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Governança de Dados é imperativa para continuidade dos negócios e para nova aplicações

A imposição atual no mundo dos Dados é de um regime fluído, porém baseado em uma forte premissa: a de que a condução e o uso de Dados devem atuar de forma a garantir as melhores práticas e o atendimento às regulamentações, ao mesmo tempo em que podem trazer diferenciais para os negócios

Governança de Dados é imperativa para continuidade dos negócios e para nova aplicações

Um novo petróleo, ouro em forma de informações ou diamantes que precisam ser lapidados… é possível fazer inúmeras analogias sobre a importância dos Dados no mundo atual. No entanto, quando falamos da Governança de Dados é crível estabelecer paralelos com políticas (im)positivas que podem significar o sucesso ou a ruína das empresas. Porém, assim como em um governo de um país, é preciso ter princípios transparentes e bem fundamentados.

É paradoxal, mas o atual momento do mercado, ou seja, uma revolução quanto à aplicação jurídica e regulatória com a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD, e do aparecimento de dezenas de legislações e regulamentações internacionais similares, é extremamente propício para a prática e a contratação de projetos de Governança (veja comparação com o mundo, no destaque: Panorama global). Afinal, é por meio da Governança de Dados que as empresas podem efetivamente mapear quais são os Dados de sua operação que podem ser impactados por essas questões legais e entender para que esses Dados são utilizados. A partir daí, se capacitarem para minimizar os possíveis riscos e até obter dividendos em forma de lucro financeiro.

Hoje em dia, não utilizar a Inteligência de Dados significa entregar o jogo para os concorrentes

A demanda por esse tipo de conhecimento, ou por projetos dessa natureza é cada vez maior e, ao menos no médio prazo, só deve aumentar e pode garantir espaço para integradores, embora as consultorias ainda sejam hegemônicas neste caso. “O Brasil possui uma infraestrutura de Dados, composta por programas de divulgação de informações, organização dos Dados públicos e digitalização de acesso, maior do que muitos países considerados mais desenvolvidos, da mesma forma, conta com setores de mercado que têm grande intimidade com o trabalho de Dados”, aponta Thoran Rodrigues, CEO da BigDataCorp.

Nível de maturidade
Uma vez coletado e analisado o Dado, é possível identificar características quanto aos costumes, os comportamentos e as preferências do potencial cliente e, certamente, o fornecedor estará mais próximo dele, sendo capaz de prever suas reais necessidades e expectativas sobre um determinado serviço ou produto ofertado. “Hoje em dia, não utilizar a Inteligência de Dados significa entregar o jogo para os concorrentes”, acredita Esdras Cândido, vice-presidente de Produtos e Serviços da Orys.

Em termos de maturidade, o mercado Financeiro no Brasil, por exemplo, é muito mais digital e utiliza muito mais Dados em seus processos operacionais em relação a muitos outros países, ou seja, a Governança de Dados está mais do que presente.

Entretanto, há uma ‘zona cinza’ gigantesca quando o tema trata de Dados e informações pessoais no País, afinal, vazamentos são corriqueiros, mesmo quando não noticiados. Além disso, existe um certo nível de apatia, tanto do mercado quanto da população, com relação ao uso indevido de Dados.

Existem dois fatores principais que impactam o nível de maturidade das empresas brasileiras com relação à Governança de Dados. O primeiro, e talvez mais óbvio, é a necessidade regulatória. Empresas que operam em mercados nos quais os Dados são regulados por legislação específica ou por agência externa são, por necessidade, mais maduras no que se refere a estas questões. Empresas que atuam na área de Saúde, são forçosamente muito mais reguladas do que as de outros setores e, dessa forma, acabam implementando processos de gestão mais completos do que outros perfis de negócio.

O segundo fator aliado à maturidade é o da relação de trabalho com este ‘petróleo’. Setores que estão mais acostumados a lidar com informações em suas operações apresentam melhor estabilidade com relação à Governança do que outros.

Esperar não é saber
Um bom exemplo de setor mais maduro devido a essa ‘intimidade’ é o já falado e onipresente mercado Financeiro, que reúne instituições que utilizam Dados para diferentes processos de tomada de decisão e estão constantemente trabalhando com informações sensíveis dos indivíduos, como salários, dívidas, análise de crédito e outros, o que as obriga a manter um nível de cuidado elevado.

