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Nas grandes datas, o varejo digital é testado pela imagem

Todo grande torneio de futebol concentra a atenção do país no campo, nas telas e nas redes, mas, para quem opera varejo digital, o teste mais difícil não acontece nos estádios, acontece no catálogo. Nas semanas que antecedem o apito inicial, lojas e marketplaces precisam vestir milhares de produtos com a cara da data: fundos temáticos, recortes por Canal, versões que mudam conforme a competição avança. E precisam fazer isso na velocidade de um calendário que não espera ninguém.

A pressão não é pequena. Só na Black Friday de 2025, o e-commerce brasileiro movimentou mais de R$ 10 bilhões em um único fim de semana, segundo a Neotrust — uma data que, sozinha, chega a render três vezes mais do que um dia comum de vendas. E o pico deixou de ser um ponto isolado no calendário, a própria Black Friday já não cabe em uma sexta-feira, espalha-se por todo o mês de novembro e emenda com o Natal.

Cada um desses eventos comerciais funciona como um teste de estresse da operação visual do varejo, pois é neles que fica exposto o que passa despercebido no resto do ano, que a imagem de produto deixou de ser um detalhe estético e virou um entrave operacional. Quem produz bem, em escala e no prazo, ocupa as prateleiras digitais no momento em que o consumidor está olhando. Quem não consegue chega atrasado a uma janela que dura poucas semanas e não se repete.

A dificuldade se multiplica porque o varejo brasileiro não vende em um lugar só. Um mesmo produto precisa aparecer no site próprio, no Mercado Livre, na Amazon, em uma loja Shopify, nas redes sociais, e cada plataforma tem suas exigências de formato, proporção e padrão. O que era uma foto vira dez entregas diferentes. Para o vendedor de alto volume, que administra milhares de itens em vários canais ao mesmo tempo, a edição manual simplesmente não acompanha o pico. O tempo da equipe é consumido por requisitos técnicos antes mesmo de chegar à parte criativa.

Do outro lado da escala, grandes marcas e marketplaces enfrentam um problema diferente, mas igualmente operacional. O volume é tão alto que, historicamente, a única forma de dar conta era terceirizar, e com isso vêm a lentidão e o custo das agências, além de um risco frequentemente subestimado, que é a perda de consistência. Quando milhares de imagens passam por mãos diferentes e sob pressão de prazo, o padrão da marca escorrega, e padrão visual, para o consumidor, é sinal de confiança. Uma vitrine que parece descuidada justamente em picos de maior tráfego do ano comunica o oposto do que a marca gostaria.

É aqui que o cenário mudou de forma concreta nos últimos anos. A Inteligência Artificial aplicada à imagem de produto reescreveu o limite de capacidade de uma operação visual, transformando em rotina de um dia o que antes levava semanas e dependia de quantas pessoas se conseguia contratar para o pico.

Os números comprovam isso: plataformas dedicadas à produção de imagens com Inteligência Artificial já processam bilhões de imagens por ano, isso é, um volume que, há apenas uma década, exigiria estúdios inteiros e meses de produção.

Padronizar fundo, luz e enquadramento, gerar versões temáticas e adaptar um mesmo ativo para cada Canal deixou de ser o teto da operação, e a pergunta que importa passou a ser menos quantas mãos se tem disponíveis e mais quão bem se orquestra a produção.

Na prática, isso significa configurar templates antes do lançamento de uma campanha, em vez de adaptá-los sob pressão de prazo — definindo padrões de fundo, recortes por Canal e variações sazonais para um catálogo inteiro de uma só vez, para então executá-los em escala quando o momento chegar.

A consequência estratégica é a parte que ainda poucos perceberam. Se a capacidade de produzir imagem deixou de ser o fator limitante, a vantagem competitiva migra de lugar, vai para quem planeja a operação visual como infraestrutura, e não como correria de última hora. Quem se sai melhor nessas datas costuma ser quem trata a produção de imagem com a mesma seriedade dedicada ao estoque e à logística, e não necessariamente quem tem o maior orçamento de mídia.

Os jogos de 2026 serão, mais uma vez, um bom termômetro. Não pela camisa, pela TV ou pela cerveja que vão lotar os anúncios, mas pelo que a data revela sobre a maturidade de cada operação. Os grandes eventos comerciais sempre funcionaram assim: expõem rapidamente quem está preparado e quem está improvisando. A diferença é que, desta vez, o limite que separa os dois grupos não é mais o tamanho da equipe, e sim a capacidade de produzir em escala sem abrir mão de velocidade nem de consistência, uma régua nova que vale a pena ajustar antes do próximo pico.

E a Inteligência Artificial, hoje ao alcance de qualquer operação, deixou de ser o diferencial por si só. O que separa quem aproveita a data de quem apenas reage a ela é saber usá-la bem. Isso significa construir o fluxo de trabalho antes de o pico chegar, e não durante.

Por Larissa Morimoto, gerente de Desenvolvimento da Photoroom.

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