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FGV: Tech Day destacou aplicações e implicações da IA na prática

Um dos painéis na edição deste ano explorou a IA enquanto arma geopolítica em um mundo polarizado; Estados Unidos e China competem por IA para ‘regular como o mundo funciona’

FGV: Tech Day destacou aplicações e implicações da IA na prática

A Inteligência Artificial é um elemento crucial da batalha geopolítica atual, polarizada especialmente por Estados Unidos e China, com o objetivo final de dominar “a linguagem e os instrumentos que regulam como o mundo funciona”. Não por acaso são esses dois os atores globais com os maiores investimentos em pesquisa sobre IA no mundo: os Estados Unidos detêm 29% das publicações acadêmicas sobre a tecnologia, com a China correndo por fora com 24%.

Os Estados Unidos já gastaram US$ 470 bilhões em pesquisa sobre IA, enquanto a China chegou a US$ 120 bilhões.

As empresas de tecnologia estão mais suscetíveis do que jamais estiveram

“O que interessa é dominar as regras do jogo político que vai ser jogado daqui para a frente. Não se trata mais [de disputas por] território, nem dominação global ou mesmo ideologia”, disse o professor das áreas de política externa e geoeconomia da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas – EAESP-FGV, Guilherme Casarões (na foto, à esq.) – que também trouxe os dados acima durante o Tech Day 2025, realizado nessa quarta-feira (21) na sede da instituição de ensino na capital paulista.

É a terceira edição do Tech Day, que tem se dedicado desde o princípio a discutir os impactos da Inteligência Artificial – primeiro com a comunidade acadêmica e, mais recentemente, também com o público externo.

O tema, claro, é o impacto da Inteligência Artificial no mundo, nas empresas e no cotidiano das pessoas – começando pela geopolítica, tema fundamental em tempos de guerra tarifária e DeepSeek.

Para Casarões, a IA se insere em um momento no qual as duas grandes potências, mais a Rússia – que entra no jogo por conta da capacidade militar, inclusive cibernética –, estão passando por uma reacomodação de poderes. “Muitos postulam que essa seria uma nova Guerra Fria”, disse o professor.

Consequências para a Região
E os países do chamado “Sul Global”, incluindo o Brasil, estão encontrando suas posições nessa nova cadeia econômica – por enquanto como fornecedores de matéria-prima e serviços. “… o controle das bases [econômicas] é um divisor de águas na disputa hegemônica geopolítica atual”, disse o especialista, lembrando que os Estados Unidos enxergam a América Latina como um “renovado quintal norte-americano”, o que deve trazer consequências para a região nos próximos anos, também cobiçada pela China em termos de influência.

Donald Trump é o primeiro presidente estadunidense que diz expressamente que não cabe mais ao seu país tentar dominar o mundo inteiro. “Ele tem uma leitura um pouco diferente do papel do país no mundo. (…) reconhece que existe espaço para outras potencias e quer se focar na esfera de influência dos Estados Unidos”, disse.

Segundo Alcides Peron (na foto, à dir.), professor e coordenador do curso de Relações Internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado – Fecap, a Inteligência Artificial, nesse contexto geopolítico, e junto a outras tecnologias digitais emergentes, é uma infraestrutura sob a qual se quer exercer poder. “Um poder infraestrutural”, definiu ele. “Quanto mais eu controlo a informação, mas poder exerço.”

FGV TechDay 2025 _ maioNão por acaso os Estados Unidos encaram as grandes empresas de tecnologia, as chamadas Big Techs, como uma arma política. São empresas que se valeram da “apropriação e espoliação dos saberes humanos”, ou seja, dos dados usados pelos modelos de IA para “aprenderem”, e que usam essa capacidade e a influência de suas plataformas para concentrar poder ainda mais.

“Os Estados Unidos têm se apoiado nas Big Techs como forma de expansionismo”, disse Peron.

Não por acaso o governo americano tem, ao longo dos últimos anos, expulsado e proibido atividades de empresas estrangeiras em seu território, sobretudo as chinesas, lembrou Peron. O TikTok é a mais recente delas, mas o movimento remonta ao início da implementação do padrão 5G de conectividade e atingiu companhias como Huawei e ZTE, entre outras.

Tech Day 2025 e o próximo
Segundo Eduardo de Rezende Francisco, professor da FGV de São Paulo e chefe do Departamento de Tecnologia e Data Science – TDS, da EAESP, além de líder do comitê organizador do Tech Day, o grande objetivo da iniciativa é alinhar a comunidade acadêmica e seus parceiros externos sobre os impactos da IA. O evento é realizado desde 2023, e reuniu estudantes, professores, ex-alunos, executivos de empresas e startups.

O número de participantes desta edição de 2025 ainda não havia sido revelado até o fechamento deste texto, mas foram pouco mais de 350 no Tech Day 2024. A expectativa é que, no próximo ano, o evento seja ainda maior e, talvez, ocorra fora do auditório da FGV, em um local capaz de comportar mais pessoas, segundo o professor.
O Tech Day de 2026 já tem até data: 20 de maio de 2026.

De acordo com Francisco, é fundamental que a Inteligência Artificial seja discutida – algo que ocorre há anos, mas se intensificou principalmente após 2023, com o ‘terremoto da IA Generativa’. Embora o mercado tenha se adaptado bem às mudanças de paradigma trazidas pela tecnologia nas últimas décadas, em 2025, especialmente após a eleição de Donald Trump, a agenda tornou-se ‘fora de controle’, sobretudo no campo da geopolítica. “As empresas de tecnologia estão mais suscetíveis do que jamais estiveram.”

A ideia é que o evento se mantenha como um grande encontro anual, mas, como escola de negócios, temos capacidade limitada para receber presencialmente todos os interessados. No ano que vem, planejamos discutir também Computação Quântica”, adiantou o chefe do Departamento de Tecnologia e Data Science da EAESP à Infor Channel, com exclusividade.

A expectativa é atrair mais parceiros para a próxima edição – nesta, a Totvs foi patrocinadora, com apoio da Khipo, Inovativos, GVAngels, além de Infor Channel.”

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