
A Oracle está intensificando suas estratégias para acelerar a adoção de inteligência Artificial – IA, nos negócios da América Latina. Durante o Oracle AI World 2025, realizado nos Estados Unidos, executivos da companhia destacaram que empresas de diversos setores estão implementando soluções de IA para aumentar a eficiência operacional e a competitividade.
De acordo com Luiz Meisler, vice-presidente da Oracle para a América Latina, a empresa tem realizado investimentos robustos em novas alianças e tecnologias, incluindo parcerias com a OpenAI. O objetivo é apoiar organizações, que estão em diferentes estágios, na implementação de soluções de Inteligência Artificial.
“Temos data centers altamente avançados, com segurança reforçada, maior eficiência energética e preços competitivos, prontos para acompanhar nossos clientes na jornada da IA”, afirmou Meisler. Entretanto, reconheceu que o avanço da IA traz grandes transformações com impactos em alguns modelos de negócios. Um deles é o formato Software como Serviço – SaaS, que ainda não se sabe como será no futuro.
“Sabemos que as aplicações SaaS vão mudar. Se o modelo vai morrer, não sei. É uma incógnita porque tudo está evoluindo em uma velocidade sem precedentes, e não sabemos como será o cenário em dois anos”, observou.
Segundo ele, a Oracle está reposicionando suas soluções SaaS dentro de uma plataforma tecnológica flexível, capaz de evoluir com novas funcionalidades e agentes de IA.
Plataforma escalável e foco em dados
A Oracle se capacitou para ter uma plataforma de IA com escalabilidade distribuída em camadas, acrescentou Adrián Durán, vice-presidente de Aplicações em Nuvem para a América Latina. São elas: infraestrutura, dados e aplicações para sustentar projetos de inteligência artificial em larga escala.
O executivo enfatizou que, embora muitos falem em uma estratégia “AI First”, o verdadeiro diferencial competitivo está em uma abordagem data first.
Leandro Vieira, vice-presidente de AI e Tech em Nuvem para a América Latina, reforçou essa visão ao destacar que “os dados são o novo petróleo que alimenta a Inteligência Artificial”. Isso requer centros de dados com infraestrutura sofisticada e capacidade de entrega rápida de soluções integradas.
“Com a visão da IA, ninguém trabalha mais sozinho”, enfatizou Vieira. O novo modelo depende de um ecossistema colaborativo de parceiros, o que sinaliza oportunidade de negócios para atuação do canal de comercialização e integradores com habilidade em IA.
Cenário no Brasil
Ao analisar o mercado brasileiro, Alexandre Maioral (foto), presidente da Oracle Brasil, identifica um forte potencial de crescimento para os negócios com Inteligência Artificial no País. “Temos uma demanda gigantesca por IA no Brasil e possivelmente veremos um cenário muito diferente no país dentro de um ano”, afirmou o executivo durante o Oracle AI World 2025, em Las Vegas.
Maioral explicou que a Oracle tem investido massivamente em IA nos últimos dois anos, firmando parcerias estratégicas com empresas como Tik Tok e OpenAI. Segundo ele, essas colaborações reforçam a capacidade da Oracle de escalar com segurança, gerenciar grandes volumes de dados e oferecer infraestrutura de alta performance para levar IA aos clientes.

Essa transição já é percebida com resultado dos números: há três anos, 80% da receita da Oracle Brasil e América Latina vinha de soluções on-premise e 20% da Nuvem. Hoje, a proporção se inverteu para 15% on-premise e 85% Nuvem.
Com essa mudança, a Oracle e seus parceiros de negócios reforçaram a estratégia de monitoramento do consumo das soluções pelos clientes. O objetivo é garantir que eles estejam utilizando todas as funcionalidades das plataformas de infraestrutura, SaaS, dados e aplicações de IA para aumento de receita.
Segundo Maioral, a maturidade na adoção da IA ainda varia entre as empresas brasileiras. Enquanto algumas já utilizam a IA para gerar novas fontes de receita como setor financeiro e varejo, outras estão apenas iniciando sua jornada. “É importante identificar onde a inteligência artificial realmente agrega valor e resolve problemas específicos do negócio”, aconselhou o executivo.
Brasil como polo de centros de dados
Outro tema abordado durante o Oracle AI World 2025 foi o potencial do Brasil para acelerar investimentos em centros de dados. Executivos da Oracle na América Latina demonstram entusiasmo com a nova Medida Provisória do governo federal brasileiro que criou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil – Redata. A iniciativa estimula investimentos em armazenamento, processamento e gestão de dados no País e outras ações tecnológicas.
“O Brasil tem tudo para se tornar um polo mundial de data centers”, afirmou Maioral. Ele ressaltou que o país possui condições favoráveis, como localização estratégica, possibilidade de redução com incentivos fiscais e uma matriz energética limpa, fatores que aumentam sua atratividade para grandes investimentos tecnológicos.
Apesar de ainda necessitar de mais clareza sobre a aplicação prática da MP do governo, Bento Bueno, vice-presidente de Setor Público da Oracle para a América Latina, avaliou que o momento é altamente promissor: “acho que teremos muitas oportunidades para o crescimento dos negócios no Brasil”, afirmou.
Segundo ele, a expansão de centros de dados locais deve abrir novas oportunidades para todo o ecossistema de parceiros, incluindo distribuidores, revendedores e integradores especializados em IA. Esses Canais poderão atuar com entrega de soluções, gerenciamento de serviços e monitoramento de segurança, entre outras frentes.

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