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Candidatos veem IA como injusta e desumanizante nos processos seletivos

Percepção de falta de transparência e baixa valorização cresce com uso de algoritmos, apesar do ganho de velocidade, aponta estudo inédito da Heach Recursos Humanos

Candidatos veem IA como injusta e desumanizante nos processos seletivos

Embora acelere etapas do recrutamento, a Inteligência Artificial ainda enfrenta forte resistência entre candidatos, especialmente pela percepção de injustiça e desumanização. Segundo pesquisa da Heach Recursos Humanos, empresa de recrutamento e seleção, 71,4% dos profissionais acreditam que podem ser eliminados de forma injusta por algoritmos, enquanto apenas 28,6% confiam nas decisões automatizadas.

A sensação de opacidade é um dos principais fatores de rejeição. Candidatos relatam dificuldade em entender os critérios de avaliação, o que compromete a credibilidade do processo.

Nas entrevistas conduzidas por IA, a experiência também é negativa: 79,8% relatam baixa confiança, 77,8% dizem se sentir menos valorizados e 69,3% apontam dificuldade de se expressar. Ainda assim, 57,1% reconhecem que essas etapas são mais rápidas, evidenciando um conflito entre eficiência e qualidade da interação.

Na etapa final, o fator humano segue decisivo: 52,6% confiam mais em decisões tomadas por pessoas, contra apenas 23,9% que confiam plenamente na Automação  

Mesmo em entrevistas virtuais com recrutadores humanos, o ambiente digital não elimina totalmente a insegurança. 32,9% dos entrevistados questionam a legitimidade da empresa e 18,7% temem golpes.

Na etapa final, o fator humano segue decisivo: 52,6% confiam mais em decisões tomadas por pessoas, contra apenas 23,9% que confiam plenamente na Automação – um cenário que se repete até entre profissionais da área de tecnologia.

“Existe uma percepção de opacidade no processo. O candidato não entende como está sendo avaliado, e isso compromete a confiança no resultado. Velocidade sem qualidade de interação não resolve o recrutamento”, afirma Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos.

O estudo também aponta que a resistência à Inteligência Artificial não está necessariamente ligada à rejeição da tecnologia em si, mas à forma como ela é aplicada nos processos seletivos.

“Fatores como a ausência de feedback, a dificuldade de interação e a falta de clareza sobre os critérios de avaliação contribuem para uma experiência percebida como impessoal e distante, o que pode impactar diretamente a imagem empregadora das empresas e reduzir o engajamento dos candidatos ao longo da jornada. O desafio não está em usar ou não a IA, mas em como integrá-la de forma transparente e equilibrada ao processo”, conclui Elcio.

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