
A Inteligência Artificial (IA) já gera impacto real dentro das empresas, mas a maior parte das organizações ainda não conseguiu transformar experimentos em operações escaláveis. Segundo o estudo AI Automation Benchmark Report 2026, da Jitterbit, para 47% dos entrevistados, “responsabilidade da IA”, conceito que reúne segurança, auditabilidade e governança, já é o principal critério na escolha de plataformas e ferramentas.
O levantamento mostra uma mudança importante no centro de decisão das empresas: o CISO, executivo responsável por segurança da informação, passou a ter mais influência sobre projetos de IA do que áreas tradicionalmente ligadas a orçamento e inovação.
“O mercado entrou em uma fase em que a discussão deixou de ser ‘como usar IA’ e passou a ser ‘como controlar IA em escala’. Quem não resolver governança antes da expansão vai enfrentar problemas operacionais e riscos sérios de segurança”, afirma Marcos Oliveira Pinto, Global Software Engineering Manager da Jitterbit.
Os principais riscos atuais não estão necessariamente nas plataformas aprovadas oficialmente pelas empresas, mas no uso paralelo e descontrolado da tecnologia, revela o estudo. Quase metade da utilização corporativa de IA acontece fora da visibilidade da TI, em contas pessoais ou aplicações não homologadas, movimento conhecido como Shadow AI.
Ao mesmo tempo, cresce o uso de agentes autônomos com acesso amplo a bases sensíveis de dados. As empresas operam hoje, em média, 28 agentes de IA e projetam chegar a 40 no próximo ano. Em grandes corporações, a expansão prevista até 2027 é de 48%. Outro ponto de atenção é o código gerado automaticamente por IA. Em um terço dos casos analisados pela pesquisa, as ferramentas tradicionais de segurança não conseguiram identificar vulnerabilidades produzidas por código criado por modelos generativos.
A preocupação crescente com segurança começa a alterar também a estratégia tecnológica das empresas. Segundo a pesquisa, 39% dos líderes de TI já abandonaram iniciativas desenvolvidas internamente para adotar plataformas prontas, com certificações e histórico comprovado de conformidade.
“O maior risco hoje é a IA invisível: agentes sem supervisão, aplicações paralelas e automações que surgem fora da governança corporativa”, diz o especialista.
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