
Camerite lança tecnologia de Inteligência Artificial para analisar padrões e gerar alertas inteligentes em tempo real.
Imagine uma câmera que percebe que algo está errado antes que qualquer coisa aconteça. Que identifica uma pessoa parada por tempo demais na entrada de uma loja, um movimento que foge do padrão do horário, uma situação que o olho humano levaria minutos para notar. Essa câmera já existe, e é brasileira.
A Camerite, rede catarinense especializada em videomonitoramento e pioneira no armazenamento de imagens em Nuvem, avança no desenvolvimento de soluções de Inteligência Artificial voltadas à análise de vídeo. A tecnologia amplia a capacidade de identificar comportamentos, movimentações e situações relevantes em ambientes monitorados, gerando alertas e informações que apoiam ações mais rápidas e assertivas.
Em um caso recente, a tecnologia foi utilizada para criar uma “cerca digital” ao redor de um estabelecimento comercial. A partir de regras previamente configuradas, o sistema identificou a permanência de um indivíduo por um período acima do esperado na área monitorada e gerou um alerta. A equipe de segurança pôde agir rapidamente. Nenhum crime aconteceu.
“A ideia de prever um crime pode soar como ficção científica, mas o que estamos fazendo é estatística aplicada em tempo real”, explica Vinicius Romano, CEO da Camerite. “O sistema não adivinha o futuro. Ele reconhece padrões que historicamente precedem incidentes e comunica isso para quem pode agir, portanto, conta com a decisão humana. É vigilância com inteligência, não apenas com câmeras.”
Mercado em crescimento
O contexto de mercado ajuda a entender por que essa tecnologia chegou agora. O mercado global de IA em videovigilância saiu de US$ 3,9 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 12,5 bilhões até 2030, crescendo 21,3% ao ano, segundo relatório da Research and Markets. No Brasil, a adoção cresce em ritmo ainda mais acelerado, impulsionada pela demanda por soluções que reduzam a dependência de grandes equipes de monitoramento humano.
O segmento de análise comportamental por IA responde a uma dor real das operações de segurança: o excesso de informação. Um operador humano monitorando dezenas de câmeras simultaneamente tem limitações físicas claras. A IA não tem. Ela processa tudo, filtra o que importa e entrega apenas os alertas que merecem atenção. Organizações que adotaram sistemas desse tipo relatam redução de 40% a 60% nos custos operacionais ligados à segurança, considerando pessoal, perdas e deslocamentos desnecessários.
O Brasil já tem exemplos concretos do potencial dessa tecnologia no setor público. Em Goiás, a plataforma “IA Contra o Crime” usa câmeras com Inteligência Artificial para leitura e cruzamento de Dados em tempo real. O resultado: pelo sétimo ano consecutivo em 2025, o estado registrou queda nos principais índices de criminalidade (segundo Dados do portal do governo de Goiás). A tecnologia da Camerite aponta para esse mesmo caminho, com aplicação voltada tanto para o setor privado quanto para projetos governamentais.
Hoje, a plataforma da Camerite está presente em mais de 500 municípios brasileiros e integrada a mais de 50 projetos governamentais. A empresa quer ocupar um espaço ainda pouco explorado no País: o de transformar câmeras em sistemas que pensam, e não apenas que gravam.
“Segurança preditiva deixou de ser uma promessa para virar produto”, diz Romano. “E quem desenvolve essa tecnologia no Brasil, com entendimento do contexto local, tem uma vantagem que nenhuma empresa estrangeira consegue copiar rápido.”

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CAPA - TECNOLOGIA
Arquitetura neuromórfica, a plataforma inspirada no cérebro humano

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Dilemas e oportunidades de blockchain para identidade
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