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Inteligência Artificial: consenso é a chave para um mundo robotizado

Há quase quatro décadas, precisamente em 1984, o filme “O Exterminador do Futuro” era lançado. A obra é considerada um marco do cinema mundial, lançando o diretor James Cameron ao estrelato, além de consolidar a carreira de Arnold Schwarzenegger e lotar salas ao redor do mundo.

No entanto, o projeto também foi ousado por abordar a Inteligência Artificial e trazer discussões sobre o futuro da humanidade a partir da presença de robôs. Na trama, a grande ameaça está na deflagração da guerra entre humanos e máquinas. Mas, na vida real este cenário seria possível? Afinal, já estamos em um período de interações com robôs.

Seja nas fábricas, dentro de empresas ou até mesmo em casa, eles estão por todas as partes, sendo que as razões e vantagens de suas presenças são variadas: eficiência, precisão, segurança, maior produtividade e/ou redução de custos.

Um bom exemplo disso é a popularização de assistentes virtuais, programadas para entenderem, comunicar-se e executarem tarefas. Além disso, elas podem interagir com outros dispositivos, como geladeiras, lâmpadas inteligentes, TVs, entre outros. A assistente está conectada a uma plataforma de reconhecimento de voz na nuvem, onde ficam armazenados os dados de comandos de ações. Isso é possível por meio do uso da tecnologia Machine Learning (Aprendizado de Máquina), que permite que ela fique mais inteligente conforme detecta hábitos e comportamentos dos usuários.

Controvérsia recente com a IA
Assim como a tecnologia traz novidades, às vezes traz controvérsias. Recentemente, um engenheiro de software do Google foi demitido por afirmar em entrevista que o chatbot – uma ferramenta virtual que aprende e simula o comportamento humano em conversas via chat – teria ganhado alma e consciência ao perceber que a Inteligência Artificial passou a falar sobre seus direitos e sua personalidade.

O Google, por sua vez, informou que foi publicado um artigo detalhando o chatbot e que ele foi construído em modelos de linguagem que tornam a conversação mais convincente. Em nota, a empresa afirmou que as alegações do ex-funcionário são infundadas e que trabalhou por meses com ele para esclarecer a situação.

Consenso é a chave
Caso os robôs criem consciência, eles seriam uma ameaça para a vida? Não! O foco da preocupação não deve estar na consciência e/ou reprodução das maldades humanas pela tecnologia. Pelo contrário, eles vêm para apoiar os seres humanos e, neste propósito, cada vez mais se comportarão de forma parecida, tanto fisicamente como em seu comportamento.

Então, teremos uma participação maior de robôs inseridos na sociedade, executando serviços operacionais como dirigir um carro autônomo ou até em situações mais complexas, por exemplo, atuando como médico psiquiatra. A provocação aqui é que, diferente dos humanos, o robô pode estar em vários lugares diferentes, materializando-se de várias formas – como é o caso de um carro ou um chatbot.

De forma prática, imagine este cenário: uma pessoa passa por um quadro de dependência alcoólica e precisa se consultar com um psicólogo robô. Após a consulta, ela solicita um carro autônomo que, por sua vez, é o mesmo aplicativo robotizado vestido de psicólogo. Só que agora ele está na posição de motorista, enquanto a pessoa sugere que a rota seja ir até um bar mais próximo. Sabendo das condições do ser humano, o robô se recusará a fazer o percurso, do mesmo modo que ele não levará a pessoa para sua residência, pois saberá dos riscos de uma recaída estando a pessoa sozinha. Desta forma, ele opta por deixar o humano na casa de um familiar mais próximo.

É neste momento que o consenso se torna imprescindível. Assim como na relação entre duas pessoas, na qual ambos os lados da conversa sabem das características um do outro e tentam tomar decisões para ajudar, o mesmo acontece com o robô. Todavia, ele poderá contar com a vantagem de estar em vários lugares e, praticamente, ter conhecimento infinito – como ganhar essa quebra de braço consensual?

Pode parecer um cenário distante e impossível, mas, particularmente, vejo de modo diferente: um futuro próximo e totalmente possível. Ao pesquisar sobre a OpenAI, projeto de Inteligência Artificial patrocinada por Elon Musk, é factível afirmar que hoje ela já é capaz de criar textos e imagens a partir de uma simples frase, como “Criar uma ilustração de uma maquina de lavar da marca Tesla”. Além disso, há também a possibilidade de pesquisar sobre a capacidade que empresas como Google e Meta possuem sobre nossos comportamentos – muitas vezes íntimos. Ao confrontar essas tecnologias, provavelmente a pessoa que fez essas pesquisas verá o panorama que apresento.

Entre humanos e máquinas, a grande diferença é que a tecnologia tem capacidade de aprendizado mais rápido, além da possibilidade de ser onipresente. Assim, será necessário facilitar a comunicação entre ambos. Embora no futuro não tenhamos um robô malvado como em “O Exterminador do Futuro”, eles estarão cada vez mais inseridos em posições e situações na sociedade. E, assim, cria-se a necessidade do consenso.

Eduardo Camargo é Engenheiro da Computação e CMO da Guiando.

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Eduardo Camargo

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