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Inteligência Artificial se torna uma prioridade estratégica central para líderes empresariais

A Inteligência Artificial (IA) está assumindo papel central na estratégia corporativa. O Gartner estima que os investimentos globais em IA crescerão 44% e alcançarão US$ 2,52 trilhões em 2026. Essa tendência reforça a transição da IA de uma tecnologia experimental para um componente estrutural das organizações e um item-chave na agenda das lideranças. No entanto, é importante reconhecer que o volume de investimentos, por si só, não garante retorno. A experiência de ciclos tecnológicos anteriores mostra que muitos projetos acabam não entregando os resultados esperados.

Quando praticamente todas as organizações passam a declarar a IA como solução central, o diferencial competitivo deixa de estar na intenção e passa a estar na capacidade de execução. Esse movimento já aparece no relatório 2026 AI & Data Leadership Executive Benchmark Survey, publicado pela Harvard Business Review, segundo o qual 99,1% das empresas entrevistadas afirmaram que investir em dados e IA é uma prioridade organizacional de alto nível, enquanto 90,9% relataram aumento nos níveis de investimento.

Pude acompanhar de perto projetos que ilustram como IA tem demonstrado potencial para gerar ganhos quando integrados às práticas de gestão e aos processos organizacionais. Um exemplo foi o desenvolvimento de uma ferramenta de previsão de acidentes rodoviários baseada em modelos preditivos para priorização territorial, apoiando a tomada de decisão em políticas públicas e servindo também como base para escalabilidade global e gestão de impacto. Iniciativa que alcançou mais de 30 países, reduziu acidentes em até 48% e apoiou a tomada de decisão em políticas públicas.

A consolidação da IA nas estratégias corporativas tem ampliado a pressão sobre a infraestrutura tecnológica das empresas. Segundo estudo da Netskope de 2026, embora quatro em cada cinco líderes de Infraestrutura e Operações (I&O) reconheçam a TI como elemento central para os objetivos de negócio, apenas 38% avaliam que a infraestrutura atual é capaz de sustentar as exigências criadas pela adoção de IA em larga escala.

Para as organizações, o avanço sustentável depende de três pilares: infraestrutura robusta e escalável, governança e qualidade de dados e alinhamento direto com métricas de negócio. As lideranças precisam direcionar suas agendas para iniciativas capazes de gerar impacto operacional concreto e mensurável, com foco em indicadores como aumento de receita, redução de custos e ganhos de produtividade por meio de automação inteligente, previsão de demanda e otimização operacional.

Ao expandir a capacidade analítica das empresas, a IA permite identificar oportunidades, prever riscos e extrair insights antes pouco visíveis. Em paralelo, surgem novos desafios relacionados à validação dos modelos, ao controle de vieses e à necessidade de supervisão humana nas decisões automatizadas. Entre eles está a IA Agêntica (Agentic AI), baseada em sistemas capazes de agir proativamente e tomar decisões autônomas em ambientes complexos.

Diferentemente da IA analítica tradicional e da IA Generativa, ela opera por meio de agentes capazes de executar tarefas complexas, integrar decisões e se adaptar com maior autonomia, funcionando como um copiloto de forma menos reativa e mais proativa.

Apesar do avanço acelerado dessas soluções digitais, a maturidade tecnológica continua sendo um fator que precisa de atenção para que os investimentos gerem resultados concretos. Para isso, as organizações precisam estruturar diretrizes consistentes de governança, ética, segurança e compliance ao longo de toda a jornada de adoção. Sem essa base, o risco é transformar investimento em custo, sem retorno efetivo para o negócio.

A IA caminha para se consolidar como um elemento estrutural da estratégia corporativa, mas sua implementação exige mais do que tecnologia. Os resultados tendem a depender da qualidade da infraestrutura, da integração aos processos e da capacidade organizacional de sustentar essa transformação.

Empresas que priorizam preparo operacional e capacidade de execução, e não apenas aquisição de ferramentas, têm maior potencial de converter investimentos em ganhos tangíveis. O desafio é tão gerencial quanto tecnológico.

Por Leandro Mineti, diretor de Dados e Inteligência Artificial da Falconi

 

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