Entrevistas

Estímulo à inovação

Laércio Albuquerque, presidente da Cisco do Brasil, fala à Infor Channel sobre investimentos em aquisições, além de estimular a inovação interna, com o objetivo de expandir as barreiras da tecnologia

Com inovação contínua e soluções que transformam a vida das pessoas e os negócios dos clientes a Cisco se manteve atualizada ao longo de 35 anos de história. Há tempo se posiciona como uma empresa voltada para mudar a maneira como as pessoas trabalham, aprendem e se divertem por meio da tecnologia e atendendo às necessidades de negócios. Prestes a completar 25 anos no Brasil, a companhia destaca como uma das prioridades global a experiência do cliente, ou customer experience, oferecendo soluções e serviços que sustem a jornada digital dos clientes de todos os setores, sempre com o apoio do ecossistema de parceiros. A Cisco também tem investido em aquisições, além de estimular a inovação interna, com o objetivo de expandir as barreiras da tecnologia. Laércio Albuquerque, que está à frente da Cisco do Brasil desde 2016, responde à questões de Infor Channel. Acompanhe.

Como a Cisco está preparada para atender às tendências tecnológicas?
A Cisco investe fortemente em pesquisa e desenvolvimento e inovação. Aprofundar nossos conhecimentos e ter ideias transformacionais, nos permite ter um vasto portfólio, com soluções e serviços que atendem às necessidades de nossos clientes. Tendências como computação em nuvem, IoT e mesmo Inteligência Artificial têm sido importantes pilares da transformação digital. De maneira geral, todas as indústrias, governos e segmentos da sociedade estão sendo “digitalizados” e os principais motivadores estão associados à busca pela eficiência operacional, aumento de produtividade, melhor experiência de usuários e clientes, utilização dos serviços e produtos e tudo de forma segura. Na parte de computação em nuvem, destaco multicloud, o ambiente de cloud híbrida, que possibilita flexibilidade para adoção de estratégia de aplicações em nuvens privadas e públicas, escalando, sua capacidade computacional de acordo com sua necessidade e aproveitando o melhor do que cada solução e provedor pode oferecer para o seu negócio, com a experiência como se fosse uma única infraestrutura. A Internet das Coisas também é uma realidade hoje. Há uma infinidade de sensores, medidores e muitos outros dispositivos conectados. As aplicações e usos são os mais diversos e não há limites para o possível. Temos trabalhado em projetos como “poste conectado” de iluminação pública, instrumentação médica para aplicações hospitalares, salas de aula inteligente, dispositivos de lubrificação de linhas férreas e muitas outras iniciativas. A Cisco também já está aplicando Inteligência Artificial, por exemplo, na área de saúde com soluções que oferecem novas formas de interação com os pacientes, via robôs. Estamos usando também IA em soluções de vídeo, com assistentes de voz, e recentemente lançamos o primeiro servidor para atender a projetos de IA e Machine Learning. Trata-se de uma tecnologia que se baseia nos servidores Cisco UCS (Unified Computing Systems) e garante uma forma de aprendizado de máquina a partir de redes neurais e grandes conjuntos de dados para treinar computadores em tarefa complexas.

Como avalia a infraestrutura de comunicação no País e quais as soluções para melhorias?
De forma geral acredito que as operadoras têm investido em infraestrutura e o Governo também está caminhando para buscar melhorias, mas algumas mudanças nas leis também precisam ser feitas para impulsar avanços nessa área, de acordo com a importância que as redes têm hoje. Precisamos expandir geograficamente a cobertura de redes no Brasil e investir em um serviço de qualidade. A Cisco, junto com outras empresas e o governo, está focada em fazer do Brasil um país mais digital e a infraestrutura é o primeiro passo para isso.

