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Maternidade e carreira: relatos de experiências na busca do equilíbrio nos dois mundos

Executivas que ocupam cargos de liderança na Movile, Sympla, Tuvis, Fundação 1 Bi e Playkids contam como conciliam a dupla jornada

Maternidade e carreira: relatos de experiências na busca do equilíbrio nos dois mundos

Por mais que as profissionais brasileiras tenham conquistado direitos importantes em relação à maternidade nos últimos tempos, aliar o trabalho e os cuidados com os filhos, em um País onde 34 milhões de mulheres são responsáveis financeiramente pela renda familiar (IBGE), se torna um grande desafio. A dupla jornada é uma realidade para muitas, o que acaba gerando grande evasão de mães do mercado de trabalho.

Neste Dia das Mães, líderes e gestoras de empresas que são referência no mercado compartilham suas histórias sobre carreira e maternidade, contam seus maiores desafios, conquistas e oferecem dicas para inspirar mulheres que desejam ser mães e continuar atuando no mercado de trabalho:

Valéria Molina é líder de Marketing na Sympla – ecossistema de eventos, atrações culturais e conteúdos digitais do Brasil. Para a executiva, a maternidade teve grande impacto em sua vida pessoal e profissional. “Depois que me tornei mãe, comecei a gerenciar melhor minha carga horária de trabalho e do tempo dedicado à família. Além disso, criei mais responsabilidade e força para superar desafios, assim como consegui definir melhor as prioridades, e levo essas qualidades até hoje em minha forma de trabalhar. Mas é claro que para que seja possível ter um balanceamento saudável entre viver a maternidade e a carreira, a mulher precisa de uma rede de apoio sólida, compartilhando responsabilidades com um parceiro ou uma parceira para não cair na dupla jornada, que faz com que muitas mães acabem abandonando o mercado de trabalho por um período de tempo, por não conseguir conciliar a criação da criança com a construção de uma carreira” diz Valéria.

Deborah Palacios Wanzo é presidente e cofundadora da Tuvis, plataforma de sales enablement que faz a integração entre serviços de CRM, mensageria e ferramentas de produtividade para equipes de vendas. A executiva assumiu a posição global na empresa em 2020 sem sair do Brasil, devido à possibilidade de trabalho remoto. O que foi fundamental para que ela pudesse conciliar a experiência da maternidade com a conquista das metas globais da empresa. Nesse período de expansão da Tuvis, Deborah estava grávida e as vantagens de poder estar baseada no Brasil foram inestimáveis, para a gestação e também para suas filhas, que podem ficar perto da família e não precisam lidar com as dificuldades de adaptação à realidade de um novo país durante a infância. “Viver a experiência da maternidade ao mesmo tempo em que estava estruturando uma empresa que atravessou oceanos e se tornou global foi, até hoje, o meu maior desafio. Este foi, acima de tudo, um aprendizado inesquecível, que impactou diretamente a cultura corporativa da Tuvis desde o início, quando a empresa ainda se chamava Whatslly. Somada à responsabilidade de ser mãe, está a de representar as mulheres como uma liderança inspiradora em um mercado tão masculino quanto o da tecnologia. Eu acredito no empoderamento, na diversidade e na inclusão como formas de construir espaços mais justos e criativos, tanto corporativamente quanto pessoalmente, e essa é também a visão da Tuvis”, afirma Wanzo.

Silvia Motta é diretora de estratégia, fusões e aquisições da Movile, investidora de longo prazo em empresas de tecnologia na América Latina e que visa ser a maior ‘thesis maker’ da região. Silvia aponta que o exemplo é muito importante: “vejo que, como liderança, sou também um exemplo para outras mães e futuras mães, então sempre tento me colocar à disposição de quem quiser conversar, ou saber como é, compartilhar os desafios e dicas”. Além disso, aponta que o planejamento é fundamental para conciliar trabalho e maternidade: “o dia é muito curto, então coloco bastante energia em planejar bem minha semana para conseguir fazer o mais importante de cada frente: se tem uma apresentação na escola que é relevante, já aviso antes o time e me organizo para não perder, mesmo que isso implique em não conseguir estar em uma reunião, por exemplo. Por outro lado, se tenho uma viagem importante de trabalho, também não me cobro demais por não estar todos os dias em casa. É tudo sobre o equilíbrio e também sobre entender que 100% não existe”. A executiva aponta, ainda, que a maternidade tem uma influência direta em quem é, e, portanto, em sua carreira.

Kelly Baptista é diretora executiva da Fundação 1Bi, uma iniciativa voltada a fomentar projetos de tecnologia visando o impacto social, que conta com o apoio da Movile e de suas empresas investidas. A executiva afirma que depois que se tornou mãe começou a ter uma visão mais empática do próximo e entendeu que não pode controlar tudo. Kelly fala ainda sobre o desafio de tempo: “desde que me tornei mãe, consegui manter viagens, eventos, reuniões com muito apoio, porém na pandemia tudo mudou, com as crianças 24h em casa, adequar a rotina foi um desafio desgastante e precisei entender que é impossível realizar tudo com sucesso”. Desta forma, a executiva aconselha: “delegue tarefas e não se culpe. Conciliar os papéis não é fácil, então entender o que é prioridade é a chave, ser uma mulher de sucesso não significa dar conta de tudo, e sim encarar a realidade e viver bem com ela”.

