
Em um cenário corporativo cada vez mais orientado por dados, um dos maiores riscos de segurança pode estar justamente nas informações que empresas esqueceram que existem. Arquivos antigos, bancos de dados desatualizados, backups armazenados sem monitoramento, sistemas legados e credenciais sem uso ativo passaram a representar uma superfície silenciosa e crescente para ataques cibernéticos.
A expansão acelerada da digitalização fez com que empresas acumulassem grandes volumes de informações ao longo dos anos, muitas vezes sem políticas claras de descarte, classificação ou monitoramento contínuo. O problema é que, mesmo sem uso operacional, esses dados continuam acessíveis em servidores, Nuvens, dispositivos ou ambientes híbridos e frequentemente fora do radar das equipes de segurança.
O tema ganhou relevância à medida que ataques passaram a explorar vulnerabilidades em ambientes considerados “secundários”. Credenciais antigas, aplicações sem atualização e repositórios esquecidos têm sido utilizados como pontos de acesso por criminosos digitais justamente por receberem menos atenção dos controles tradicionais de segurança.
Segundo o relatório “Sophos Active Adversary Report 2025”, credenciais comprometidas foram a principal causa raiz dos ataques cibernéticos pelo segundo ano consecutivo, aparecendo em 41% dos casos analisados. O levantamento também aponta que 56% dos invasores conseguiram acesso aos ambientes corporativos utilizando contas válidas e serviços remotos expostos, muitas vezes ligados a acessos antigos, permissões sem revisão e ativos pouco monitorados.
Além do impacto operacional, o risco também envolve conformidade regulatória e exposição de dados sensíveis. Informações antigas podem conter registros financeiros, documentos internos, credenciais de acesso e até dados pessoais protegidos por legislações como a LGPD. Em muitos casos, o problema não está apenas em um vazamento ativo, mas na simples permanência de dados sem governança adequada.
“Existe uma falsa percepção de que apenas os ambientes críticos e ativos representam risco. Hoje, muitos ataques começam justamente em estruturas esquecidas pela operação, como backups antigos, sistemas legados ou acessos que nunca foram desativados. O dado sem gestão também se torna vulnerabilidade”, Augusto Eduardo Fernandes Saraiva, Engineering Sales Specialist da Adistec.
Segundo o executivo, o avanço da inteligência artificial e da automação também aumentou a capacidade dos criminosos de localizar falhas ocultas dentro das infraestruturas corporativas. “Os ataques estão cada vez mais rápidos e automatizados. Muitas vezes, sistemas esquecidos acabam sendo os alvos mais fáceis justamente porque ficaram anos sem revisão, atualização ou monitoramento adequado”, explica Saraiva.
Como reduzir os riscos?
O especialista alerta que o primeiro passo é entender que segurança digital não envolve apenas proteger ambientes críticos, mas também manter controle sobre todo o ciclo de vida da informação. Isso inclui mapear ativos digitais, revisar constantemente permissões de acesso, eliminar credenciais obsoletas e estabelecer políticas claras de retenção e descarte de dados.
A adoção de ferramentas de monitoramento contínuo, inventário automatizado de ativos e gestão integrada de ambientes híbridos também ganha importância diante da crescente complexidade das operações corporativas. Sistemas antigos e aplicações legadas precisam ser incluídos nas estratégias de segurança com o mesmo nível de atenção dedicado às infraestruturas mais modernas.
“Muitas empresas ainda possuem ambientes criados há anos que continuam conectados à operação sem qualquer revisão de risco. O problema é que o criminoso não diferencia o que é antigo ou novo: ele procura o caminho mais vulnerável. E, hoje, esse caminho muitas vezes está nos dados esquecidos”, finaliza Saraiva.
Mais do que proteger apenas os sistemas em uso, o desafio atual da cibersegurança passa a incluir tudo aquilo que permanece armazenado, conectado e acessível, mesmo quando já foi esquecido pela empresa.
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