O avanço da digitalização ampliou significativamente a exposição das organizações a riscos cibernéticos. Ambientes híbridos, múltiplas filiais, uso intensivo de Cloud e equipes distribuídas tornaram a segurança da informação uma disciplina cada vez mais complexa e urgente.
Ao longo da minha trajetória na Net Turbo Telecom, em que atendemos empresas, governos e provedores de internet em todo o Brasil, tenho observado que, para elevar seu nível de maturidade em segurança, as organizações precisam mudar primeiro a forma de pensar sobre o tema.
Segurança deixou de ser uma questão técnica isolada e passou a ser estratégica para o negócio. Quando a empresa entende isso, muda completamente sua forma de investir em tecnologia. E essa mudança começa com uma postura preventiva, estruturada desde a concepção da arquitetura de rede.
Segurança como pilar estratégico
O primeiro passo é abandonar o modo reativo, aquele de apagar incêndios, e adotar uma estratégia preventiva. Empresas maduras em segurança não esperam o incidente acontecer para agir.
É fundamental mapear ativos críticos, identificar os responsáveis pelos dados e definir políticas claras de proteção e resposta. A segurança precisa estar integrada à arquitetura de rede desde o início, e não ser tratada como um complemento implementado depois.
Um ponto que merece atenção especial é a proteção contra ransomware, ataque que criptografa arquivos ou bloqueia sistemas e exige pagamento de resgate. A pergunta que as empresas devem fazer não é se isso pode ocorrer, mas quanto tempo levariam para recuperar sua operação caso o ataque acontecesse.
A resposta mais consistente que encontrei passa pela adoção de backup corporativo em nuvem com cópias imutáveis, que não possam ser alteradas ou criptografadas por invasores.
Somam-se a isso criptografia em trânsito e em repouso, políticas de retenção alinhadas às exigências regulatórias da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e testes periódicos dos processos de restauração.
Soluções hospedadas em datacenters padrão Tier III no Brasil permitem recuperação rápida, auditável e aderente às políticas de governança.
A proteção de perímetro também exige atenção constante. Firewalls mal configurados ou desatualizados continuam sendo portas de entrada para incidentes. Para elevar o nível de segurança, é recomendável utilizar firewall de próxima geração, manter monitoramento contínuo, garantir atualizações permanentes de assinaturas e políticas e estruturar um processo claro de resposta a incidentes.
Modelos de firewall gerenciado com operação 24×7 ajudam a reduzir riscos e a sobrecarga das equipes internas, assegurando acompanhamento especializado e ajustes constantes.
Conectividade inteligente
A mitigação de ataques DDoS, que causam negação de serviço ao sobrecarregar a rede, deve ocorrer antes que o tráfego malicioso atinja a rede corporativa.
Ataques volumétricos podem gerar indisponibilidade em poucos minutos e impactar receita e reputação. Implementar proteção Anti-DDoS integrada ao backbone e monitorar continuamente padrões anômalos de tráfego são medidas essenciais para preservar a continuidade do negócio e a experiência do cliente.
A conectividade, por sua vez, precisa ser estruturada com inteligência e redundância. Arquiteturas modernas de SD-WAN (Software-Defined Wide Area Network) permitem priorizar tráfego crítico, garantir failover automático entre links (que uma conexão assuma automaticamente caso outra falhe), conectar filiais, ambientes em nuvem e datacenters com visibilidade centralizada e aplicar políticas de segurança de forma integrada.
Ao combinar conectividade e proteção em um mesmo desenho arquitetônico, a empresa reduz vulnerabilidades e aumenta sua resiliência operacional.
Governança indispensável
Segurança da informação também é governança. Formalizar políticas de acesso e retenção de dados, registrar e auditar eventos críticos, manter documentação adequada para fins regulatórios e investir na capacitação contínua das equipes são práticas que elevam o nível de maturidade da organização.
A conformidade com a LGPD exige processos estruturados e capacidade de recuperação rápida e rastreável.
Na prática, as organizações que avançam com mais consistência em segurança são aquelas que tratam o tema de forma transversal, envolvendo áreas técnicas, jurídicas e executivas em torno de uma estratégia comum. A tecnologia viabiliza a proteção, mas são os processos e as pessoas que a sustentam.
Por onde começar
Em resumo, para organizações que querem elevar seu nível de maturidade em segurança da informação em 2026, o caminho passa por seis frentes prioritárias:
– Adotar uma postura preventiva, integrando segurança à arquitetura de rede desde o início.
Implementar backup imutável em nuvem, com criptografia e políticas de retenção alinhadas à LGPD.
– Utilizar firewall de próxima geração com monitoramento e gestão especializada 24×7.
– Implantar proteção Anti-DDoS integrada ao backbone para evitar indisponibilidade.
– Estruturar a conectividade com SD-WAN, priorização de tráfego e failover automático.
– Fortalecer governança, auditoria, documentação e capacitação contínua das equipes.
Num cenário de ameaças cada vez mais sofisticadas, segurança da informação tornou-se fator crítico para a continuidade dos negócios. Empresas que investem em prevenção, resiliência e governança estarão mais preparadas para crescer com segurança em um ambiente cada vez mais digital.
Por Eduardo Garcia, fundador e diretor de Novos Negócios da Net Turbo Telecom

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