Existem dois fatores principais que impactam o nível de maturidade das empresas brasileiras com relação à Governança de Dados

Porém, muitas das iniciativas de Governança de Dados, mesmo que bem-intencionadas, acabam subvertidas aos resultados dos negócios. O problema é que o uso indevido de uma informação pode até trazer um bom resultado financeiro, entretanto como a Governança é violada os reflexos são terríveis.

Em épocas de imprevisibilidade econômica, monitorar e cruzar Dados, ter perspectivas, planejar e reinventar modelos de negócios, com base em informação sólida, é uma questão de continuidade e sobrevida para muitas empresas. Neste sentido, para que os propósitos e princípios sejam respeitados é essencial uma sólida orientação aos parceiros de Distribuição e Vendas. “Não adianta desenvolver uma Governança de altíssima qualidade e ter parceiros que não partilham dos mesmos valores e padrões”, defende Ricardo Thomaziello, diretor-executivo de Dados e Analytics, da Quod, uma das operadoras do Cadastro Positivo. Para ele, a Governança não necessariamente precisa ser a mesma, mas deve compreender uma política que envolva fornecedores e parceiros.

No entanto, a implementação de projetos de Governança por meio de integradores é incipiente, e decorre muito mais da especialização do Canal do que do investimento de consultorias ou desenvolvedores de solução. E como o mercado ainda é voltado para o trabalho das consultorias, isso acaba limitando os potenciais clientes a grandes e médias empresas que têm alta capacidade de investimento.

“É fato que Inteligência de Dados deixou de ser novidade e passou a ser encarada como componente indispensável na estratégia de vendas de qualquer empresa B2B de grande porte, em qualquer lugar do mundo. No entanto, esse recurso demorou a chegar ao cotidiano das pequenas e médias empresas, que só agora perceberam que podem e devem se beneficiar das vantagens competitivas que essa tecnologia traz para os negócios, sobretudo nas estratégias multicanal”, avalia Cândido.

Os dois principais motivadores das empresas em projetos de Governança de Dados no Brasil são os requisitos legais e regulatórios, e as preocupações com Segurança da Informação. “Empresas que lidam com informações que podem ser consideradas sensíveis, ou de acesso restrito, como Dados financeiros, médicos e similares, são geralmente as mais preocupadas com as questões da Governança”, lembra Rodrigues, da BigDataCorp.

A entrada em vigor da LGPD (leia somente na versão digital reportagem sobre um ano da implementação desta lei), no entanto, expandiu a gama de empresas que precisa se preocupar com o assunto. Vale lembrar que todas as que lidam com Dados Pessoais em seu escopo de atuação agora precisam efetivamente organizar a Governança dos seus Dados ou correm o risco de não estarem em conformidade com a legislação vigente, podendo sofrer sanções financeiras significativas.

Quem sabe faz a hora
Em um cenário dinâmico e com mudanças rápidas, como o atual, tomar decisões baseadas em Dados é a única maneira de adotar estratégias eficientes e estar à frente dos concorrentes. Alguns fatores acabam igualando muitas empresas em suas ‘dores’ e levam a possíveis saídas. “É preciso criar KPIs para medir o desempenho em relação aos desafios de Governança de Dados mais importantes e que precisam ser resolvidos”, projeta Guy Hanson, vice-presidente da área de Envolvimento de Clientes da Validity, fornecedora global de soluções de software e desenvolvedora da plataforma de integridade que permite a avaliação e o conjunto de ferramentas para corrigir problemas de Dados. Ele explica que essa ação inclui, mas não está limitada à qualidade do conteúdo, inclusive responsabilidade; rigor de planejamento; precisão na tomada de decisão; gestão de riscos; eficácia da equipe, a exemplo de redução do retrabalho; e a receita obtida com os Dados.

Com o exemplo da Grendene (leia o destaque Caso de sucesso) e mesmo com o momento atual, empurrado pelas legislações, é possível apontar que é crescente o número de empresas que não mais precisam ser convencidas a investir. “A dificuldade que enfrentamos hoje não é sobre o poder e o valor dos Dados, mas sim mostrar para potenciais clientes quais são os Dados que têm valor”, admite Rodrigues, da BigDataCorp.

