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Faz sentido ter um conselho na minha startup?

Indo direto ao ponto: sim! Naturalmente você tem que moldar o seu conselho para as suas necessidades e momento. Se a hora é de crescer, melhor trazer conselheiros com experiência no assunto. Se a hora é de vender a empresa ou receber uma rodada relevante de investimento, e vai passar por uma due diligence, alguém que já passou por isso, se possível diversas vezes.

Mas o que um conselheiro pode (e deve) oferecer à minha startup?
Acesso – Pessoas mais experientes costumam ter um círculo de relacionamento mais amplo, que pode viabilizar o contato com aquele cliente que você está louco para conseguir, ou mesmo com empresas de prestação de serviços que normalmente não atenderiam uma startup. Um bom conselheiro também pode ajudar a acessar fontes de capital para seu negócio.

Credibilidade – Para captar clientes e investidores, é importante ter uma estrutura organizada e com credibilidade. Enquanto sua startup constrói um nome no mercado, tome emprestado o nome e experiência de quem já construiu o seu.

Experiência – Montar uma empresa não é tarefa fácil. É necessário gerir fornecedores, prestadores de serviços, clientes, tecnologia, obrigações fiscais, jurídicas, administrativas, de pessoal etc. Cada dia um problema novo. Poder contar com alguém que já passou por isso sempre que necessário economiza muito do seu tempo e acelera, de forma significativa, os resultados da companhia.

Sucessão – Suceder significa passar o negócio para outra pessoa tocar. Não importa se essa outra pessoa é um comprador, familiar ou profissional. Um bom conselho possibilita que o dono / CEO seja sucedido, preparando a transição, e amortecendo efeitos diversos.

É importante esclarecer alguns mitos sobre conselhos:
Um conselho vai engessar a minha empresa e criar burocracia? Não. A maior parte das startups não tem necessidade de ter um conselho de administração formal eleito em assembleia e registrado na junta. Um Conselho Consultivo (Advisory Board) não é deliberativo e, por esta razão, não engessa a empresa. É um órgão que vai te ajudar a desenhar a estratégia, crescer, gerir riscos e suceder a companhia.

Um conselho é caro demais? Sem dúvida é possível ter um conselho caro, mas não é necessário. Se você levantou dinheiro, é possível que haja um aproveitamento de investidores em cadeiras de conselho. Como eles têm interesse Financeiro no negócio, não necessariamente precisam receber remuneração. Também é comum conselheiros trabalharem por algum quinhão de equity no caso de startups. Há ainda pessoas experientes como ex-executivos, iniciando a carreira de conselheiro. Em alguns casos, estas pessoas aceitam uma ou duas cadeiras sem remuneração, para se estabelecerem como conselheiros.

Conselheiros são velhos ultrapassados? Sem dúvida há um volume de gente nesta categoria, mas uma coisa não é necessariamente ligada à outra. Gente com idade para ser seu avô pode ser mais inovadora que seu colega de faculdade, com o benefício de às vezes tirar uma carta da manga que ninguém viu ou pensou. A experiência tem dessas coisas.

Só vale a pena ter conselho quando houver investidores? Investidores profissionais costumam exigir a criação de um conselho. Dinâmica de um conselho é como academia, o treino é que vai surtir efeitos. Entrar em um conselho de administração formal sem ter passado por um consultivo é como entrar no treino avançado no primeiro dia de academia.

E como eu começo? O bom e velho QQQ ajuda bastante:
Quem? Quais são os profissionais que vão compor o seu conselho? É bom levar em consideração habilidades e experiências setoriais. Ferramentas como o BoardPlace ajudam neste filtro inicial. Escolha a dedo as pessoas que têm capacidade de implementar a visão da empresa. Não tenha medo de errar: se algum conselheiro não funcionar no primeiro ano, no segundo você o substitui.

Quando? Acerte com todos um calendário de reuniões para o ano. Isso evita desencontros de agenda de última hora. Se a sua empresa está em ritmo franco de crescimento, provavelmente você vai ter assunto para reuniões em bases mensais. Se for uma empresa mais consolidada, reuniões bimestrais ou trimestrais podem resolver.

O Que? Procure acertar uma pauta mínima para ser coberta durante o ano. Não há receita de bolo, mas eu gosto de dividir a reunião em três pilares: (i) Estratégia, (ii) Governança e Gestão e (iii) Resultados e projetos.

Por Eduardo Shakir Carone, sócio-fundador da Atlas Governance 

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