Durante muito tempo, a tecnologia foi tratada como uma área de suporte dentro das instituições financeiras. Hoje, essa lógica mudou. Em um cenário marcado por pressão regulatória, aumento do volume de Dados, necessidade de eficiência operacional e maior exposição a riscos, a tecnologia passou a influenciar diretamente decisões relacionadas à alocação de capital, gestão de riscos e geração de valor.
A complexidade operacional do setor financeiro cresceu de forma significativa nos últimos anos. A expansão dos ambientes multicloud, a integração entre diferentes sistemas, os múltiplos Canais Digitais e o avanço das exigências regulatórias aumentaram a criticidade das operações. As decisões deixaram de ser baseadas apenas em histórico e passaram a depender da capacidade de interpretar Dados em tempo real, com consistência, previsibilidade e Governança.
Esse movimento se reflete diretamente na priorização dos investimentos. Segundo a Febraban, o orçamento de tecnologia dos bancos brasileiros deve alcançar R$ 47,8 bilhões em 2025, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. O dado evidencia uma mudança estrutural na base operacional das instituições financeiras, que passaram a enxergar tecnologia como um elemento central para escalabilidade, eficiência e resiliência.
Ao mesmo tempo, o cenário macroeconômico ampliou a necessidade de controle e eficiência. A manutenção de juros elevados aumenta o custo do crédito e pressiona margens, exigindo operações mais inteligentes e sustentáveis. Nesse contexto, decisões financeiras passam a depender cada vez mais da capacidade das empresas de integrar tecnologia, dados e estratégia de negócio.
Outro ponto relevante é a ampliação dos riscos operacionais e regulatórios. Quanto maior a digitalização, maior também a exposição a fraudes, vulnerabilidades e interrupções. Dados da Febraban indicam que 94% dos bancos priorizam prevenção a fraudes e proteção de Dados, enquanto 90% destacam a gestão de riscos e vulnerabilidades como foco em Cibersegurança. A Segurança deixa de ocupar apenas uma função técnica e passa a integrar diretamente a lógica financeira das operações.
A infraestrutura tecnológica também assume papel estratégico nesse processo. Modelos baseados em Cloud e ambientes híbridos oferecem maior flexibilidade, escalabilidade e previsibilidade de custos, ao mesmo tempo em que permitem a modernização de sistemas sem comprometer a continuidade operacional. Em setores altamente regulados, essa combinação entre estabilidade, Governança e capacidade de adaptação se torna essencial.
O desafio, porém, não está apenas na adoção de novas tecnologias. Muitas organizações ainda tratam a Transformação Digital como um projeto isolado de modernização. Na prática, a efetividade dessas iniciativas depende da capacidade de conectar tecnologia, processos, Dados e estratégia corporativa de forma integrada.
Empresas que conseguem alinhar tecnologia à tomada de decisão estão mais preparadas para lidar com a volatilidade econômica, responder rapidamente às mudanças regulatórias e sustentar vantagens competitivas no longo prazo. A tecnologia deixou de ser apenas suporte operacional. Hoje, ela participa diretamente da construção da resiliência, da eficiência financeira e da capacidade de crescimento das organizações.
Por Rubens Daniel Júnior, líder de pré-Vendas e Inovação Empresarial da Getronics para América Latina.

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