil.

E o canal, como fica?
Novidades com forte impacto como a 5G movimentam e geram um ciclo virtuoso de investimentos, sempre com reflexo nos canais e parceiros de negócios dos fabricantes, fornecedores e, no caso, das operadoras. Assim, o mercado passa a se movimentar de uma forma diferente, mais acelerado, motivado pela mudança. “O lançamento da tecnologia 5G fará com que os clientes busquem a novidade de olho na qualidade e inovação tecnológica, aponta Bernardo Pina, diretor de canal empresarial da Oi. De acordo com ele, o canal que estiver preparado, capacitado e estruturado comercialmente, conseguirá sair na frente e surfar essa onda, bem como, incrementar a solução com serviços adicionais para melhor atendimento ao cliente”, aponta.

As oportunidades vão surgir especialmente para os parceiros com perfil de prestadores de serviço de implementação de rede, por conta da nova infraestrutura de telecom que será demandada. Além desses parceiros tradicionais, muitos outros entrarão na cadeia 5G como desenvolvedores de software para as aplicações futuras, provedores de infraestrutura de TI para suportar os novos serviços ou ainda analistas de dados especializados em IA. É certo que as novas ofertas possibilitadas pela 5G abrirão diversas oportunidades no mercado de telecom, TI, infraestrutura e serviços, e em toda sua cadeia de atividades.

Para Giovani Machado, gerente de marketing da Corning, fabricante de fibras ópticas, os canais podem se beneficiar da alta demanda por infraestrutura prevista pelas novas redes 5G, uma vez que serão necessários mais equipamentos e aplicativos, mas sobretudo serviços. “Com isso, será preciso remodelar a logística e o gerenciamento de estoque para atendimento mais eficiente ao mercado”, conclui.

Como parte da estratégia local, a Corning possui parceria com vários canais de distribuição com perfis que endereçam as necessidades dos Internet Service Providers – ISPs. O executivo vê oportunidades no aumento da capilaridade que os canais de distribuição da fabricante possuem e, consequentemente, um incremento no portfólio de produtos. Aponta, ainda, para maior importância na participação dos canais, especialmente no atendimento a um mercado adicional na estratégia da companhia: os pequenos provedores. “O canal tem papel fundamental para impulsionar a atuação no segmento de carrier, além da já existente em enterprise -datacenter-, colaborando para a ampliação de nossa capilaridade”, explica.

Ecossistema estendido
A Huawei acredita na oferta de soluções por meio de operadoras e de integradores no Brasil. Afinal, a combinação de atendimento direto e indireto tem rendido expressivo crescimento, como salienta o diretor de tecnologia da companhia. Isso será possível a partir da oferta de uma nova fronteira em produtos e serviços alinhados com a indústria 4.0, por meio de redes robustas, confiáveis e always-on. E ainda com virtualização de hardware que viabilize projetos, reduzindo distâncias e deslocamentos com o uso de telepresença em operações, e mesmo em telemedicina. Sem esquecer do entretenimento. “Enfim, um ecossistema novo com soluções para atuais desafios outrora intransponíveis ou inviáveis”, completa o executivo.

Esse ecossistema emergente citado por Driesen pode ser uma extrapolação, por exemplo, da estratégia da Algar Telecom e de outras operadoras, que terceirizam praticamente toda a implementação de redes móveis, deixando apenas os serviços mais estratégicos de desenho e projetos realizados internamente. Essa premissa permite uma maior eficiência operacional, dada a sazonalidade das ativações de rede, mas que abre possibilidades para diferentes canais de prestação de serviços. Algo que pode avançar ainda mais com as redes 5G.

Além do canal tradicional que já opera junto à Algar Telecom, a operadora revela que outros integradores serão agregados ao leque de prestadores de serviço. No entanto, se a incerteza com relação às novas aplicações que serão suportadas pela 5G ainda não permite que um perfil definitivo seja traçado, a operadora pretende se antecipar com a certeza de que a demanda por serviços mais especializados e de alto nível será acelerada.

O fato de ter uma fábrica no País permite que as soluções da Corning sejam adequadas à realidade local. Por isso, a empresa aproveita o seu portfólio global e investe em pesquisa e desenvolvimento de produtos customizados e de entrega rápida para o todo o território brasileiro. Neste sentido, atua em conjunto com o canal, desde a análise do projeto até a implementação.

Também com estrutura local, a Huawei aposta na sedução do canal a partir da recente inauguração do laboratório de testes e construções de soluções em conjunto com o Openlab. “Nosso objetivo é proporcionar um ambiente colaborativo de ganha-ganha para nosso ecossistema, provendo recursos e tecnologia de última geração com os melhores produtos inovadores que resultam em soluções disruptivas nos segmentos onde atuamos. Acreditamos neste diferencial e nossos clientes e parceiros têm compartilhado conosco muitos resultados positivos, reforçando a efetividade da estratégia”, entusiasma-se Ricardo Matsui, diretor de desenvolvimento de canais da Huawei Brasil. A sorte está lançada para todos de olho no futuro das telecomunicações, traduzido pela 5G.