Isabela Bootz, Supervisora de Comunicação Interna da Printi afirma: “A jornada dupla é muito difícil pois ela não é apenas uma jornada dupla. A gente precisa trabalhar, cuidar dos filhos, cuidar da casa, se desenvolver, ter uma rotina de autocuidado. É muito difícil conciliar tudo isso em um dia e muitas mães que trabalham acabam abrindo mão de cuidar delas mesmas em prol das demais demandas do dia a dia. Eu mesma, apesar de ter me tornado uma profissional muito mais centrada e de conseguir dedicar um tempo de maior qualidade ao meu trabalho após a maternidade, continuo correndo atrás das outras demandas do cotidiano quando não estou trabalhando. Nesta rotina agitada, fazer terapia, ter momentos só seus para relaxar e refletir são pequenos gestos de carinho com você mesma que são extremamente importantes no longo prazo. Além disso, como mãe solo, ter uma rede de apoio com familiares e amigos próximos para os momentos de maior necessidade foi crucial para que eu pudesse cuidar mais de mim mesma e para aliviar um pouco a carga diária de cuidar sozinha de uma filha.”

Karina Batistelli, líder de produto e b2b da Playkids, está grávida e explica “Por trabalhar num universo tão lúdico e infantil, viver essa fase está sendo muito complementar, pois mais do que a visão de negócios, consigo agora ter um olhar mais profundo como um usuário mesmo. Inclusive, acabo descobrindo novas necessidades para propor para nossos negócios. Além disso, a sensibilidade e forma de ver as pessoas, principalmente outras crianças, mudou muito! Sinto que de uma certa forma, sou responsável por cuidar e protegê-las, mesmo não sendo minhas. Acho que o coração da gente fica do tamanho do mundo”. A executiva ainda diz que por ter um time repleto de mulheres, vive um momento de trocas: “Além de muito acolhimento, falamos bastante sobre como é viver esse momento tão especial e transformador. Deixo como conselho para que as pessoas se programem, mas não adiem sonhos. Busquem priorizar a maternidade, se acharem que aquele é o momento que desejam isso. É enriquecedor e com certeza abrirá novas visões e horizontes em lugares que mereçam ter mães e mulheres fortes no time construindo o amanhã”.

Monique Menezes dos Santos, líder of People & Culture da Zoop aponta que a maternidade aliada à liderança é um exercício diário de priorização, reflexão e ao mesmo tempo de se sentir culpada pela ilusória falta de tempo. Por mais que conscientemente eu saiba que amo o que faço e que passo um exemplo bacana para o meu filho ao ver que eu trabalho com algo que me faz feliz, a culpa sempre aparece. É algo inconsciente e existe uma pressão social muito grande, ainda nos dias de hoje, em mulheres em posições bem sucedidas financeiramente ocupando cargos de liderança, quando o tema é a maternidade. Então, fico intencionalmente me lembrando que tudo bem trabalhar, que isso é natural assim como é para os pais. Um exemplo, objetivo é que esse tipo de pergunta geralmente não se faz para o homem. Dificilmente vejo um homem em entrevista, reuniões, etc sendo arguido como ele concilia a liderança com a paternidade. Para a mulher fazer isso é tido como algo complexo, pois também sabemos que há uma sobrecarga maior nas mulheres em relação ao cuidado dos filhos e filhas. Mas busco sempre sair desse lugar e entender que criar um filho não é uma responsabilidade só minha, mas de uma rede (pais, avós, tios, tias, amigos, etc). Não deveria ser um exercício solitário.

Patrícia Esteves é Chief Customer Officer da Zoop, a maternidade auxiliou na organização das tarefas e na tomada de decisão “Depois que meu primeiro filho nasceu, fiquei melhor em priorizar tarefas e em tomar decisões. O trabalho passou a caber nas horas úteis e, de cara, isso me obrigou a agir de forma mais pragmática. Além disso, à medida que meus filhos foram crescendo, passei a me preocupar mais com o significado do meu trabalho, pois é importante, para mim, saber explicar a eles o que faço e como a minha atuação provoca um impacto positivo no mundo. Nas decisões de carreira, sempre busco conciliar o que faz sentido pra mim (do ponto de vista de crescimento e de desafio), com o que faz sentido para a minha família (tempo para as crianças, flexibilidade para estar presente na rotina deles). A única forma possível de conciliar maternidade e liderança é abrir mão da fantasia de mulher maravilha, daquela que dá conta de tudo e não leva problema de casa para o trabalho e vice-versa. Precisamos ficar à vontade para negociar o tempo todo, sem culpa, tanto no escritório quanto em casa. Às vezes não será possível participar de uma reunião de negócios porque você precisa levar seu filho ao pediatra. Outras vezes, não será possível comparecer à reunião de pais na escola porque você tem uma viagem a trabalho. Ter uma rede de apoio – tanto no trabalho quanto em casa – também é fundamental para que as mães possam avançar em suas carreiras.

Christiane Azevedo é Gerente do Laboratório América Latina da Mars, empresa com mais de 100 anos de história e dona de algumas das marcas mais amadas do mundo, como M&M’S, OPTIMUM, PEDIGREE, RÁRIS, ROYAL CANIN, SKITTLES, SNICKERS, TWIX, entre outras. A executiva comenta sobre a transformação da maternidade, “Ser mãe é a experiência mais transformadora da minha vida, digo é, porque continuo aprendendo e assim me transformando na busca de ser uma pessoa melhor, ser uma referência não só de amor incondicional, mas principalmente de valor para os meus filhos. Tenho 3 filhos incríveis e empáticos que sabem que podem usar sua voz para o melhor. Eu acredito que os valores e o amor que você transmite aos seus filhos são os valores e o amor que eles colocam no mundo”. Sobre as mudanças, Chris destaca o que considera mais importante, “Ser muito eficiente em tudo o que faço para poder manter um bom equilíbrio entre a minha vida pessoal e profissional. A minha família e a minha carreira são as aspirações da minha vida e eu tenho muito orgulho de conseguir equilibrar estes dois papéis. Para mim o mais importante é ser o melhor que eu consigo ser como mãe e como profissional”, finaliza.

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