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Compra de equipamentos para home office pode gerar pandemia de lixo eletrônico

Agora que o ‘novo normal’ do home office já foi definitivamente incorporado às relações de trabalho, as preocupações se voltam para o ‘velho normal’ do descarte incorreto de lixo eletrônico. O conflito é resultado do aumento significativo da compra de equipamentos para se adaptar à nova realidade do mercado de trabalho. Caso a sociedade não assuma novos comportamentos, o quanto antes, em relação ao material obsoleto, os recordes já evidenciados de material impróprio jogado na natureza no ano passado devem ser superados facilmente. Com isso, os países desenvolvidos e em desenvolvimento estarão mais do que nunca expostos aos efeitos silenciosos de uma verdadeira pandemia em termos de agressão ao planeta e risco à saúde humana.

A constatação se baseia na observação dos números que surgem após o fechamento do primeiro semestre. Conforme os especialistas já esperavam, a necessidade de trabalhar em casa como forma de adaptação às exigências de combate à pandemia obrigou as pessoas a adquirirem novos equipamentos.

Afinal, aquele computador antes usado somente para acessar ao Internet Banking não conseguiria dar conta do uso intenso exigido dele no dia a dia. O mesmo ocorreu com os telefones celulares, que se transformaram em fonte de tudo o que era necessário comprar em sistema delivery. Televisões antigas foram trocadas por aparelhos mais novos com recursos atrativos para ajudar a superar o período de confinamento. A lista de coisas trocadas por suas versões mais robustas e modernas é tão grande que surpreendeu até mesmo os fabricantes.

De acordo com a consultoria IDC Brasil, o número de computadores vendidos no 1° trimestre de 2020 no Brasil foi de 1,47 milhão de unidades, o que significa uma alta de 16% em relação ao mesmo período ano passado. Os responsáveis pela pesquisa acreditam que uma das razões deste movimento que as famílias passaram a precisar de um computador por pessoa para dar continuidade às múltiplas tarefas como trabalho e estudo ao mesmo tempo durante a quarentena.

Segundo outra consultoria, a GFK, houve um avanço de 71% nas vendas de TVS durante o mês de março no Brasil em relação ao ano passado. Os sistemas de som com tecnologia de reprodução sem fio registraram avanço de 62% no mesmo mês e os notebooks tiveram aumento de 85% no período.

A empresa mostrou em outro estudo que esse fenômeno não foi apenas nacional. Segundo ela, o mercado global de varejo de TI / Office atingiu quase 49,7 bilhões de euros no primeiro semestre de 2020, um aumento de 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Com base nestes estudos não restam dúvidas de que muitos equipamentos novos entraram pelas portas das casas. Mas a questão agora passa a ser o que será feito com os equipamentos velhos.

De acordo com o Monitor Global de Lixo Eletrônico, estudo feito por meio de um esforço colaborativo coorganizado pela Universidade das Nações Unidas (UNU), no ano passado o planeta havia acumulado um recorde de 53,6 milhões de toneladas métricas de lixo eletrônico. O montante significa um aumento de 21% em cinco anos. O pior é que apenas 17,4% deste resíduo foi oficialmente documentado como formalmente coletado e reciclado.

O cenário mostra que o home office incentivado pela pandemia tem potencial suficiente para injetar toneladas de novos lixos eletrônicos num sistema que já não conseguia dar conta de forma satisfatória às quantidades existentes anteriormente. Significa que todos os esforços em termos de campanhas de conscientização, investimentos em estrutura de coleta, separação e destinação devem ser redobrados o quanto antes para conter os efeitos negativos desta explosão de consumo.

Logística reversa está para a explosão de consumo de lixo eletrônico assim como o uso de máscara está para a Covid-19.
Nos dois casos, não há espaço para negacionismo.

 Por Ricilla Banin Arrais de Oliveira, diretora da Reciclatronics

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