Qual a tendência das redes?
As redes estão mais aptas para receber e atender às demandas de inovações tecnológicas. O IoT é um ótimo exemplo de como a arquitetura se adapta para receber um maior número de acessos e conectividade. A indústria está se atualizando para tornar os processos mais fluidos e a transformação digital um processo mais ágil e natural para empresas, governo e usuários. Esta inovação não pode parar. De acordo com a última previsão da Cisco sobre o tráfego na rede (Visual Networking Index), em 2022 o volume do tráfego IP vai ultrapassar o tráfego de toda a história da Internet. E esse tráfego virá de todos nós, de nossas máquinas e da maneira como usamos a Internet. Até 2022, 60% da população mundial será usuária de Internet. Mais de 28 bilhões de dispositivos e conexões estarão on-line. E vídeos responderão por 82% de todo o tráfego IP. Portanto, é necessário continuar com investimentos em tecnologias para tornar as redes mais estáveis, rápidas e seguras. E este é um dos principais objetivos da Cisco.

Elas estão capacitadas para a explosão de dados esperada?
De modo geral, as empresas estão acompanhando os avanços das redes e evoluindo no aumento de capacidade para sustentar a explosão de dados. A Cisco, por exemplo, investe em equipamentos com capacidade de processamento maior e redes mais estáveis e velozes. Podemos dizer que estamos preparados para a explosão do número de dados que veremos nos próximos anos.

Qual o impacto do modelo de vendas como serviço para a Cisco?
Temos visto esses modelos se tornarem forte tendência. A Cisco vem transformando várias linhas de suas soluções com a opção de subscrição e hoje estamos vendo nossas soluções de segurança, colaboração e outras tecnologias, serem adquiridas como serviço. No mercado nacional, parcela considerável das soluções da Cisco já é vendida no modelo de subscrição. Para nós, isso é uma transição de mercado importante e investimos bastante para oferecer essa opção. Para se ter uma ideia, há cinco anos, a receita global de equipamentos da Cisco representava 90% do total; hoje é 65%. Software e serviços vêm avançando e já chegam a 35% da receita global da companhia.

Quais são os desafios de segurança para a rede?
As redes vêm vivendo uma evolução ao longo dos anos. Podemos dizer que antes eram mais controladas, mas a conectividade permitiu que o acesso aconteça a qualquer hora, de qualquer lugar. Há muito mais objetos conectados, o que gera um aumento no número de brechas de segurança. Veja, se em 2022 teremos quase 30 bilhões de dispositivos conectados, podemos dizer que serão quase 30 bilhões de brechas de segurança em potencial. É um cenário que pode se tornar muito preocupante, se não lidarmos com ele da forma correta. A Cisco tem olhado muito para esse cenário e se dedicado a construir um ecossistema conectado com mais segurança, sem comprometer a acessibilidade, agilidade e estabilidade. Em um mundo onde tudo está conectado, incluindo sistemas essenciais como hospitais e serviços públicos, não podemos nos dar ao luxo de permitir que dados sejam corrompidos ou sistemas enfrentem blackout de conexão.

Quais os desafios para o canal promover uma infraestrutura convergente no cliente?
O canal precisa conhecer a necessidade do cliente, entender nosso próprio portfólio e ter flexibilidade para se adaptar ao que o cliente precisa. A Cisco tem um programa de certificação e especialização que há anos preza por transmitir conhecimento à comunidade de canal, mantendo-a atualizada, permitindo assim o aprimoramento constante da aplicabilidade da tecnologia. O Programa de Canais da Cisco oferece um caminho de capacitação para que a empresa parceira possa se especializar nas diversas tecnologias e soluções que façam sentido para seu negócio. De maneira complementar, oferecemos uma variedade de conteúdos e treinamentos via portal e junto aos distribuidores. Além disso e em função da diversidade de tecnologias e especialidades, em alguns casos o parceiro é incentivado a aderir a um modelo chamado “Partner 2 Partner”, onde pode, em determinada oportunidade, se unir a outros parceiros que já possuem competência necessária para o caso.

Que ações tem para o mercado local?
A Cisco tem uma comunidade de parceiros fortalecida e reconhecida no mercado. Temos inovado com base no nosso plano estratégico e buscamos uma expansão geográfica para o mercado nacional, focando em segurança, canal de colaboração e transformação digital. Todos os nossos distribuidores estão aptos a comercializar nossos produtos e tecnologias.

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