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Gestão financeira manual retarda crescimento do e-commerce

O e-commerce é, sem sombra de dúvidas, um mercado em constante ascensão no país. Não foi por acaso que o setor cresceu 12% no, 1º semestre 2018, e faturou mais de R$ 23 bilhões no período mesmo diante da crise

A grande referência do e-commerce é a Amazon, mas acredito que as empresas brasileiras de comércio eletrônico, não devem enxergar a gigante como uma concorrente, até porque o que sustenta a organização americana são as ofertas em cloud, por exemplo, e-books. A vantagem disto é que deixa em pé de igualdade perante às operadoras menores, ou seja, criou-se um small business com forte poder competitivo. Portanto, na minha opinião, o grande oponente do e-commerce brasileiro, atualmente, são os processos internos envolvendo gestão de dados, cadeia financeira e tributos interestaduais, que além do valor exorbitante e imprevisível ao variar com as taxas e legislação de cada estado, ainda demanda movimentação operacional. Isto ocorre porque, ao ter a compra confirmada, é que a cadeia produtiva começa a funcionar, com o cálculo de tributo de acordo com o estado, cálculo de frete, confirmação de compra, identificação do produto, comando no galpão para saída de produto, estratégia logística, até a entrega final ao cliente.

Quando me refiro à movimentação operacional, gosto de demonstrar o caos envolvido nisto com exemplos, como o da Black Friday. No mês de novembro, por conta do fenômeno reconhecido pelas diversas promoções varejistas, há uma movimentação maior no e-commerce. Porém, trata-se de uma alta sazonal, um processo elástico. Para atender a essa movimentação, é inviável contratar pessoas e ampliar um centro de distribuição, especificamente para este período. Não que seja impossível, mas inviável pelas burocracias e gastos desnecessários envolvidos em todo o processo, sendo que hoje temos tecnologia suficiente para considerar altas sazonais.

Diante deste cenário, podemos dizer que a Inteligência Artificial – envolvida no financeiro de e-commerces foi uma grande conquista para o setor, em especial quando há aumento da demanda. Para se ter uma ideia, a tecnologia já consegue calcular automaticamente tributos para outros estados, realizar pagamentos de forma automatizada, acompanhar extratos de diferentes bancos, estruturar em dados movimentação de pagamentos com cartão de crédito de diferentes bandeiras e até analisar bancos com as melhores taxas para antecipação de duplicadas. Assim, as empresas que se atentarem a isto, com certeza terão uma vantagem competitiva operacional que refletirá na evolução do negócio.

O setor está em constante crescimento, mas cabe a cada gestor garantir a conquista de novos patamares. Ao levar em consideração que o setor financeiro é o coração das empresas, não só do e-commerce, mas de todo o universo corporativo, ter o respaldo de inovações que conseguem automatizar e aumentar o nível de assertividade é um avanço que aproximará o mercado de uma nova Era.

Outro alicerce que direcionará o setor de e-commerce para o sucesso, focado no aumento das vendas e fidelização de clientes é a confiança. A confiança permeia tudo, desde o site ser confiável, segurança do meio de pagamento e dados cadastrais, até a entrega dentro da data prevista. São uma série de atributos que precisam estar sincronizados e, para isso, necessitam do amparo tecnológico.

A partir daí o problema se torna uma solução de relacionamento e as empresas que tiverem isto alinhado estarão desenhando uma gestão assertiva para uma nova era. Para sustentar isso, técnicas de omni-channel, envolvendo estratégias de SEO, estruturação de persona e técnicas para entender toda a jornada do cliente são imprescindíveis. Às vezes, a pessoa é muito mais digital do que física e saber cruzar informações para impactar constantemente o cliente resultará em eficiência para o setor.

Acredito que já temos a resposta de que o e-commerce funciona. Hoje vemos até carros sendo vendidos pelo e-commerce e, na minha concepção, a tendência é que as lojas físicas, em um futuro bem próximo, sejam mais uma questão de conceito. É mais para mostrar que o estabelecimento não é uma pequena loja virtual, ela está presente em um grande shopping. No entanto, enxergo que o setor será o grande protagonista da venda final.

O cenário é promissor e os líderes que se atentarem a uma gestão automatizada, considerando que a tecnologia é essencial para construir um grande BI (Business Intelligence) para auxiliar na tomada futura de decisão, estarão contribuindo para uma importante evolução do e-commerce no País.

Por Yoshimiti Matsusaki, CEO da Finnet e membro da Comissão de Estudos Especiais da ABNT para a padronização do Blockchain.

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