Assim como é palpável apresentar outros casos de ganhos advindos da Governança, mesmo padecendo de uma ideia low profile. “Na maior parte das vezes, os clientes não revelam as suas informações por questões estratégicas, mas é comum conseguir ganhos de 15% a 20% na melhora de decisões que se refletem, por exemplo, em melhores aprovações de crédito e redução da inadimplência”, garante Thomaziello, da Quod. Consequentemente há menores perdas de crédito e menor volume de fraudes com decisões mais completas.

No Reino Unido, uma pesquisa do Royal Mail mostrou que o custo de Dados ruins é igual a 6% da receita média de uma operação. No Brasil, em uma PME isso significaria quase R$ 300 mil Pullquote sample text

Melhor, o futuro segue promissor. Os Dados representam o valor futuro dessas empresas; o dinheiro que seus clientes atuais e potenciais gastarão nos próximos anos está ‘preso’ a informações. “Como um carro esportivo de alto desempenho, as empresas precisam investir tempo e recursos para manter os Dados em sua melhor forma e protegê-los contra exposição ou uso ilegal”, conclui Hanson, da Validity.

Dados ruins
O volume de Dados que temos disponíveis hoje no mercado possibilita usar aplicações que há alguns anos seriam praticamente impensáveis. Muitas delas associadas a tecnologias emergentes, como Inteligência Artificial.

Mas nem tudo são flores. Uma pesquisa do Gartner estimou que 85% dos projetos de Inteligência Artificial falham devido a causas relacionadas a Dados ausentes, incorretos, incompletos ou mesmo aqueles que contêm tendências, que fazem com que os módulos de IA sejam treinados incorretamente.

No Reino Unido, uma pesquisa do Royal Mail mostrou que o custo de Dados ruins é igual a 6% da receita média de uma operação. Se isto for transferido para o Brasil, em uma PME típica, que gera uma receita média de R$ 4,8 milhões por ano, isso significaria que o impacto de desse tipo de conteúdo seria de quase R$ 300 mil.

No mundo
A abordagem do Brasil em Governança de Dados é um reflexo do rápido movimento para adotar uma nova legislação baseada na privacidade, LGPD, logo após a Europa, GDPR, e substancialmente à frente de países como a China e os Estados Unidos que, com exceção dos estados da Califórnia e Virgínia, têm leis desenvolvidas lentamente.

O fato do Brasil estar agora negociando um acordo de adequação com a União Europeia pode elevar a maturidade da Governança de Dados no Brasil a um nível semelhante ao europeu. Se aprovado, claro!

Caso de sucesso
Um caso significativo é o da Grendene, que precisou reestruturar sua plataforma de comércio eletrônico, que trabalha com dez de suas marcas no Brasil e internacionalmente e se baseou no ‘domínio de seus Dados’.

O projeto, realizado pela Compasso, utilizou soluções de Nuvem da plataforma Oracle Commerce Cloud, levou dez meses para ser concluído e replicou no virtual a experiência de compra das lojas físicas. Como resultado, o Grupo teve um aumento de mais de 380% nas vendas virtuais em 2020, com o atendimento da demanda gerada pela pandemia de Covid-19.

O principal objetivo da Grendene era internalizar o domínio dos Dados que permite personalizar a experiência de compra do consumidor, oferecendo sugestões com base nas pesquisas e acessos. Assim, a empresa passou a ter maior controle dessas informações e a oferecer atendimento exclusivo ao usuário, em uma abordagem de múltiplos canais. A entrega da primeira loja, da marca Zaxy, se deu em 72 dias.

A certeza na frente
Christian Seidl, líder de Comércio Digital da Grendene, revelou que o projeto resultou em um aumento de 30% a 80% na taxa de conversão entre o comércio eletrônico das marcas. Atualmente, são oito dessas operações que atendem o B2C e outras duas, o B2B. “A transformação na experiência de compra fez com que os canais online da Zaxy e da Rider, as primeiras marcas internalizadas, avançassem 117% e 380% entre novembro e dezembro, na comparação com 2019”, compara. Com apenas 30 dias de operação, foi grado o equivalente a 60% da receita do ano anterior, quando comparada com a operação terceirizada.

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