O futuro é 5G
Para a consultoria e prestadora de serviços de TIC Capgemini, a 5G é fundamental para a transformação digital. Recente estudo aponta que quando os executivos das empresas industriais foram questionados sobre quais tecnologias serão mais essenciais para sua transformação digital nos próximos cinco anos, 75% mencionaram a 5G como um facilitador importante Computação em nuvem (84%) vem em segundo lugar, à frente de outras inovações tecnológicas como Automação avançada e Inteligência Artificial e Machine Learning.

Não é por acaso que o setor industrial, objeto da pesquisa, acredita que a versatilidade, flexibilidade e confiabilidade da 5G ajudarão a enfrentar os desafios de conectividade, um fator que ainda é visto como limitante à Transformação Digital para 44% dos pesquisados. Algo que pode ser contornado com a nova geração de redes. E, no longo prazo, apontam os executivos das operadoras, teremos a capilarização das redes 5G, com o Edge Computing cada vez mais próximo dos usuários e terminais.

IoT ou Internet em tudo com a 5G!
A promessa da Internet em todos os lugares e objetos está cada vez mais próxima com a tecnologia 5G. As futuras redes de nova geração impulsionarão especialmente as aplicações de Internet das Coisas – IoT, de missão crítica, baixa latência e altas velocidades como Realidade Aumentada – RA, veículos autônomos, IoT industrial, cirurgia remota, aplicações de Internet tátil. Tudo isso em uma única rede.

Outra aplicação cada vez mais possível no horizonte é a dos wearables, ou peças de roupas conectadas na Web, com sensores incorporados que permitirão melhorar a qualidade de vida, a saúde e até mesmo a produtividade das pessoas no trabalho.

Nos próximos anos, de acordo com as projeções, o mercado de IoT será ainda predominantemente de acessos fixos e de curto alcance e não necessitarão de mobilidade plena. Mesmo assim, a maioria dos objetos conectados utilizará tecnologias do tipo Bluetooth e WiFi ou fixos, que usam alguma forma de acesso com fio – via Ethernet, xDSL, FTTH.

Em 2017, a Algar Telecom abriu o centro de inovação Brain, estrutura que desenvolve soluções e tem como uma de suas frentes a atuação em IoT, o que gerou uma unidade de negócios com o objetivo de cuidar do tema de ponta a ponta e que envolve vendas, desenvolvimento, melhorias contínuas, entre outras inciativas.

Já a operadora Oi revela que possui inúmeros casos de uso com IoT, atendendo a diversas verticais com solução para cidades inteligentes envolvendo câmeras – com capacidade de reconhecimento facial e identificação de placas veiculares –, aplicações em segurança pública e gestão de tráfego; sistemas de gestão de frotas; sistemas de monitoração de ambientes de telecom (energia, temperatura, abertura de portas); solução de conectividade para as verticais de agronegócio (máquinas agrícolas); e suporte para viabilização de novas oportunidades de aplicações para IoT Rural.

“Temos uma série de iniciativas com soluções customizadas de IoT para o mercado corporativo através de desenvolvimentos próprios ou via parceiros, garantindo também um conjunto completo de serviços de TIC (Cloud, data center, Big Data, Analytics e segurança, entre outras) para o avanço das aplicações”, enumera Mauro Fukuda, diretor de estratégia, tecnologia e arquitetura de rede da Oi. Ele revela que a operadora tem trabalhado na prospecção e construção de novas soluções de Internet das Coisas via o Oito, hub de empreendedorismo e inovação da companhia, no qual startups concebem novas aplicações, e que atua ainda como suporte ao ecossistema de IoT por meio de seu laboratório de certificação e homologação de dispositivos – Open IoT Lab.

Realidades incrementadas
Uma revolução logo na esquina! As tecnologias de Realidade Aumentada – RA e Realidade Virtual – RV, potencializarão o desenvolvimento de inúmeras aplicações para os mais variados setores: entretenimento, que inclui games e vídeos; comércio, com atendimento virtual, demonstrações e experiência imersiva de compra; indústria (simulação, prototipagem e ferramentas de suporte para manutenção); educação e treinamento; serviços públicos (localização de pontos de interesse, simulação de ambientes e informações). Algo que deve abrir um grande leque de negócios para integradores de soluções e desenvolvedores, bem como demais canais de infraestrutura.

E, como as aplicações necessitarão de baixas latências para propiciar uma experiência em tempo real, será necessário adequar as redes móveis para suportar estes requisitos. As tecnologias de Edge Computing (arquitetura Multi Access Edge Computing) são fundamentais. “Elas permitirão trazer os recursos necessários para o funcionamento destas aplicações mais próximos do usuário, garantindo uma experiência plena e imersiva para o utilizador”, explica Fukuda, da Oi. A operadora já vem preparando sua infraestrutura de rede para suportar esta tecnologia, capilarizando sua rede de fibra e evoluindo para um modelo de transporte convergente e programável.

Mais comedida, a Algar Telecom acredita que a adoção de tecnologias de AR/VR depende muito da disponibilidade de conteúdo e de dispositivos com custos razoáveis para o consumidor final. O papel da operadora, nesse caso, é o de prover uma rede que permita nível de serviço suficientemente para que esses serviços sejam prestados com qualidade. “É o grande desafio dessas aplicações, que exigem baixíssimas latências, enormes taxas de dados e um grau de confiabilidade que praticamente não existe hoje no mercado”, admite Lima, executivo da companhia.

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