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Kaspersky explica como o ransomware se tornou desafio, mesmo com a diminuição dos ataques

Nos oito primeiros meses de 2021, foram registrados 1.307.481 bloqueios – média de 227 tentativas de ataque por hora. Na comparação de 2020 e 2021, há uma queda de 56% na atividade de ransomware na região

Kaspersky explica como o ransomware se tornou desafio, mesmo com a diminuição dos ataques

Desde meados de 2020, uma ciberameaça ganhou destaque: o ransomware. Constantemente, há notícias sobre empresas que ficaram paralisadas por um ataque hacker, porém dados da Kaspersky mostram uma queda de 56% nos bloqueios destes ataques na América Latina. Os especialistas da empresa afirmam que este cenário já era esperado e destacam que os casos atuais de ransomware são mais avançados, mas são possíveis de serem evitados.

Dmitry Bestuzhev, diretor da Equipe de Pesquisa e Análise da Kaspersky na América Latina, explica que a diferença está na maneira como os cibercriminosos atuam hoje em dia. “O WannaCry, grande ataque registrado em 2017, foi um ransomware disseminado de forma massiva e atingiu muitas empresas que não estavam com seus softwares atualizados, mas as vítimas eram definidas pelo acaso. Hoje, a primeira coisa que um grupo faz é escolher sua vítima, o ataque acontece depois disso. Por isso, chamamos os ataques recentes de direcionados”, explica.

Em relação aos países com mais detecções, a lista continua sendo liderada pelo Brasil, com mais da metade das detecções (64%). Em seguida, estão México (10%), Equador (5%), Colômbia (4%), Peru (3%), Guatemala (3%), Chile (2%) e Argentina (1%)

Esta nova postura seletiva se refletiu nos registrados da Kaspersky. Em 2020, foram bloqueados 2.968.473 ataques de ransomware na América Latina entre janeiro e agosto – uma média de 515 tentativas por hora. Já nos oito primeiros meses de 2021, foram registrados 1.307.481 bloqueios – média de 227 tentativas de ataque por hora. Na comparação de 2020 e 2021, há uma queda de 56% na atividade de ransomware na região.

O especialista da Kaspersky destaca ainda países que estão na contramão da tendência e apresentaram crescimento nos ataques de ransomware neste ano, como Guatemala, que registro um crescimento de +963%, República Dominicana (+461%), Colômbia (+316%), Argentina (+20%) e Panamá (+9%). Em relação aos países com mais detecções, a lista continua sendo liderada pelo Brasil, com mais da metade das detecções (64%). Em seguida, estão México (10%), Equador (5%), Colômbia (4%), Peru (3%), Guatemala (3%), Chile (2%) e Argentina (1%).

“Diferente das campanhas massivas que precisam ter alcance geográfico e diversidade de famílias para atingir uma grande quantidade de empresas, os ataques dirigidos podem chegar a qualquer organização. E esta mudança na operação criminosa fica claro quando analisamos as detecções de países como República Dominicana, Guatemala e Panamá”, afirma Bestuzhev.

Os especialistas da Kaspersky ainda analisaram o modus operandis destes ataques direcionados e listaram as principais ações que as empresas devem adotar para evitar serem vítimas desta ameaça:
 Proteja a superfície de ataque
Os principais vetores de ataque são o e-mail, sites de terceiros, portas abertas e expostas, vulnerabilidades de softwares, principalmente nas tecnologias de conexão remota (RDP) e de VPN. Além disso, para iniciar a infecção, os criminosos evitam as máquinas virtuais, pois o risco deles serem descobertos é maior neste ambiente. Por fim, os malware usados para iniciar a infecção usa técnicas de ofuscação e poucas* soluções de segurança conseguem detectá-los. “As empresas precisam analisar melhor a solução de segurança que usam. Técnicas de ofuscação não é algo novo, mas nossa análise mostra como as empresas estão vulneráveis”, afirma Marc Rivero, analista de segurança do GReAT.

 Dificulte as movimentações laterais
Uma vez que os criminosos conseguem acessar a rede corporativa (houve sucesso na infecção inicial), o novo objetivo é ampliar o acesso aos sistemas corporativos e adquirir privilégios de administrador. Para isso, eles usam trojans para roubar credenciais e ferramentas legítimas, como o Power Shell. “Para dificultar a evolução do ataque, recomendamos que as empresas usem tokens como segundo fator de autenticação e desabilitem o uso do Power Shell para usuários que não precisam desta tecnologia. Caso eles consigam estes privilégios, eles podem executar o processo de ciframento das informações de forma muito rápida”, ressalta Rivero.

 Ecossistema do ransomware
A escolha das vítimas começa com a avaliação dos criminosos em relação sobre a probabilidade de receberem o resgate – e este valor é definido com uma porcentagem em cima do faturamento da empresa. Além disso, os criminosos trabalham no modelo de afiliação – em que o desenvolvedor do ransomware paga os operadores com base no sucesso e na quantidade de vítimas.

Para evitar ser vítima destes ataques, a Kaspersky recomenda que os usuários corporativos:
Mantenham todos os programas e sistemas operacionais atualizados com a última versão. E não usem softwares piratas, pois a economia não justifica a perda econômica gerada por um ciberincidente.

Realizem treinamentos de conscientização de segurança, principalmente para explicar aos funcionários os riscos de abrir links, sites e arquivos anexos suspeitos a partir de equipamentos corporativos, além de recomendar a criação de senhas complexas e diferenciadas.
Imponham o uso de uma conexão segura (com o uso de uma VPN) para acessar remotamente qualquer recurso da empresa.

Tenham uma solução de segurança de qualidade, como o Kaspersky Endpoint Security for Business, configurado corretamente para detectar comportamentos suspeitos, e que permita a reversão automática de arquivos – estas são tecnologias de proteção específicas para o combate ao ransomware. Para quem não é cliente, a empresa disponibiliza ainda a ferramenta gratuita Kaspersky Anti-Ransomware Tool for Business para blindar computadores e servidores destes ataques tipo de ameaça. Ela também protege vulnerabilidades e é compatível com as soluções de segurança já instaladas.

Façam cópias de segurança (backups) de seus dados, tendo cópias off-line e em serviços de nuvem de qualidade para evitar que elas também sejam criptografadas.

Além disso, a Kaspersky é sócia cofundadora da iniciativa ‘No More Ransom’, lançada em julho de 2016, juntamente com a Polícia Nacional Holandesa, a Europol e a McAfee, e que fornece recursos úteis para as vítimas desta ameaça. Hoje, o projeto conta com 163 parceiros em todo o mundo, incluindo a Polícia Nacional Colombiana e o CSIRT de Buenos Aires. A plataforma está disponível em 36 idiomas e pode descriptografar 140 tipos diferentes de ransomware.

* Teste realizado pelos especialistas da Kaspersky usando o Virus Bulletin.

Dmitry Bestuzhev

Kaspersky

Marc Rivero

Ransomware

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